"On the Sea", de Helen Walsh coloca o desejo queer dentro de uma paisagem em que quase tudo parece ter sido determinado antes mesmo de seus personagens nascerem. Jack (Barry Ward) trabalha nos bancos de mexilhões do litoral do norte do País de Gales, é casado com Maggie (Liz White), administra o negócio familiar ao lado do irmão Dyfan (Celyn Jones) e espera que o filho Tom (Henry Lawfull) continue a profissão. A chegada de Daniel (Lorne MacFadyen), um trabalhador temporário que percebe e verbaliza a atração que Jack tenta manter enterrada, desloca essa rotina cuidadosamente organizada.
Walsh entende que o conflito de Jack não se resume à descoberta de uma orientação sexual. Seu desejo chega acompanhado por décadas de hábitos, casamento, paternidade, trabalho e uma masculinidade construída dentro de uma comunidade pequena, religiosa e economicamente dependente da pesca. O mar funciona como extensão desse mundo: aberto até o horizonte, mas cercado por regras sociais muito mais difíceis de atravessar.
Barry Ward conduz o personagem sem transformar sua crise em espetáculo. Jack é um homem de poucas palavras, e a atuação trabalha justamente com aquilo que permanece no rosto, no corpo e nos silêncios. Quando Daniel entra em sua vida, pequenas alterações na maneira como os dois ocupam o mesmo espaço passam a carregar uma intensidade que o roteiro não precisa explicar. Lorne MacFadyen estabelece com Ward uma parceria igualmente contida, mas suficientemente física para que a relação escape da abstração e adquira desejo.
Essa contenção também produz uma das questões mais interessantes do longa: quanto tempo um homem pode permanecer vivendo uma identidade que já não corresponde ao que deseja? Jack não é apresentado como alguém que simplesmente estava esperando a oportunidade de "sair do armário". Ele construiu uma vida inteira dentro daquela existência. O casamento, o filho e a família não são obstáculos descartáveis para que o romance possa triunfar.
Mas "On the Sea" também carrega o peso de uma tradição cinematográfica bastante reconhecível. A associação com "God's Own Country" e "Brokeback Mountain" é praticamente inevitável: homens em comunidades rurais, códigos de masculinidade, isolamento, trabalho físico e desejo reprimido.
É nessa tensão entre familiaridade e sensibilidade que o filme encontra seu interesse. Walsh não adiconada nada de realmente novo ao romance queer rural, mas compreende a força cinematográfica de um homem que finalmente reconhece no outro aquilo que passou a vida inteira tentando não reconhecer em si mesmo. O mar, as pedras, o vento e os corpos exaustos pelo trabalho constituem uma geografia emocional em que o desejo precisa encontrar frestas para existir. "On the Sea" é um filme sobre masculinidade, envelhecimento, família e desejo que encontra sua voz naquilo que seus personagens não conseguem dizer.
https://gofile.io/d/7CjB1pRq
ResponderExcluirExato, é um filme honesto ao que se propõe, não reinventa a roda. Mas acho que jogar luz sobre o desejo masculino nesse período de envelhecimento já é algo para considera. (Quem nunca ficou com um homem mais velho, casado e com filhos que atire a primeira pedra hahahah) Gostei, é um drama contido, e foi bom treinar o inglês britânico.
ResponderExcluirLEGENDA PT - BR
ResponderExcluirhttps://transfer.it/t/W8PADvwxjTga
COM LEGENDA EMBUTIDA:
ResponderExcluirhttps://drive.google.com/file/d/1QGPiUDZSobIhY4yT--9ArCCwcHZFcy-R/view?usp=sharing
Obrigadooooooo
ExcluirMuito obrigado por disponibilizar.
ResponderExcluirQue filme decepcionante. Metade do filme é mt bom, depois vira só tragedia
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