segunda-feira, 5 de outubro de 2026

FESTIVAL DO RIO 2026: FUNK

“Funk” de Aly Muritiba, acompanha os passos e a ascensão de MC Sabrina (interpretada por Duda Santos), uma jovem artista queer criada no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa (Rio de Janeiro), que busca conquistar seu espaço no competitivo circuito dos bailes de favela e na indústria musical.A trama explora a fundo os desafios enfrentados pela protagonista na busca por autonomia de sua música, de seu corpo e de sua identidade

Funk (Brasil, 2026)
por Egídio La Pasta

Quero dizer antes de tudo que a Duda Santos merece todos os prêmios por essa performance. MC Sabrina entende o funk como uma forma visceral de expressão, como mulher, como alguém que é livre e dona de si, irredutível na forma como deseja ser tratada, exigindo mais do que reconhecimento, oportunidade. É uma mulher que saboreia a juventude, a possibilidade, a beleza, o talento e a obstinação de melhorar de vida através da sua arte.

Quando a roda gira e ela atinge o ápice da carreira, uma corrida de obstáculos que questionam sua identidade, balança a estrutura, onde novos dilemas sacodem sua nova realidade: o preço de chegar ao topo vale a perda daquilo que a tornou autêntica? A nova vitrine exige que ela se despoje de suas origens, amacie seu discurso e esterilize sua imagem para caber nos padrões industriais. E aí, qual vai ser?


Eu gosto tanto do Aly Muritiba. A fotografia do Inti Briones é linda não só no recorte do Rio de Janeiro, mas nos bailes e sobretudo no grupo de atrizes e atores. Duda Santos, o pilar, a alma da porra toda, a marra em forma de dedo na cara, a delicadeza de quem entende a engrenagem, mas a ferocidade de quem sabe o que quer. É um negócio de louco o que ela faz aqui.


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