Mostrando postagens com marcador todd haynes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador todd haynes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

UM NATAL QUEER

Chegou a época mais CAMP e luminosa do ano: O Natal. E como por aqui sair do óbvio, é a norma(exceto, em casos obrigatórios), a página preparou uma lista, um tanto incomum, e sem comédia romântica da Hallmark e afins, mas de filmes que em algum momento cruzam, ou são ambientados, durante as festas de final de ano:

PS: NÃO HÁ ORDEM DE PREFERÊNCIA



Ambientado na cidade de Nova York durante o Natal, no início dos anos 1950, o melodrama, de Todd Haynes,  acompanha o caso entre uma jovem comerciante e uma mulher mais velha passando por um divórcio, e o que começa como um encontro casual em uma loja de departamentos desabrocha em um romance que muda sua vida. 

Johns(EUA, 1996)


No filme, de Scott Silver, na véspera de Natal e também de seu aniversário, um michê de nome John, interpretado por David Arquette, ainda está tentando juntar dinheiro para o seu grande sonho de consumo: pagar uma diária em um hotel de luxo.


Letters to Satan Claus(EUA, 2020)

Romance? Terror? Enfeites Natalinos e Demônios? Tudo isso têm na produção da SyFi, Letters to Satan Claus. No filme, de Emma Jean Sutherland, Holly retorna à sua cidade natal para fazer um especial de Natal antes de ser promovida a apresentadora de televisão, mas primeiro ela deve enfrentar Satan Noel e as horríveis lembranças da infância.

Deixe a Neve Cair(Let it Snow, EUA, 2019)

Este rom-com conta a história de uma tempestade de neve épica em uma pacata cidade do meio-oeste... e a festa ainda mais épica que se desenrola em uma Waffle Town local, mudando a vida dos alunos do ensino médio da cidade para sempre. É pura diversão descompromissada, e com um romance sáfico.


O Jardim(The Garden(Reino Unido, 1990)


Se o Natal é sobre Cristo, Derek Jarman usou a vida do Messias como analogia para construir O Jardim, uma crítica à perseguição contra os homossexuais durante a epidemia da AIDS. Enquanto uma jovem e linda Tilda Swinton, como Maria, segurando o bebê Jesus, pode impressionar, uma gangue de papais Noel homofóbicos pode traumatizar as festas.


Em Navidad, de Sebastian Lelio, é véspera de Natal e Aurora (Manuela Martelli) e Alejandro (Diego Ruiz), dois adolescentes, resolvem invadir a casa de campo da família dela para passar a data. A amizade é prejudicada, mas o aparecimento da frágil e diabética Alicia (Alicia Rodríguez), desabada no jardim, aproxima os dois.



A primeira vista pode não parecer, mas o longa, indie, filmado em um Iphone, de Sean Baker, é tão melancólico quanto, para alguns, o natal. Em Tangerina é isso, na véspera do feriado, a profissional do sexo trans Sin-Dee descobre que seu namorado a traiu, então ela e sua melhor amiga partem para dá-lo uma lição.


Female Trouble(EUA, 1974)


Dawn Davenport(Divine), sempre foi rebelde, e ficou chateada por que não ganhou seus Cha-Cha Heels dos pais no Natal, fugindo de casa para se tornar a grande estrela subversiva de um Freak Show. Desde então, a jornada da protagonista vira um monstruoso retrato de como a sociedade enxergava a homossexualidade, em mais uma sátira social de John Waters.


8 Mulheres(8 Femmes, França, 2022)


Um filme francês sobre oito mulheres presas juntas em uma casa de campo durante o Natal, em uma trama onde há um assassinato a la Agatha Christie. Dirigido por François Ozon, o longa musical reúne um time de estrelas francesas ancoradas por Catherine Deneuve, Fanny Ardant e Isabelle Huppert.


Spoiler Alert(EUA, 2022)


Spoiler Alert, estrelado e produzido por Jim Parsons, é uma história de amor entre dois gays morando em NY, quando a vida os acerta com um golpe. Durante 14 anos, eles passam a vida juntos, até Michael ser diagnosticado com câncer terminal, e todo o período é ilustrado com muitos Natais.


GOSTOU? Pois lá no LETTERBOXD da página tem uma lista com dezenas de filmes LGBTQIA+ natalinos, nos mais variados gêneros e subgêneros.



sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Segredos de um Escândalo(May December, EUA, 2023)


Mais de 20 anos depois que o romance escandaloso entre uma mulher adulta, Gracie (Julianne Moore), e um adolescente de 13 anos, Joe (Charles Melton), abalou o país, uma atriz (Natalie Portman) que interpretará Gracie em um filme indie passa alguns dias com o agora casal para conhecê-la melhor, mas sua presença desperta velhas memórias e feridas.

