Após quatro anos de espera, a terceira temporada de “Euphoria” finalmente estreou. O episódio 1 promete, mas não entrega tudo o que um dia o público um dia amou na série. Sai o visual impecável e entra um México desértico e genérico, sempre objetificado como terra dos cartéis e de ninguém. Sydney Sweeney rebolando de fio-dental em fantasias de OnlyFans, bunda e peitos, é o candy eye hétero, que reforça a misoginia da indústria. Gatilhos jogados na tela sem filtro e um elenco que, honestamente, já pesa mais que a própria atração principal, justificariam que ela não precisava retornar.
A forma como “Euphoria” lida com trauma, dependência e sexualidade continua parecendo mais provocação barata do que reflexão profunda querendo inflar o ego de seu showrunner e rei das tretas nos bastidores, Sam Levinson. O episódio abre com Rue (Zendaya), reforçando estereótipos, contrabandeando fentanil no México, engolindo pacotinhos e cuspindo drama na fronteira, mostrando que amadureceu zero dias nesse 5 anos, enquanto Cassie navega sua bolha suburbana de direita, filma conteúdo erótico no OnlyFans para bancar um casamento de 50 mil dólares em flores com Nate (Jacob Elordi).
O desfecho de Fez, interpretado pelo falecido Angus Cloud, é preguiçoso, destinado a 30 anos na prisão. Os maiores personagens como Jules(Hunter Shaffer) nem aparecem. Colman Domingo retorna como Ali, o padrinho que tenta colocar os 12 passos do NA (Narcóticos Anônimos) na cabeça de Rue, que visivelmente não quer melhorar, não busca ajuda, tratamento ou redenção. Há uma discussão completamente equivocada sobre o 3º passo, um erro grotesco de roteiro que demonstra a falta de cuidado e pesquisa. Não é apenas ruim, é irresponsável!
Labrinth ficou de fora e inclusive segue expondo suas indignações. A trilha de Hans Zimmer mistura faroeste, country, rap e pop, dando um tom épico ao caos. “Euphoria” sempre soube embalar o problema em beleza, e o episódio 1 nem isso consegue. É quase bonito. É problemático. E é exatamente por isso que, mesmo com ranço, o público vai assistir até o final.
Primeiras impressões? A série continua viciada em usar o corpo (principalmente o feminino nesse começo) como chamariz visual enquanto os personagens envelhecem e as tramas ficam mais rasas. Quatro anos de espera para um arco que parece ter passado apenas quatro meses. O primeiro capítulo precisava ser mais babilônico, mais icônico. Seguiremos acompanhando, só pra falar mal depois.



