De 1º a 11 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 28ª edição do Festival do Rio, uma das principais vitrines do cinema contemporâneo no país. Na Première Brasil, a produção nacional aparece em diferentes formatos e gêneros, e o cinema LGBTQIAPN+ atravessa essa programação sem ficar restrito a uma mostra específica. Essa circulação também está ligada ao Prêmio Félix, criado em 2014 para reconhecer produções nacionais e internacionais que abordam personagens e temáticas LGBTQIAPN+.
Em 2026, um dos títulos mais particulares é "LONDON", de Victor Di Marco e Márcio Picoli. O filme, que estreia no Festival de Veneza, acompanha um jovem com deficiência que trabalha como dominador e aproxima sexualidade, corpo, fetiche e autonomia. Também merece atenção "A Professora de Francês", de Ricardo Alves Jr., protagonizado por Grace Passô. O longa segue uma mulher lésbica que retorna à comunidade onde cresceu e se vê confrontada por estruturas religiosas. Em "A Margem do Rio", de Enock Carvalho e Matheus Farias, o desejo masculino encontra nos manguezais do Recife um espaço de segredo e descoberta. Izaquiel busca encontros clandestinos e conhece Jeremias, um pescador que modifica sua relação com o próprio desejo. "Não Estamos Sozinhos", de Ulisses Arthur está na Mostra Novos Rumos. O filme acompanha um instrutor de pole dance que encontra novas conexões ao mudar de apartamento.
A velhice queer aparece em "Morfeu e Caronte", de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr., curta que acompanha Zito e seus dois companheiros, Morfeu e Caronte. Demência, memória, amor e desejo se misturam a fantasia e números musicais inspirados em outras décadas. Exibido na seção Midnight Movies, o filme amplia a representação LGBTQIAPN+ para além dos dramas de juventude. A Competição de Curtas, conta ainda com "Santo", de Maria Luísa Alves, que segue Yuri e Davi, dois jovens entregadores aproximados por um acidente.
No território do grotesco, está o aguardado "Privadas de Suas Vidas", de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner, que transforma o conflito entre uma mãe e seu filho não binário em uma experiência de horror e absurdo. Já "Revelação", de Gabriela I. Gaia, parte de um chá revelação para satirizar gênero, raça, representatividade e a transformação da identidade em conteúdo para as redes sociais. Dois filmes que utilizam o excesso e o humor para desmontar discursos aparentemente banais sobre gênero.
| A Margem do Rio |
Entre os formatos seriados, "Amora", de Juliana Rojas para o Canal Brasil, adapta o livro de Natalia Borges Polesso e reúne diferentes histórias de amor entre mulheres. A produção expande a presença lésbica para além do longa-metragem e mostra como a representação queer também ocupa outros espaços da programação.
O panorama, portanto, não se resume à quantidade de filmes LGBTQIAPN+. O que chama atenção é a variedade: infância, desejo masculino, lesbianidade, identidades não binárias, fetiche, deficiência, velhice, memória, horror e relações entre corpo e território. No Festival do Rio 2026, o queer aparece tanto em histórias explicitamente centradas na sexualidade quanto em obras interessadas em questionar família, poder, tradição e as maneiras como os corpos são vistos e enquadrados. E essa é apenas a Seleção Nacional!
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