terça-feira, 16 de junho de 2026

Baban Baban Ban Vampire (Japão, 2025)

 "Baban Baban Ban Vampire", de Shinji Hamasaki, é adaptado do mangá de Hiromasa Okujima, e acompanha Ranmaru Mori, um vampiro de mais de 450 anos, que trabalha em uma casa de banhos japonesa, enquanto espera o momento ideal para provar o sangue de um jovem virgem. Quando o adolescente Rihito se apaixona por uma colega de escola, o vampiro entra em desespero e inicia uma operação absurda para impedir que o romance avance.

Muitas das piadas apostam na repetição, no exagero e em uma energia quase histérica que beira o desenho animado. Ainda assim, há algo admirável na maneira como o cinema popular japonês se entrega por completo às suas ideias mais extravagantes. O filme jamais pede desculpas por ser ridículo. Pelo contrário, transforma o absurdo em linguagem, criando uma experiência que parece ter saído de um cruzamento improvável entre uma comédia romântica adolescente, um musical pop e uma fantasia vampiresca. 


O grande mérito da produção está justamente em seu espetáculo visual. Hamasaki compreende que a narrativa funciona melhor quando abraça a artificialidade. Os figurinos extravagantes, as cores saturadas, os enquadramentos que parecem páginas de mangá e a energia performática do elenco transformam cada cena em um pequeno show. Há momentos que lembram a lógica visual do K-Pop, com sua obsessão por imagens impecáveis, coreografias implícitas e ídolos fotografados como deuses inalcançáveis. É um filme que vive da superfície, mas o faz com convicção.


A dimensão queer também é parte fundamental da experiência. Embora a obra se apresente como uma "comédia sangrenta de amor", o relacionamento entre Ranmaru e Rihito flerta constantemente com códigos do universo Boys' Love, ao mesmo tempo em que brinca com a tradição dos vampiros como figuras de desejo reprimido e obsessão romântica. 


Talvez "Baban Baban Ban Vampire" não seja uma obra para mim, nem particularmente profunda. Ainda assim, existe algo contagiante em sua grandiosidade pop. Entre vampiros melodramáticos, paixões adolescentes, referências ao mangá e uma estética que parece amplificar tudo até o máximo volume, o filme encontra uma identidade própria. Mesmo para quem tem reservas com esse tipo de humor, é difícil não admirar a confiança com que Hamasaki transforma uma ideia completamente absurda em um espetáculo vibrante, colorido e assumidamente camp.



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