Gracie se apresenta como uma anfitriã exemplar , e ainda assim desde o primeiro segundo uma tensão incrível entre as duas mulheres é palpável: a batalha pela verdade começou. Elizabeth obviamente estudou todos os tabloides, especiais de TV e outras fontes disponíveis para descobrir tudo o que pode sobre Gracie e o caso na época, e agora, em suas conversas com amigos, conhecidos e familiares, ela espera por um detalhe extra que lhe permita dar a sua próxima performance a maior veracidade possível.


Todd Haynes, junto com a roteirista Samy Burch, tecem um melodrama cheio de intriga, sensualidade e tensão, acompanhado de uma trilha sonora apropriadamente avassaladora. 


A forma também ajuda nisso: além da música, a fotografia de Christopher Blauvelt é fundamental. Com textura granulada que lembra o passado, zooms mega dramáticos e tomadas longas que beiram o intrusivo, a câmera de Blauvelt constantemente lnos imerge nos segredos e mentiras do filme. 


Segredos de um Escândalo é muito aberto e complexo para simplesmente entregar uma reviravolta e explicar tudo no final, em vez disso Todd Haynes apenas deixa os muitos relacionamentos que foram abordados para si mesmos. 

Além disso, o diretor obviamente se diverte vendo duas Ganhadoras do Oscar em um sutil duelo psicológico no auge absoluto de sua criatividade. A obsessão de Elizabeth por Grace beira a tensão sexual, e em certos momentos, o erotismo acaba explodindo.


A performance acolhedora e refrescante é de Charlie Melton, como o marido mais novo e (na verdade) uma vítima do passado. De muitas maneiras, ele teve uma vida tirada dele que ele nunca conhecerá quando era adolescente. Seu mundo foi da escola, para uma notícia, para um pai, um marido, tudo através da orientação de Gracie. Seu personagem cresce à medida que a história avança, mesmo que ele inicialmente pareça o mais contido do trio. 


Talvez seja justamente através do personagem de Joe, que Haynes consegue desmascarar seus personagens, a artificialidade de seu comportamento e o falso paraíso que criaram para si mesmos. Um melodrama que tem no fundo, a ironia perturbadora de Todd Haynes e lança luz sobre as (des)proporções de papéis e valores familiares em uma realidade permeada pela ficção.





terça-feira, 21 de novembro de 2023

O NEW QUEER CINEMA

 

Se há uma nouvelle vague do CINEMA LGBT+ esse é o New Queer Cinema. O movimento surgiu no início da década de 90, mas só ganhou o título em 1992, quando a crítica de cinema B. Ruby Berch, da Sight & Sound, notou uma expressiva produção com títulos  em sua apresentação de identidades sexuais, que desafiavam tanto a heteronrmatividade quanto resistiam a promover imagens "positivas" de pessoas LGBTQIA+.

No mundo do New Queer Cinema, a sexualidade é muitas vezes uma força caótica e subversiva, que é alienante e muitas vezes brutalmente reprimida pelas estruturas de poder. Os filmes do  movimento  frequentemente apresentavam representações explícitas e sem remorso da atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo. O movimento era uma resposta para a crise da AIDS, já que eles não só criticavam o sistema de saúde, como também eram feitos em grande parte por ativistas.


O New Queer Cinema, que aconteceu principalmente nos EUA e na Inglaterra, serviu de resposta aos opressivos Governo Reagan e Thatcher, revelando grandes cineastas como Todd Haynes, Gregg Araki, Bruce LaBruce, Cheryl Dunye  e Gus Van Sant. A página elegeu algumas obras essenciais desse importante período cinematográfico e de contracultura LGBTQIA+.


No Skin Off My Ass(de Bruce LaBruce, Canadá, 1991)



Um cabeleireiro punk (Bruce LaBruce) fica obcecado por um skinhead neonazista aparentemente mudo (Klaus von Brücker) que caminha pelas ruas de Toronto sem ter para onde ir. Um dia, ele o encontra num parque e o convida para sua casa, onde dará banho, conversará e aprisionará o desconhecido no quarto de hóspedes. É um dos grandes exemplos presentes no movimento New Queer Cinema por transgredir padrões culturais e tabus sexuais, além de romper com a heteronormatividade. Filmado em preto & branco, e em 8 mm, se tornou um filme cult e curiosamente era favorito de Kurt Cobain.

