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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

TOP 100 - 19 AO 11


Hoje é de Glam Rock bebê! Nos 9 filmes que antecipam o nosso TOP 10 tem muitos cineastas consagrados, clássico do new queer cinema, adaptaçãode Manuel Puig, filmaço nacional e um Ganhador do Oscar. Apenas!

19 - Bom Trabalho(Beau Travail, França, 1999)

Bom Trabalho, relato brilhante da cineasta Claire Denis, sobre a existência dos legionários franceses na África é um filme lindo, compulsivamente poético e que transcreve com inesperada simpatia a severidade da vida de um soldado. A fotografia, de Agnès Godard, compõe alguns momentos realmente bonitos da paisagem africana, com a luz estranha e o terreno implacável contra o qual esses corpos e almas masculinas são testados até a destruição.

18 - Bent(Reino Unido/Japão, 1997)


Tão pungente, como  de cortar o coração, Bent começa com flashbacks, testemunhamos o jovial hedonista Max(Clive Owen) aproveitando ao máximo os prazeres da Berlim pré-guerra, onde praticamente tudo acontecia.  Até que é a infame perseguição nazista  encontra lutando por sua vida, ao lado de seu amante Rudy(Brian Webber). Implorando por ajuda de parentes relutantes, como o tio Freddie(Ian McKellen), eles são forçados a procurar abrigo na floresta, apenas para que os Dobermans os entreguem nas mãos da SS e uma vida no campo de concentração que Rudy nunca veria.


17 - Garotos de Programa(My Own Private Idaho, EUA, 1991)


Nesse clássico absoluto do movimento new queer cinema Gus Van Sant transita pelo universo dos garotos de programa. A obra mistura  Shakespeare à marginalizados nas cidades de Seattle, Portland e Idaho. O belíssimo River Phoenix, protagoniza o filme no papel de Mike, um michê lindo que atende clientes mais velhos e afeminados. Ele também sofre de narcolepsia, muitas vezes o ato não é consumado pois ele simplesmente dorme, na cama, na estrada, num beco, onde quer que seja. Tão jovem e lindo está Keanu Reeves, ainda que com um ar mais diabólico ,na pele de Scott, herdeiro de uma rica família.


16 - O Beijo da Mulher Aranha(The kiss of spider woman, Brasil/EUA, 1985)


Em 1985 em meio à crise de produção do cinema nacional, Hector Babenco dirigiu em coprodução com os EUA, O Beijo da mulher aranha, baseado no romance homônimo do argentino Manuel Puig, e considerado sua obra prima. Com muitos atores brasileiros no elenco, mais notavelmente Sonia Braga, a trama transcende masculino e feminino ao abordar a relação entre dois prisioneiros em uma cela de prisão. Valentin( Raul Julia) é um jornalista preso político, enquanto Molina, interpretado pelo ganhador do Oscar, William Hurt, é um homossexual que está preso por corrupção de menores. 

15 -Velvet Goldmine(Reino Unido, 1998)



A juventude efervescente dos anos 1970. Londres. Glam Rock. Tais elementos marcariam um dos trabalhos mais emblemáticos e audaciosos de Todd Haynes. Velvet Goldmine não é só um filme, mas um manifesto estético e artístico. Por mais que se vejam semelhanças no protagonista Brian Slade, interpretado por Jonathan Rhys Meyers, com David Bowie, inclusive pela trajetória musical e visual e Curt Wild, de Ewan McGregor, com Iggy Pop, Todd Haynes garante que essa é uma história fictícia roteirizada em parceria com James Lyons.


14 - Moonlight: Sob a luz do Luar(Moonlight, EUA, 2016)


Vencedor de três importantes Oscar em 2017, melhor Filme, melhor roteiro adaptado e melhor ator coadjuvante, para Mahershala Ali, Moonlight: Sob a luz do luar, é um filme necessário por ter levado a representatividade negra e gay a outro nível. A obra prima.  da A24, escrita e dirigida por Barry Jenkins, é um lindo conto que foge de qualquer lugar comum.


13 - Tatuagem(Brasil, 2013)


Tatuagem, o longa de estreia do roteirista pernambucano Hilton Lacerda, premiado com o Kikito em Gramado, se passa em 1978. Vemos o sedutor mundo do Chão de Estrelas, mas também somos levados a vida do militar Arlindo, conhecido como Fininha, Jesuíta Barbosa, em começo de carreira. Seu personagem fica entre a repressão da ditadura e seu amor por Clécio(Irandhir Santos), por quem é apresentado por seu cunhado,  Paulete(Rodrigo Garcia).


