quarta-feira, 8 de julho de 2026

Girls like Girls (EUA, 2026)

Hayley Kiyoko transformou um dos videoclipes sáficos mais importantes da década passada em romance literário e, agora, em seu primeiro longa como diretora. "Girls Like Girls" expande o universo criado em 2015 sem perder de vista aquilo que fez da obra um fenômeno para uma geração inteira: a possibilidade de jovens lésbicas e bissexuais se enxergarem no centro de uma história de amor. Ambientado em 2006, o filme acompanha Coley, recém-chegada a uma pequena cidade do Oregon após a morte da mãe, que encontra em Sonya uma amizade capaz de despertar sentimentos que ambas ainda não conseguem nomear.

Kiyoko demonstra sensibilidade ao reconstruir uma adolescência anterior às redes sociais e à maior visibilidade LGBTQIA+ dos dias atuais. As conversas pelo AOL Messenger, os iPods, os mergulhos no lago e os passeios de bicicleta evocam um verão que parece suspenso no tempo. O romance entre Coley e Sonya faz da descoberta afetiva algo íntimo e reconhecível.

Kiyoko não ignora os medos que cercavam adolescentes LGBTQIA+ em meados dos anos 2000, quando assumir um relacionamento entre duas garotas ainda parecia um risco enorme. O filme também acerta ao colocar duas jovens racializadas no centro da história, ampliando uma representatividade ainda pouco frequente nas grandes produções do gênero. A própria diretora declarou que desejava realizar o filme que gostaria de ter visto quando era adolescente. 

Esteticamente, nota-se a origem de Kiyoko como diretora de videoclipes. A fotografia aposta em luz dourada, contraluzes e movimentos suaves de câmera que transformam aquele verão em uma memória afetiva permanente. Em alguns momentos, essa estética faz o longa flertar com a linguagem de vídeos musicais, Ainda assim, Maya Da Costa e Myra Molloy sustentam a experiência com interpretações delicadas e uma química convincente, capazes de transmitir tudo mesmo quando os diálogos optam pelo minimalismo. 

Se existe uma limitação, ela está justamente no roteiro. Algumas situações seguem caminhos previsíveis e determinados conflitos emocionais poderiam receber maior desenvolvimento. A narrativa prefere permanecer em uma zona de conforto, evitando riscos que poderiam aprofundar ainda mais suas personagens. Mas, essa simplicidade também permite que a sinceridade dos sentimentos permaneça sempre em primeiro plano. 

"Girls Like Girls" cumpre algo importante: entrega às novas gerações uma história sáfica luminosa, romântica e repleta de esperança. Hayley Kiyoko confirma que seu compromisso com a representação queer vai além da música e demonstra personalidade como cineasta, realizando um filme delicado, nostálgico, POP e emocionalmente honesto.

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