Enjaulados (Animol, Reino Unido, 2026) por Egídio La Pasta
Ele me lembra de outros filmes com essa temática, mas é muito interessante como esse pensamento se dissipa rapidamente. Não é um filme de observação, eu me senti detido junto do protagonista. Troy é preso numa instituição para jovens infratores pouco mais do que dois meses. Como sobreviver nesse ambiente? Como driblar as relações com os chefões do lugar? Como disfarçar quando há um afeto imediato e inesperado por um dos presos, que corresponde?
A aproximação entre os rapazes nunca romantiza o encontro e não se deixa explorar a intimidade dos personagens de forma gráfica; pelo contrário, o afeto entre eles é tratado pela frágil observação silenciosa, cercado por arames farpados. Tudo é meado pelo ambiente hostil, onde pequenos gestos de carinho precisam ser controlados. Não é um ambiente para a ternura. Zelo, talvez.
Eu gosto quando ele transcende as expectativas do subgênero de filmes sobre reformatórios. Quando ele insere a mãe, numa relação complicada com o protagonista. E acho interessante a composição desse cenário, na representação dos diferentes tipos de transformações que os presos causam uns nos outros. Seja pela experiência dos que já comandavam o lugar. Seja pela necessidade de adaptação e sobrevivência diante das inúmeras violentas situações que aparecem pelo caminho.
O elenco é espetacular.
Há respiro. Mas é um caminho conturbado.
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