“Mean Boys” parece saída de um algoritmo alimentado por “Meninas Malvadas”, redes sociais, triângulos amorosos bissexuais e uma dose de thriller adolescente. A trama acompanha Ira, um jovem excluído que se vê obcecado pelo círculo dos garotos populares de uma escola de Los Angeles onde todas as sexualidades coexistem abertamente. O que começa como uma história sobre pertencimento rapidamente mergulha em obsessão, drogas e manipulações emocionais.
Alexander Justin Gonzales claramente deseja construir uma sátira sobre fama digital, performatividade e juventude queer contemporânea. O problema é que o filme parece menos interessado em desenvolver essas ideias do que em empilhá-las. Cada nova cena apresenta um conflito diferente, uma revelação diferente ou uma reviravolta diferente, como se o roteiro estivesse em pânico diante da possibilidade de permanecer cinco minutos explorando uma única emoção,
Existe, porém, algo curiosamente fascinante nesse caos. Os personagens vivem num estado permanente de autopromoção emocional, transformando cada interação em espetáculo. A abordagem da sexualidade também merece crédito por evitar o tradicional drama de se assumir.. Aqui, os personagens já são assumidos; o conflito nasce da vaidade, do desejo, da insegurança e da necessidade de controle. Em seus melhores momentos, “Mean Boys” sugere uma leitura ácida sobre uma geração que aprendeu a transformar a própria vida em conteúdo.
Mas esses lampejos de inteligência raramente sobrevivem ao próximo corte de montagem. As atuações oscilam entre o aceitável e o exageradamente teatral, enquanto os diálogos frequentemente parecem ter sido retirados de comentários do Instagram escritos às três da manhã. Há cenas que se sucedem sem qualquer lógica emocional perceptível.
O aspecto mais involuntariamente divertido é a tentativa constante de soar escandaloso. Drogas, sexo, traições e obsessões surgem com tanta frequência que acabam perdendo qualquer impacto. O filme quer desesperadamente ser transgressor, mas frequentemente se aproxima mais de uma fanfic hiperativa do que de um thriller psicológico consistente.Ainda assim, seria injusto negar que “Mean Boys” possui uma energia própria. Ela é desajeitada, excessiva e muitas vezes risível, mas existe. Gonzales demonstra ambição e vontade de falar sobre obsessão, validação social e desejo queer em tempos de redes sociais. O problema é que o filme parece tão apaixonado pelas próprias reviravoltas que esquece de construir uma história sólida para sustentá-las.
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