Ambientado na vibrante e dolorosa Nova York do final dos anos 1980, “The Man I Love”, de Ira Sachs, com roteiro de Maurício Zacharias, acompanha Jimmy George (Rami Malek), um icônico artista e ator de teatro. Após ser diagnosticado com AIDS, ele lida com a iminência da morte enquanto tenta realizar um último grande papel no palco e vivenciar o amor intensamente. O filme explora um triângulo amoroso entre Jimmy, seu carinhoso namorado Dennis, e Vincent, um jovem vizinho britânico.
The Man I Love (EUA/França, 2026)
por Egídio La Pasta
Acho que o pior do filme está no Rami Malek. Não entendo como um diretor como o Sachs não conseguiu controlar as caras e bocas e olhinhos virados. É muita afetação.
Dito isso, é um recorte de um momento muito dramático. Ele, inclusive, evita o drama e mergulha num estudo sobre esse ator de teatro e seu processo atropelado pela doença. E nem sempre funciona porque todo o entorno das suas relações parecem muito mais interessantes e relevantes do que os bastidores de um espetáculo de teatro.
Boa direção de arte e figurinos. E o clima e a atmosfera da época, dos signos gays e dos corpos e a vida dentro e fora das boates, colidindo nas relações familiares e amorosas diante da ruptura, tudo isso me parece um material espetacular para o filme que eu não encontrei.
Esse protagonista, esse ator famoso, desejado, reconhecido, ávido por atenção, ele é uma síntese bastante precisa de alguém que se utiliza do outro, independentemente se pode ou não machucá-los. Deixar marcas. Ele esbarra nesse retrato de homens irresistíveis, que se acham muito melhores do que são e compreendem o amor de forma muito equivocada.
Aqui o filme acerta muito na representação de um tipo facilmente reconhecível, acredito, por muitos de nós. Só não precisava de tanto biquinho e pescocinho virado. Queria muito mais Tom Sturridge, um tremendo coadjuvante.
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