O Par Perfeito(Go Fish, de Rose Troche, EUA, 1994)


O filme, de Rose Troche é um manifesto feminista que se passa no campus de uma universidade americana. Kia é uma professora que divide o quarto com a estudante Max. O filme fala de identidade sexual, estereótipos, e todo tipo de tabus que estão presentes no cotidiano de mulheres homossexuais.


Línguas Desatadas(Tongues Untied, de Marlon Riggs, EUA, 1990)


Línguas Desatadas, é o tipo de recado urgente de uma sociedade negra e gay que vivia nos Estados Unidos sob as administrações Reagan e Bush; é um relatório das próprias margens, composto de alguma forma fora da linguagem habitual. O diretor Marlon Riggs coloca à frente e no centro um núcleo de depoimentos - alguns falados, outros cantados, outros em rap- refletindo sobre o duplo preconceito enfrentado por homens, negros e gays, no epicentro da AIDS: atacados tanto por sua cor de pele quanto por preferências sexuais.


Zero Patience(de John Greyson, Canadá, 1993)

Zero Patience, de John Greyson, conseguiu fazer o que parecia impossível: trazer humor e leveza para a problemática da AIDS. Para escrever o roteiro, Greyson se inspirou na história do comissário de bordo Gaëtan Dugas, um franco-canadense, apontado por levar o vírus aos Estados Unidos. Colorido, lúdico, bem-humorado e corajoso, o filme é um musical marcado por cenas icônicas e letras que levantam uma bandeira de militância e crítica social desmontando o mito por trás da história do paciente zero, com uma linguagem de videoclipe


Swoon - Colapso do Desejo(Swoon, de Tom Kalin, EUA, 1992)



Poeticamente rodado em PB, Swoon - Colapso do Desejo, reabre o notório assassinato do menino Bobby Frank, cuja morte na década de 1920, se tornou um escândalo internacional quando foi revelado que dois jovens homossexuais ricos de Chicago, Richard Loeb(Daniel Schlachet) e Nathan Leopold Jr.(Craig Chester), haviam cometido o crime a ponta-pés.

Young Soul Rebels(de Isaac Julien, Reino Unido, 1991)

Young Soul Rebels é extremamente eficiente em percorrer com fluidez todas as várias situações sociais com misturas iguais de coreografia e documentação que localizam infalivelmente a autenticidade de cada cena. O diretor Isaac Julien tem uma capacidade notável de entrelaçar todas as várias vertentes sócio-políticas da história em uma teia abrangente que não limita nem restringe seu alcance.


Morango e Chocolate (Fresa y Chocolate, Cuba/México/Espanha, 1993)

Enquanto o movimento fervilhava criativamente nos EUA e na Europa, na América Latina o conservadorismo era maior. Mas Morango e Chocolate(1993), de Tomas Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabío, levantou uma discussão sobre a sociedade cubana dos anos 1970. O filme tem verdadeira força e charme, principalmente na maneira como nos leva a esperar um romance, e então nos dá um personagem cuja própria existência é uma crítica à sua sociedade.


Viver Até o Fim(The Living End, de Gregg Araki, 1992)


The Living End é um filme propositalmente raivoso; uma resposta a um país governado por republicanos indiferentes à epidemia de AIDS que assolava os Estados Unidos no período; um ato de rebeldia contra o mundo, onde não há sonho americano. No filme do então promissor, mas sempre subversivo, Gregg Araki, Luke (Mike Dytri) é um cara imprudente e inquieto e Jon (Craig Gilmore)é um crítico de cinema relativamente tímido e pessimista. Ambos são gays e soropositivos.


Veneno(Poison, de Todd Haynes, EUA, 1991)



Repleto de analogias e interpretações, a estreia de Todd Haynes, são três histórias entrelaçadas, sobre estranhos, sexo e violência: um pseudodocumentário sobre um garoto de sete anos que mata o pai; um cientista maluco que descobre a essência da sexualidade humana; o amor homossexual entre prisioneiros inspirado por Jean Genet.


The Watermelon Woman(de Cheryl Dunye, EUA, 1996)

The Watermelon Woman foi o primeiro filme dirigido por uma mulher negra abertamente lésbica, sendo considerado um marco para o New Queer Cinema. Sob o comando de Cheryl Dunye (que também o escreveu  e editou), o longa busca abordar temas como a dificuldade de se encontrar arquivos sobre biografias de mulheres negras queer que trabalharam em Hollywood, assim como o seu apagamento histórico.


