sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Penny Lane is Dead (Austrália, 2026)

“Penny Lane Is Dead” se passa no verão de 1986, o calor australiano parece colar os corpos uns aos outros e Penny Lane (Bailey Spalding) acaba de ser aprovada na universidade. Ao lado das amigas Toni (Tahlee Fereday) e Amy (Alexandra Jensen), ela parte para uma casa de praia isolada para comemorar a nova etapa da vida. O que deveria ser uma espécie de rito de passagem adolescente rapidamente se transforma em uma experiência de sobrevivência. Quando Kat (Sophia Wright-Mendelsohn), a prima ressentida de Penny, aparece sem ser convidada levando cupcakes batizados, a festa começa a desmoronar. A chegada do namorado dela, Angus (Ben O’Toole), e de seus comparsas transforma a brincadeira em uma noite de violência, sangue e vingança.

Dirigido e escrito por Mia’Kate Russell em seu primeiro longa-metragem, “Penny Lane Is Dead” recupera o espírito do Ozploitation, tradição australiana associada a filmes de gênero agressivos, irreverentes e frequentemente provocadores, para produzir um slasher com invasão domincialiar contaminado com uma energia queer. A diretora traz para o filme a experiência de duas décadas trabalhando com maquiagem e efeitos especiais, e isso aparece na materialidade da violência.

Mas o que diferencia “Penny Lane Is Dead” não é simplesmente a quantidade de sangue. É o lugar ocupado pelo desejo. Penny e Toni não são personagens queer construídas a partir do conflito de identidade, da descoberta dolorosa da sexualidade ou da necessidade de aceitação. O relacionamento das duas já existe quando a história começa. Existe desejo, existe cumplicidade e existe uma expectativa de futuro. O romance não precisa ser explicado para o espectador: ele simplesmente está ali. A própria Russell contou que queria colocar no centro do filme uma história de amor queer, depois de crescer sentindo a ausência de narrativas lésbicas no cinema.

A sexualidade de Penny não é o problema que precisa ser resolvido; o problema é a violência que invade seu espaço. E essa inversão desloca radicalmente o eixo do slasher. Quando Angus e os outros homens entram nesse espaço, não estão apenas invadindo uma residência: estão invadindo uma comunidade construída longe da presença masculina. O que era uma festa se transforma em uma disputa pelo direito de permanecer ali.

Assim, Toni ganha uma importância especial. Se Penny concentra a dimensão romântica da narrativa, Toni gradualmente assume a energia da sobrevivente. Tahlee Fereday imprime à personagem uma combinação de inteligência, humor e ferocidade que transforma sua presença em uma das grandes forças do filme.

Russell não suaviza a violência sexual e física que coloca no centro da narrativa. Há uma sequência de agressão sexual particularmente difícil, construída sem mostrar diretamente o ato, mas deixando sua brutalidade emergir pelo som e pela reação das personagens. Essa tensão é fundamental para compreender “Penny Lane Is Dead”. O filme quer ser punk, e o punk aqui não aparece apenas na trilha sonora, na estética ou no humor de mau gosto. Ele está na recusa em tornar a violência palatável. Russell constrói uma experiência agressiva, visceral e frequentemente grotesca, aproximando o slasher de uma fantasia de revanche feminina.


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