É uma dramaturgia que desafia as convenções sociais para construir uma representação (possível) sobre identidade, masculinidade e o desejo de constituir uma família. Mario, um taxista trans de 40 anos, vê na gravidez inesperada a possibilidade de realizar o sonho de ser pai, mas essa experiência também o coloca diante de contradições que atravessam sua própria percepção de si.
A masculinidade não é apenas uma imposição externa, mas também uma construção de um compromisso, que carrega inseguranças e conflitos particulares. A gravidez irrompe seu corpo masculino, reorganizando certezas que pareciam estabelecidas. Sua jornada para pertencer e se estabelecer diante dos colegas de trabalho e do mundo ao seu redor, precisa se reconfigurar, de dentro para fora.
"Soy Mario" procura compreender as ambiguidades de um homem que deseja construir sua própria ideia de família, sem abrir mão da identidade que construiu. Sharon Kleinberg conduz a narrativa para um terreno em que afeto, vulnerabilidade e autonomia se tornam elementos fundamentais, sobre a paternidade e modelos familiares legítimos. As concepções rígidas de gênero aparecem aos olhos de sua mãe, em alguns momentos, mas vem dela também a compreensão cheia de afeto. Da irmã e sobrinha. Os laços familiares são uma rede de apoio fundamental na sua trajetória.
Tudo funciona ao redor de Oustin de León. É um ator espetacular, que aprofunda, investiga, atento aos detalhes, muito potente nos conflitos e muito suave na sua relação com a paternidade. Que seja o primeiro de muitos protagonistas.


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