Garotos de Programa(My Own Private Idaho, de Gus Van Sant, EUA, 1991)


Garotos de Programa, o clássico de Gus Van Sant, é uma das obras referenciais do movimento New Queer Cinema, se tornando notável pela coragem de abordar temas tabus na época como prostituição, drogas, sexo e homossexualidade. Além disso, diretor, apresenta um estilo narrativo muito próprio, ao contar a história através de uma peça de Shakespeare.


Eduardo II(Edward II, de Derek Jarman, Reino Unido, 1991)


Considerado um dos primeiros filmes a representar o movimento New Queer Cinema, no Reino Unido, Eduardo II, de Derek Jarman, através de anacronismos, como o uso de figurinos modernos e a trilha sonora contemporânea, faz um paralelo entre a história do rei inglês, que, ao escolher amar um homem, sofreu a opressão da nobreza inglesa, com a luta pelos direitos LGBTQIA+ contra o estado inglês homofóbico e repressor dos anos 80 e 90.


Paris is Burning(de Jennie Levingston, EUA, 1990)



O documentário, de Jennie Levingston, de 1990, é um dos maiores ícones do cinema gay e representa o início do movimento new cinema queer. O documentário retrata a cultura dos bailes gays no final dos anos 1980 no Harlem. Sua abordagem faz com que se abram discussões sobre gênero, ativismo negro e estudos trans. Outro ponto alto, é que ele apresenta a cultura do Vogue, mais tarde comercializada por Madonna.



Esses filmes e diretores que na década de 1990 conseguiram trazer um olhar positivo para a estigmatizada comunidade LGBTQIA+ pavimentaram um terreno para que nas décadas seguintes, surgisse um cinema queer fora do armário, com abordagens cada vez mais sérias, visibilidade mais presente e acima de tudo assumindo uma solidez nas produções, que hoje alcançam um público bem maior que os das sessões da meia noite.


REFERÊNCIAS: CLUBE DA POLTRONA MUBI LIST

WIKIPEDIA

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

TOP 10 DIRETORES

 

Há muitas maneiras de definir a formação cinéfila de um apaixonado pela sétima arte. Estudar é a melhor delas. No meu caso, está no DNA, desde criança passava horas nas vídeo locadoras , para um dia entender e descobrir que quem estava por trás das grandes obras eram os diretores. A filmografia de importantes cineastas passou a me interessar e comecei a maratoná-las. Não importava país, década, nem movimento. O importante era se aprofundar, e seguir se aperfeiçoando, para buscar um conhecimento e embasamento que não transcendesse apenas a tela, mas também a vida. Quando comecei com o projeto da página já tinha muitos favoritos, muitos diretores com os quais me identifico com a obra, porém ela me permitiu abrir ainda mais a mente e adentrar o desconhecido para hoje, finalmente, eleger o meu TOP  10 DIRETORES LGBTQIA+.

10 - Christophe Honoré




A obra de Christophe Honoré alterna temas, ele vai do drama denso de Minha Mãe(2004) ao musical, como na obra prima Canções de Amor(2008), passeia ainda pelo cinema infantil, mas também pelo desejo, de Homem no Banho(2010), e toca em temas delicados de uma maneira leve, caso de seu impecável Conquistar, Amar e Viver Intensamente(2018). Uma de suas mais recentes obras, Le Lycéen(2022), com Juliette Binoche e Vincent Lacoste,  nos leva de volta à adolescência do realizador francês com todo sem tom autobiográfico.


09 - Hilton Lacerda



Hilton Lacerda é natural de Pernambuco, e colocan a cultura de seu estado na tela. Hilton Lacerda escreveu o roteiro de entre outros Amarelo Manga(2002), Febre do Rato(2011) e Piedade(2019), dirigidos por Cláudio Assis. Mas em sua estreia como diretor, Hilton Lacerda, proporcionou o iconoclasta Tatuagem(2014), e mal podemos esperar por mais desses conterrâneos do cinema nacional.

08 - Céline Sciamma

Em torno de sua obra, a aclamada Céline Sciamma imprime sua identidade, sempre com um olhar muito feminino e uma poderosa sensibilidade. Seu longa Pequena Mamãe(2021), não foge dessas características e marca a volta da diretora ao universo infantil muito bem explorado em Tomboy(2011). Sua obra prima Retrato de uma Jovem em Chamas, de 2019, a colocou no mapa do mundo, mas a realizadora francesa já trabalhava a feminilidade com tanta delicadeza em filmes como Lírios d’Água(2007) e Garotas(2014).

