segunda-feira, 12 de outubro de 2026

FESTIVAL DO RIO 2026: CLUB KID



Club Kid (EUA, 2026) por Egídio La Pasta

É interessante observar o cinema queer desse ano. A diversidade dos temas, os cenários e as diferentes épocas, grandes romances históricos em meio aos escombros da guerra, da incerteza do amor diante da sociedade, histórias interrompidas pela violência, a juventude em sintonia com o seu desejo, homens e mulheres em transição constante, moldando as suas vidas de acordo com o contrato irrevogável de serem exatamente quem são. E "Club Kid", que foge um pouco da cartilha, e foca num encontro entre uma criança e o seu pai. E na transformação profunda de ambos.

Peter é um cara que encara o excesso como uma forma de se afirmar. Ele vive uma rotina, na produção de suas festas, regada a muita bebida, muitas drogas e putaria. É o estereótipo do jovem gay, bonitão, nova iorquino, com uma vida organizada para a curtição. Ele parece meio à deriva, se deixando levar, no conforto da juventude, mas parece compreender que não encontra mais satisfação no seu comportamento.

Quando ele conhece Arlo, seu filho, as relações entre identidade, pertencimento e construção da imagem imediatamente ganham forma, instintivamente, no aprendizado mútuo entre pai e filho. Dentro de um universo marcado pela cultura noturna e pela liberdade de expressão, essa paternidade desloca o cenário e amplifica o diálogo entre eles.

O filme articula questões relacionadas a autoimagem, ao desejo e a busca por reconhecimento, sem ignorar as ambiguidades presentes nesse processo. Peter é todo errado. Mas sua relação com Arlo parece equalizar a sua bagunça interna. Ela cria uma linguagem possível aos dois, onde o amor faz brotar mais amor. Ele não precisa encaretar e abandonar quem ele sempre foi. Mas amadurece, sem se deixar.

Toda a reta final é um primor. As opções de Jordan Firstman, ator, diretor e roteirista, quando o filme pesa a mão, são muito sóbrias. Mesmo no discurso diante da juíza, cena chave, onde ele está especialmente bem. E na cena no escuro, ao celular, momento onde as lágrimas vieram. Ele desenha o drama com muita firmeza, se equilibrando com esperteza para que o filme não se perca.

É lindo demais.

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