12 - Teorema(Itália, 1968)


Teorema, escrito e dirigido pelo grande diretor e autor italiano Pier Paolo Pasolini, é uma de suas grandes obras primas. No filme, o cineasta conta a história de uma família de classe alta milanesa, pertencente à pequena nobreza italiana, formada por: Paolo (Massimo Girotti), homem dono de uma fábrica, que herdou de seu pai. Lúcia (Silvana Mangano), sua linda esposa que cuida de sua luxuosa mansão. Pietro (Andrés José Cruz Soublette), um jovem burguês que parece seguir o caminho de seu pai, se dedica aos estudos e se diverte como todos os jovens de sua classe, praticando esportes e falando de arte e literatura. Por fim, Odetta (Anne Wiazemsky), uma filha empenhada, além da empregada Emilia, de Laura Betti. Um visitante sem nome, interpretado por um belíssimo Terence Stamp, chega a esta família tradicional  para alterar o comportamento de todos e revelar as lacunas de cada um deles


11  -A Lei do Desejo(La Ley del Deseo, Espanha, 1987)


Na sua primeira grande obra prima, onde o protagonista é um cineasta interpretado por Euseubio Poncela, Almodóvar trata de temas como obsessão, transgeneridade e pedofilia. Esse foi o primeiro grande papel de Antonio Banderas ao lado de Almodóvar de muitos que viriam, ele vive um amor bandido com o personagem principal. A cena baseada em La Voz Humana, projeto que Almodóvar novamente voltou a trabalhar ao lado de Tilda Swinton, é uma das mais lindas do cinema, com Carmen Maura destruindo tudo no palco ao som de Ne Me quittes pas na voz de Maysa.


PARTE 1 - 100 AO 90
PARTE 2 - 89 AO 80
PARTE 3 - 79 AO 70

PARTE 4 - 69 AO 60

PARTE 5 - 59 AO 50 PARTE 6 - 49 AO 40

PARTE 7 - 39 AO 30

PARTE 8 - 29 AO 20

PARTE 9 - 19 AO 11

PARTE 10 - 10 AO 01


segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Moonage Daydream(Alemanha/EUA, 2022)

Moonage Daydream, de Brett Morgen,  é um surto de epifania, uma gloriosa montagem comemorativa de material de arquivo, imagens de performances ao vivo, vídeo-arte e pinturas experimentais de David Bowie, trabalhos de cinema e palco e entrevistas com várias personalidades da TV com quem Bowie é infalivelmente educado, aberto e encantador. 

Como uma estrela do rock, Bowie era um artista único, esteta, experimentalista insurgente, dissidente de gênero e não arrependido, fumante inconsciente. Morgen inclui a tradicional galeria de pôsteres de estudantes dos vários ícones aos quais Bowie pode ser comparado , Oscar Wilde, Buster Keaton, James Baldwin, Aleister Crowley, todos perfeitamente permitidos, mas nenhum deles bastante próximo da doçura e do idealismo do rock de Bowie. 


O filme de Morgen mostra que seus fãs, especialmente os jovens em êxtase nos shows de Hammersmith Odeon e Earl's Court, não eram diferentes de Bowie: eles se espelhavam no astro.. Oprimidos, transfigurados, seus rostos clamavam por ser como o dele.


O filme não cobre a vida pessoal de Bowie como tal, este longa é sobre o Bowie público, o Bowie das superfícies e das imagens. Sua vida pessoal é um mistério: ele diz que nunca comprou um imóvel na vida (pelo menos antes de se estabelecer com Iman) e apenas existiu em Londres ou Los Angeles ou Berlim, simplesmente perseguindo a vocação de um artista.


Morgen sugere, em suas formas psicodélicas, que o grande período de Bowie chegou ao fim nos anos 1970, mas que sua curiosidade intelectual e criatividade continuaram a ter algo heroico e magnífico com o passar dos anos. E talvez suas aventuras em outras formas de arte, tenham sido um pouco mal interpretadas, pois ele já havia absorvido todas essas coisas  em suas personalidades de rock.

Usando os visuais caleidoscópicos para mergulhar o público e criar uma espécie de sonho hipnótico e febril é muito difícil descrever Moonage Daydream com palavras porque é único e muitas vezes transcendente, muito parecido com o próprio David Bowie. 



sexta-feira, 4 de junho de 2021

Magnicídio(Jubilee, Reino Unido, 1978)

Magnicídio, lançado no ano do jubileu de prata de Elizabeth II, em 1978, como uma provocação aparentemente dirigida a quase todos causou alvoroço. O segundo longa de Derek Jarman é uma mistura crua de punk/rock, violência, nostalgia, golpes no catolicismo e nudez abundante que o tornam tão anárquico quanto qualquer coisa que o diretor faria a seguir.

O filme começa com Elizabeth I (Jenny Runacre) e seu alquimista, Dr. John Dee (Richard O'Brien), que invoca Ariel (David Brandon), o ser mágico e andrógeno de William Shakespeare em A Tempestade, casualmente o longa seguinte do diretor. Graças aos poderes de Ariel imbuídos em um cristal, o trio viaja através do tempo a uma visão brutal e distópica da Londres, dos anos 1970. 