07 - John Waters



Subversão é o nome! John Waters é um precursor do movimento queer no cinema, desde o final dos anos 1960, quando realizava experimentos com um grupo de amigos em sua cidade natal, Baltimore, sempre o pano de fundo de seus filmes imundos. Waters alcançou a fama no início dos anos 1970 por seus filmes transgressores, nas famosas sessões da meia noite. O elenco regular era formado pela Dreamland, encabeçada pela Drag Queen Divine, Mink Stole, Edith Massey e David Lochary. Afastado do cinema desde o início dos anos 2000, ele que é considerado o PAPA DO TRASH, ganhou recentemente uma estrela na calçada da fama e seu retorno é aguardado para breve.


06 - François Ozon


Um dos principais realizadores franceses da atualidade, François Ozon, teve algumas aulas de atuação quando adolescente e rapidamente passou a dirigir. A partir do sucesso de Sob a Areia, de 2000, Ozon se torna um dos queridos dos cinéfilos e da crítica, realizando uma filmografia extensa e muito diversificada. Em suas obras o diretor trabalha constantemente temas como: sexualidade, amor e morte.

05 - Todd Haynes


Velvet Goldmine(1998) foi um marco não só estético, como uma experiência suntuosa que ajudou a moldar meus gostos musicais. Todd Haynes desde então passou a ocupar um lugar cativo na minha carteirinha cinéfila. Suas obras, sempre foram transportadas para outro tempo, nos ajudam a entender um caminho percorrido. Logo no seu primeiro longa, Veneno(1993), no movimento new queer cinema o diretor se destacou por seu estilo e longas abordados. O que veio a seguir, foram diversos filmes, geralmente ambientados em outras épocas, contando histórias que naquele tempo não seria possível.


04 - Pier Paolo Pasolini

Com uma obra muito mais política do que queer, a homossexualidade é imposta como norma nos filmes de Pasolini. O italiano foi um raro diretor, que ousou tocar as feridas da sociedade onde mais doía. Como cineasta, Pasolini muitas vezes justapôs polêmicas sócio-políticas com um exame extremamente gráfico e crítico de questões sexuais tabus. Da vasta filmografia do também poeta, ensaísta e filósofo, destacam-se filmes como Teorema, A Trilogia da Vida, e o controverso Salò(1975), baseado na obra do Marquês de Sade, um dos filmes mais indigestos de todos os tempos



Na década de 1970, Jarman falou abertamente sobre homossexualidade, sua luta pública pelos direitos LGBTQIA+ e, a partir de 1986, quando foi diagnosticado, sua luta pessoal contra a AIDS. Foi fazendo um cinema político, de luta e resistência que Derek Jarman soube transformar sua dor em arte e deixou um legado histórico que merece ser conhecido pelas novas gerações.

02 - Rainer Werner Fassbinder


Rainer Werner Fassbinder é um dos mais importantes representantes do Novo Cinema Alemão. Durante a sua curta carreira, fez 43 filmes, incluindo a série Alexanderplatz, e trabalhou como ator, cinegrafista, roteirista e produtor. Vindo do teatro ele levou sua trupe ao cinema e fez, em média, um filme a cada 100 dias. Sua disciplina e criatividade efervescentes faziam contraponto com os excessos de sua vida pessoal. Homossexual assumido, predominam em suas obras temáticas relativas à situação de "deslocados" na sociedade alemã pós guerra. Com O Desespero de Verônika Voss(1982) ganhou o Urso de Ouro, mas sua obra prima, Querelle(1982), foi lançada postumamente.



Se há um cineasta que conversa diretamente comigo é Pedro Almodóvar. A identificação com os diálogos, a cultura espanhola e a estética é instantânea. Na infância lembro de seus filmes na TV, e sempre me causavam impacto, mas foi a partir de Tudo Sobre Minha Mãe(1999) que passei a me aprofundar na obra do diretor, que sempre me surpreende, e poucas vezes decepciona. Seus filmes me levam dos prantos às lágrimas em segundos. É a linguagem. É arte pura. É paixão. É a essência. É cinema. 


O RANKING COM A FILMOGRAFIA DE TODOS OS DIRETORES ACIMA PODEM SER ENCONTRADOS NO LETTERBOXD DO CINEMATOGRAFIA QUEER.