“Sunny Dancer” segue Ivy (Bella Ramsey), 17 anos, que está em remissão de uma leucemia e é enviada pelos pais para um acampamento destinado a adolescentes que passaram por experiências semelhantes. O que o diretor George Jaques faz de mais interessante é recusar, pelo menos inicialmente, a imagem da adolescente como “sobrevivente exemplar”. Ivy está irritada, isolada e pouco interessada em transformar a própria doença numa identidade. O filme prefere acompanhá-la quando ela volta a ser simplesmente uma adolescente.
“Sunny Dancer” tenta conciliar câncer e juventude sem transformar um em metáfora do outro. O acampamento permite que os personagens bebam, façam sexo, experimentem drogas, briguem, se apaixonem e sejam inconvenientes. A doença permanece como uma presença concreta, mas não precisa dominar cada conversa. O resultado é um filme ensolarado, interessado mais na vitalidade dos personagens do que na excepcionalidade de suas histórias.
Bella Ramsey é o centro que mantém essa equação funcionando. Ivy não precisa ser simpática o tempo inteiro, e Ramsey entende muito bem essa resistência: há uma espécie de cansaço no corpo da personagem que não desaparece simplesmente porque ela encontrou novos amigos. Ao redor dela, o elenco constrói uma dinâmica de grupo bastante convincente, com destaque para Ruby Stokes como Ella. Neil Patrick Harris, como o entusiasmado responsável pelo acampamento, introduz uma energia mais caricatural que ajuda a preservar o registro de comédia. O problema aparece quando o filme acelera sua própria emoção: o terceiro ato parece resolver rapidamente conflitos que haviam sido construídos com mais delicadeza.
Há ainda uma questão queer interessante, e uma certa frustração nela. “Sunny Dancer” possui uma presença LGBTQ+ bastante significativa fora do eixo central: Ramsey é uma pessoa não binária, Neil Patrick Harris é gay e Jessica Gunning também integra o elenco LGBTQ+. Ella se identifica como pansexual, mas seus relacionamentos no filme permanecem heterossexuais. Ou seja, existe uma atmosfera queer perceptível no grupo e na própria escolha do elenco, mas ela não chega a reorganizar a narrativa.
Isso torna “Sunny Dancer” menos interessante como representação queer do que como filme sobre juventude: uma obra em que a diferença, a inadequação e a formação de uma comunidade importam mais do que a sexualidade de seus personagens. A presença de Ramsey é especialmente significativa porque impede que Ivy seja enquadrada dentro de uma feminilidade adolescente convencional, mas o roteiro não transforma essa possibilidade em conflito ou descoberta.
“Sunny Dancer” funciona no humor, na sua energia de férias e a química do elenco, que produzem uma espécie de euforia adolescente que contrasta com a gravidade do ponto de partida. Quando tenta explicar demais o que essa experiência significa, o filme se aproxima do drama edificante que pretendia evitar. É uma obra sincera, bem conduzida por Ramsey e suficientemente generosa para lembrar que sobreviver não encerra uma história,
queria tanto ve esse, ja tem em algum lugar? n achei nenhum t* kk
ResponderExcluirCinemacity.cc
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