por Bruno Weber Nascida em 1560, na Hungria, a condessa Isabel Báthory entrou para a História pelos crimes hediondos que teria cometido. Acusada de ter assassinado mais de 650 pessoas, a maioria jovens mulheres cujo sangue ela teria aplicado na própria pele como bálsamo de rejuvenescimento, ela morreu confinada num quarto de seu castelo três anos após a condenação. Desde então, a história serviu de inspiração para vários filmes, alguns tentando criar um relato verídico dos fatos ou até apostando na possibilidade concreta de que ela teria sido vítima de uma campanha de difamação. Mas a maioria são filmes de terror, motivados pelas óbvias conotações vampirísticas da história da Báthory. Não é exatamente o caso de A Condessa Sangrenta, de Ulrike Ottinger, que apesar de retratar Báthory diretamente como vampira, não é um filme de terror. É uma comédia. Ou algo assim. Apesar do tom campy e assumidamente ridículo que define muito da obra da diretora, ela continua desafiando rótulos cinematográficos.
Num mundo mais justo, Ulrike Ottinger seria tão conhecida quanto David Lynch. Não exatamente porque a diretora alemã e o cineasta americano têm algumas semelhanças de estilo e linguagem. Ambos poderiam ser chamados de "surrealistas", o que não é uma definição muito precisa em nenhum dos casos. Os filmes de Ottinger costumam se apoderar de mitos e personagens clássicos da cultura européia e os usa como veículo de sátira e desconstrução de convenções de gênero (tanto cinematográfico quanto sexual). E depois de personagens como Joana D’Arc, Orlando Furioso e Dorian Gray, ela volta seu olhar para a Condessa Báthory, aqui encarnada pela grande Isabelle Huppert.
Na trama, a Condessa retorna para Viena após vários anos afastada e reencontra toda uma comunidade de vampiros que a idolatra profundamente. Com a exceção de seu sobrinho Rudi (Thomas Schubert), a ovelha negra - ou “verde” - da família, que se recusa a beber sangue e se considera um vampiro vegetariano. Tanto a Condessa quanto Rudi começam a buscar um livro mágico que tem o poder de transformar vampiros em humanos. Rudi quer usá-lo para deixar de ser vampiro, enquanto a Condessa planeja destruí-lo. E no meio tempo ela se deleita com o sangue de qualquer jovem donzela que passa pelo seu caminho, sempre acompanhada por sua fiel assistente Zofe (Birgit Minichmayr). Já Rudi tem apenas a companhia de seu terapeuta Theobald (Lars Eidinger), que se recusa a acreditar que ele é um vampiro.


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