quinta-feira, 28 de maio de 2026

As Quatro Estações do Ano 2ª Temporada (The Four Seasons, EUA, 2026)

Tina Fey retorna para a segunda temporada de “As Quatro Estações do Ano”, minissérie inspirada no filme homônimo de 1981 dirigido por Alan Alda, agora sob uma atmosfera de luto e reconstrução. Co-criada por Fey, Lang Fisher e Tracey Wigfield, a produção mantém a estrutura de encontros sazonais, mas redireciona seu foco para as consequências da morte de Nick (Steve Carell), forçando a viúva Anne (uma impagável Kerri Kenney-Silver) a um embate inevitável com Ginny (Erika Henningsen), a amante grávida de seu falecido marido. A série expande organicamente o protagonismo de Danny (Colman Domingo) e Claude (Marco Calvani), elevando a relevância das tensões e alegrias do casal gay em um momento de transição.

Dirigido por Colman Domingo, o primeiro episódio já estabelece o tom agridoce desta nova fase. A temporada começa literalmente entre cinzas, com os personagens tentando lidar com o luto de Nick enquanto continuam presos às pequenas confusões, DRs e ressentimentos que sustentam amizades de longa duração. A chegada do bebê de Ginny reorganiza completamente a dinâmica do grupo, especialmente para Anne, cujo despertar maternal transforma sua dor em algo mais complexo e inesperadamente comovente. 


Mas é no núcleo formado por Danny e Claude que “As Quatro Estações do Ano” encontra o seu verão. A segunda temporada amplia significativamente o espaço do casal gay como eixo emocional da narrativa. Danny e Claude discutem a possibilidade de terem filhos, enfrentam inseguranças sobre envelhecimento e seguem funcionando como conselheiros afetivos do restante do grupo. Colman Domingo e Marco Calvani possuem uma química rara, construída nos cotidianos de um relacionamento duradouro.

Enquanto isso, Kate (Tina Fey) e Jack (Will Forte) deixam de esconder as rachaduras do casamento sob ironias inteligentes e comentários passivo-agressivos. A temporada trabalha muito bem a ideia de consenso emocional, mostrando como até relações aparentemente sólidas podem entrar em colapso quando o desgaste cotidiano se acumula silenciosamente.

Visualmente, a produção continua extremamente elegante. Cada episódio segue estruturado em torno das estações do ano, utilizando locações ensolaradas, praias, casas de campo e até um Natal na Itália para refletir os estados emocionais dos personagens. Existe uma sofisticação aconchegante na maneira como a série filma a vida adulta. O sexto episódio, ambientado durante a pandemia e trazendo de volta Steve Carell em flashbacks, talvez seja o mais forte da temporada. Ao mesmo tempo engraçadíssimo e melancólico.


Leve, divertida e emocionalmente honesta, “As Quatro Estações do Ano” amadurece sem perder o humor afiado que tornou a primeira temporada tão charmosa. A série compreende que amizades longas também passam por fases, desgastes e reinvenções, assim como qualquer casamento.

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