Sarah Scarlett Downing estreia em longas com uma comédia romântica indie que traz frescor ao gênero. “Everything and the Universe” segue Jane Kinney (Nicolette Pearse), uma cientista cética e sexualmente fluida, e Henry Devine (E.J. Bonilla), um romântico que acredita no destino, enquanto seguem para o casamento da amiga Sam (Chelsea Gilligan) na cidade universitária de Durham, na Carolina do Norte. O que começa como um encontro casual entre estranhos se transforma em uma aliança improvável quando os dois descobrem que estão apaixonados pela mesma mulher.
A direção de Downing mantém bom equilíbrio entre leveza e densidade emocional. O roteiro foge do melodrama excessivo ao priorizar situações constrangedoras que soam autênticas. Durham funciona como um cenário vivo: ruas arborizadas e cafés universitários contrastam com as turbulências internas dos protagonistas. A trilha sonora de indie folk suave ajuda a estabelecer um tom coeso, tornando “Everything and the Universe” uma experiência fluida e bem ritmada.
A química entre Nicolette Pearse e E.J. Bonilla é um dos pontos altos. Jane é construída com camadas de sarcasmo e vulnerabilidade que funcionam bem, enquanto Henry traz um romantismo mais ingênuo. Chelsea Gilligan interpreta Sam com presença marcante, ao mesmo tempo magnética e complexa. Luke Roberts completa o quarteto dando a Brian um arco contido, porém convincente, mesmo com tempo de tela reduzido.
No centro da história há uma representatividade queer integrada e sem didatismo. Jane é sexualmente fluida de maneira natural. O arco de Brian como professor no armário aborda questões de internalização e momento certo na vida queer com sensibilidade, evitando clichês trágicos. “Everything and the Universe” apresenta o amor queer em suas diversas formas, fluido, confuso, generoso, de modo direto e respeitoso,
Os planos de sabotagem e os supostos “sinais do universo” geram momentos cômicos que também servem como metáfora para a tentativa de controlar o imprevisível do afeto. Downing dosa humor físico e confissões sinceras com equilíbrio, mantendo o ritmo constante. “Everything and the Universe” é uma comédia romântica sólida que sai do padrão heteronormativo sem abrir mão do charme do gênero. É leve, honesta emocionalmente e celebra a possibilidade de erro, desejo e reinvenção no amor.
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