A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece de 15 a 29 de outubro, reunindo produções de diferentes países, gerações e tradições cinematográficas. Entre os filmes que disputam o Prêmio Prisma, dedicado ao cinema LGBTQIA+, há romances, histórias de amadurecimento, dramas familiares, narrativas políticas e experiências que desafiam as fronteiras entre ficção e realidade. A diversidade permite observar como o cinema queer se transforma quando muda de território, de geração e de linguagem.
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| Olhe Pra Mim, de Rafhael Barbosa |
O BRASIL QUEER EM MUITAS FORMAS
“A Margem do Rio”, de Enock Carvalho e Matheus Farias, leva o desejo masculino para os manguezais do Recife. Em “London”, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, vencedor do Queer Lion em Veneza, um jovem com deficiência trabalha numa casa de fetiche em Porto Alegre. “A Paixão Segundo G.H.B.”, de Gustavo Vinagre e Vinícius Couto, parte de um encontro sexual entre homens para mergulhar no chemsex. A infância queer aparece em “Feito Pipa”, de Allan Deberton. Em “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, de Janaína Marques, a memória de uma mãe que matou um homem prestes a cometer feminicídio conduz a uma viagem imaginária entre passado, violência e reconciliação. O grotesco também tem lugar nessa cartografia. “Privadas de Suas Vidas”, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner. Já “Não Estamos Sonhando”, de Ulisses Arthur, acompanha Ciro, estudante de medicina que dá aulas de pole dance aos amigos e enfrenta a precariedade da vida universitária. A seleção inclui ainda “Zé”, documentário de Paulo Caldas sobre o teatrólogo Zé Celso Martinez Corrêa. Em "Pequenas Tragédias", Daniel Nolasco entrega sua obra mais pessoal e Grace Passô protagoniza "A Professora de Francês" de Ricardo Alves Jr. "Justino - Nos Bastidores do Reino" , de José Eduardo Belmonte, e estrelado por Caio Blat, é baseado no livro autobiográfico que relata a trajetória real de ascensão e queda dentro de uma grande igreja neopentecostal. "Olhe para Mim", dirigido pelo alagoano Rafhael Barbosa, segue Marcelo, que ainda tenta lidar com o luto e o vazio da ausência materna.
A seleção aponta para um cinema queer que não se limita ao romance ou à afirmação identitária. Há crianças buscando acolhimento, homens confrontando a masculinidade que aprenderam a representar, pessoas trans construindo suas próprias redes de cuidado, amantes separados pela repressão e artistas tentando preservar histórias que poderiam ser apagadas. Há também filmes que recorrem ao horror, ao camp e à experimentação para encontrar outras maneiras de falar sobre o corpo e o desejo.
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| Roma Elástica, de Betrand Mandico |




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