“River Dreams”, da diretora e ativista cazaque Kristina Mikhailova, fez história ao se tornar o primeiro documentário do Cazaquistão a ser exibido no Festival Internacional de Cinema de Berlim. A obra acompanha o fluxo do rio Aksay, no sul do Cazaquistão, usando as águas como uma metáfora visual e poética. Mikhailova entrevista diversas mulheres locais,apelidadas de "river girls",, propondo que elas se imaginem como o próprio rio. O filme costura as vozes de jovens urbanas, ativistas LGBTQIA+, estudantes e mulheres encarceradas.
River Dreams (Cazaquistão/EUA/Suíca, 2026)
por Egídio La Pasta
É um documentário que encontra no curso dos 130 quilômetros do rio Aksay no Cazaquistão, uma maneira de percorrer as contradições de seu próprio país. As mulheres que vivem às margens desse cenário são convidadas a imaginar a si mesmas como rios e a metáfora, inicialmente poética, abre espaço para relatos sobre desejo, violência, liberdade e as expectativas impostas à existência feminina. O que poderia ser apenas um exercício de imaginação transforma-se em uma investigação sobre vidas atravessadas por estruturas sociais que tentam determinar limites na autonomia das mulheres.
O rio deixa de ser somente parte da paisagem cazaque e passa a representar movimentos de transformação, desvios e caminhos que não se deixam controlar completamente. São vozes que reivindicam o direito de viver para além dos limites que lhes foram impostos. É íntimo e político, no retrato de mulheres que, mesmo carregando as marcas da violência, não abrem mão do desejo de futuro.


Nenhum comentário:
Postar um comentário