quinta-feira, 16 de julho de 2026

Baumgeflüster (Alemanha, 2026)

Em um momento em que as narrativas LGBTQIA+ ainda ocupam espaço reduzido nas tradicionais produções televisivas alemãs, "Baumgeflüster", dirigido por Dirk Kummer, assume uma importância que vai além de sua proposta como romance. O filme acompanha Yascha Krüger (Linus Schütz), um engenheiro florestal solitário que aceita trabalhar temporariamente como guarda-florestal e recebe a missão de negociar a compra de uma área destinada à criação de um parque nacional. No entanto, tudo se complica quando ele se apaixona por Mats Stein (Aaron Friesz), fotógrafo e herdeiro justamente da propriedade que precisa convencer a vender. Entre mentiras, dilemas éticos e encontros em meio à natureza, o longa constrói uma história de amor delicada, ainda que bastante convencional.

"Baumgeflüster" trata o romance entre Yascha e Mats como qualquer outra história de amor exibida no tradicional bloco Herzkino, da televisão pública alemã. O simples fato de colocar dois homens ocupando esse espaço, historicamente reservado a casais heterossexuais, já representa um pequeno gesto político. Não há grandes discursos sobre preconceito; o filme aposta na ideia de que personagens LGBTQIA+ também merecem viver histórias leves, românticas e otimistas.


Dirk Kummer conduz essa narrativa com elegância discreta. A floresta da Baviera deixa de ser apenas cenário e se transforma numa extensão emocional dos protagonistas. A fotografia de Alexander Püringer valoriza os tons verdes, a luz natural e a sensação de refúgio. Existe uma atmosfera acolhedora que dialoga diretamente com a tradição dos romances televisivos europeus, explorando a paisagem como metáfora para personagens que também procuram encontrar seu lugar no mundo.


Ainda assim, a previsibilidade do roteiro limita parte de seu impacto. Escrito por Claudia Matschulla e Arnd Mayer, o filme segue praticamente todas as convenções da comédia romântica: o mal-entendido inicial, os segredos inevitáveis, a ruptura temporária e a reconciliação emocional. O conflito envolvendo a compra da floresta nunca alcança verdadeira complexidade dramática, funcionando apenas como obstáculo para o casal.

Sua força reside justamente na simplicidade com que reivindica espaço para um amor entre homens dentro de um formato tradicionalmente conservador. Há momentos em que o filme poderia arriscar mais, seja emocionalmente, seja narrativamente, mas sua delicadeza acaba se tornando um gesto de afirmação. Em tempos de crescente visibilidade queer no audiovisual europeu, Dirk Kummer demonstra que a representatividade também pode florescer em histórias pequenas, calorosas e sem necessidade de transformar o amor em tragédia.


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