terça-feira, 11 de agosto de 2026

Ninguém Vai Sentir Nossa Falta 2ª Temporada (Nadie nos va a extrañar, México, 2026)

A segunda temporada de "Nadie Nos Va a Extrañar" chega ao Prime Video repetindo o charme nostálgico que transformou a série em um sucesso mexicano, mas também mais determinada a mostrar o que acontece quando a adolescência perde sua sensação de eternidade. Ambientada em 1994, no último ano da preparatória “Héroes de la Revolución”, a nova leva de episódios retoma Alex (Nicolás Haza), Marifer(Camila Calónico), Tenoch (Virgilio Delgado) e Daniela (Macarena Oz) após a morte de Memo. Criada por Adriana Pelusi e Gibrán Portela, a série mantém o humor, a música e o espírito de grupo, mas assume um tom mais maduro, melancólico e surpreendentemente sensível ao tratar de luto, saúde mental e do medo de crescer.

O relacionamento entre Alex e Rafa (Alejandro Puente) evolui com uma naturalidade que respeita o contexto histórico do México dos anos 1990 sem cair em anacronismos. Depois da descoberta e da aceitação parcial da primeira temporada, agora Alex vive uma fase de maior felicidade e intimidade, mas ainda lidando com inseguranças, privacidade e expectativas familiares. Dentro da vídeolocadora, a química entre os dois permanece forte, e a série acerta ao mostrar um romance queer marcado por ternura, cumplicidade e cotidiano, não apenas por sofrimento. Há ainda Miss Ilse (Daniela Luque), a professora de inglês jovem e empática, uma personagem queer adulta.

A nostalgia continua presente, mas é uma nostalgia menos idealizada. A trilha sonora, com Caifanes, Duncan Dhu, La Ley, Fobia, Los Fabulosos Cadillacs, Shakira, Kabah e Cristian Castro, funciona como memória afetiva e comentário emocional. O destaque fica para “Sentimiento raro”, tema original composto e interpretado por Julieta Venegas, que sintetiza perfeitamente o sentimento de uma juventude prestes a desaparecer.

A direção de Catalina Aguilar Mastretta e Samuel Kishi Leopo explora cores, videolocadoras, fitas cassete e corredores escolares sem transformar os anos 90 em museu pop; há sempre a sombra da crise econômica e da incerteza do futuro pairando sobre os personagens.

Em certos momentos, a temporada acumula temas, ansiedade, identidade, pressão acadêmica, relações tóxicas, futuro universitário, e nem todos recebem a profundidade desejada. Ainda assim, o formato de oito episódios relativamente curtos ajuda a manter o ritmo ágil, e a série raramente perde de vista o que realmente importa: a sensação de que aqueles jovens estão vivendo os últimos meses de uma vida que nunca mais voltará a existir da mesma forma.

Se a primeira temporada era uma celebração da amizade adolescente com cheiro de fita VHS e caderno rabiscado, a segunda é o momento em que esses personagens descobrem que crescer também significa perder. "Nadie Nos Va a Extrañar" continua divertida, musical e afetuosa, mas encontra sua verdadeira maturidade ao aceitar que a memória não serve apenas para lembrar os dias felizes,  ela também preserva as ausências e as despedidas.

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