Vicentina Pede Desculpas (Brasil, 2026) por Egídio La Pasta
Gabriel Martins parte de uma tragédia e cruza uma jornada que vai muito além do luto. Vicentina perde o filho motorista em um acidente de ônibus e começa uma busca por respostas, tateando alguma reconciliação e compreensão de uma dor que parece estrangeira. Ao procurar as famílias das outras vítimas para pedir desculpas, ela assume o peso da culpa, como se compartilhar o seu sofrimento pudesse, de alguma forma, fazê-la entender, acalmar e investigar a fatalidade do acidente. É um pedido de desculpas também para si mesma. Uma mãe, diante de um filho que ela não conhecia, desesperadamente, tentando dar sentido ao que não tem sentido algum.
Rejane Faria merece muitos elogios, principalmente pela maneira como constrói uma mulher que parece guardar muito mais do que consegue expressar. O filme é integralmente Vicentina e é muito difícil desviar da emoção, diante desse ambiente exaustivamente sensível.
Também não consigo olhar para uma história como essa sem pensar na dimensão social da tragédia e na facilidade com que vidas são reduzidas a números, notícias espetacularizadas e discussões vazias sobre quem deve ser responsabilizado. A porra da polarização. A culpa que encontra endereço, raça e qualquer justificativa que alimente a audiência e inflame a sociedade.
Há questões que jamais serão respondidas. Criar mais perguntas para elas é um caminho impossível de trafegar. Inviável. Cruel.
A forma como ele abraça os casais homoafetivos é muito natural e delicada. Sua relação com Joana é curiosa e as duas acumulam amor e silêncio na sua relação. É uma amizade com a maiúsculo. E a cena na igreja com o ex-noivo me parece especialmente significativa, porque coloca em perspectiva sentimentos, memórias e tudo aquilo que permanece, mesmo quando uma relação chega ao fim. Inclusive o ódio.
A cena do acidente me tirou um grito.


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