A cidade está devastada, mas viva, as ruas abrigando grupos violentos de gangues de garotas punk que se defendem do assédio policial e causam confusão. Carrinhos de bebê estão em chamas e pessoas são mortas enquanto bandas, incluindo Adam And The Ants e Siouxsie And The Banshees, tocam incessantemente na televisão.


O movimento punk, representado pelas personagens Amyl Nitrate(Jordan), com uma maquiagem que remete à David Bowie, Mad Medusa(Toyah Willcox), a francesa Chaos(Hermine Demoriane), os irmãos incestuosos Sphynx(Karl Johnson) e Angel(Ian Charleson), e a rainha Bod, interpretada pela mesma atriz que faz Elizabetth I, remete a um universo libertino e caótico em um apartamento que dividem. 


A violência ritual está se espalhando como está essa nova onda musical, pronta para ser cooptada por magnatas financeiros, como o excêntrico e afetado Borgia(Orlando), sempre com sua risada diabólica lançando novos e transgressores talentos. A Rainha Elizabeth II está morta e o Palácio de Buckinghan se tornou um estúdio de gravação.


A narrativa de Magnicídio é pessimista e até niilista. Os jovens são facilmente comprados com novos modismos musicais, a sociedade é seriamente propriedade de homens de negócios e a história é o único refúgio seguro, embora inalcançável. 


Os momentos musicais são memoráveis, Amyl Nytrate evoca Ziggy Stardust em Rule Brittania, Adam and the Ants nos presenteia com sua Plastic Surgery e Lounge Lizard(Jayne Count) alucinada, em trajes femininos, simplesmente arrasa interpretando Paradise Paranoia, segundos antes de morrer. Há ainda um inusitado momento de uma garota cantando Edith Piaf em uma corda bamba.


O filme não é uma sátira do movimento punk, mas uma obra sobre a perda de identidade, cultura e comunicação. Um manifesto estético que floresceu em lugares obscuros, explodidos por bandas como Sex Pistols, e agora tornados tão fantasmagóricos quanto Dee, Elizabeth I e sua escudeira anã, desaparecendo mais uma vez de volta ao período vitoriano.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Velvet Goldmine(Reino Unido, 1998)


A juventude efervescente dos anos 1970. Londres. Glam Rock. Tais elementos marcariam um dos trabalhos mais emblemáticos e audaciosos de Todd Haynes até hoje, que vinha do new queer cinema com Veneno(1992). Velvet Goldmine não é só um filme, mas um manifesto estético e artístico.

Por mais que se vejam semelhanças no protagonista Brian Slade, interpretado por Jonathan Rhys Meyers, com David Bowie, inclusive pela trajetória musical e visual e Curt Wild, de Ewan McGregor, com Iggy Pop, Todd Haynes garante que essa é uma história fictícia roteirizada em parceria com James Lyons.

Logo na primeira cena vemos um disco voador sobrevoar Londres, para depois Brian Slade como o alterego Maxwell Demon levar um tiro no palco, reluzente, brilhante e opulente. Passamos, então, a acompanhar a sua vida com o início do musical Hot One, onde o figurino, de Sandy Powell, tem uma pegada vitoriana e a estética é de videoclipe.


Com uma trilha fenomenal com clássicos de T-Rex, Lou Reed, Roxxy Music e The Stooges o filme têm o clima glam desejado, e é um desbunde visual. Quando vamos conhecendo melhor o personagem Brian, sua relação com o papel de Toni Collette, e sua carreira como cantor folk vamos sendo envolvidos pelo protagonista até sua relação explosiva com Curt Wild.

Christian Bale interpreta o jornalista Arthur Stuart, incumbido de escrever uma matéria sobre um novo fenômeno conservador, Tommy Stone, enquanto resgata o paradeiro de Brian Slade, que forjou a própria morte no palco e depois nunca mais se ouviu falar.


O filme destaca a androginia, a cena fluída, tanto que a banda que estava se lançando na época nesse estilo, o Placebo, aparece, canta 20th Century Boy e ainda tem algumas palavras ditas pelo seu vocalista, Brian Molko.

Arthur foi fã de Slade na infância, e isso caracteriza a consciência de sua homossexualidade e a ambiguidade sexual do movimento. Saltos, perucas e brilho eram artigos básicos para essas criaturas cintilarem na tela.

A estética gay. O espírito de liberdade. As Orgias. A música. As estupendas atuações. A direção cuidadosa. Tudo isso faz com que Velvet Goldmine seja um filme único, atemporal, emblemático e que ainda nos presenteia com um lindo número de Satellite of Love, de Lou Reed, simbolizando o encontro de Curt Wild e Brian Slade.