sexta-feira, 17 de abril de 2026

Everything and the Universe (EUA, 2025)

 Sarah Scarlett Downing estreia em longas com uma comédia romântica indie que traz frescor ao gênero. “Everything and the Universe” segue Jane Kinney (Nicolette Pearse), uma cientista cética e sexualmente fluida, e Henry Devine (E.J. Bonilla), um romântico que acredita no destino, enquanto seguem para o casamento da amiga Sam (Chelsea Gilligan) na cidade universitária de Durham, na Carolina do Norte. O que começa como um encontro casual entre estranhos se transforma em uma aliança improvável quando os dois descobrem que estão apaixonados pela mesma mulher.

A direção de Downing mantém bom equilíbrio entre leveza e densidade emocional. O roteiro foge do melodrama excessivo ao priorizar situações constrangedoras que soam autênticas. Durham funciona como um cenário vivo: ruas arborizadas e cafés universitários contrastam com as turbulências internas dos protagonistas. A trilha sonora de indie folk suave ajuda a estabelecer um tom coeso, tornando “Everything and the Universe” uma experiência fluida e bem ritmada.

A química entre Nicolette Pearse e E.J. Bonilla é um dos pontos altos. Jane é construída com camadas de sarcasmo e vulnerabilidade que funcionam bem, enquanto Henry traz um romantismo mais ingênuo. Chelsea Gilligan interpreta Sam com presença marcante, ao mesmo tempo magnética e complexa. Luke Roberts completa o quarteto dando a Brian um arco contido, porém convincente, mesmo com tempo de tela reduzido.

No centro da história há uma representatividade queer integrada e sem didatismo. Jane é sexualmente fluida de maneira natural. O arco de Brian como professor no armário aborda questões de internalização e momento certo na vida queer com sensibilidade, evitando clichês trágicos. “Everything and the Universe” apresenta o amor queer em suas diversas formas, fluido, confuso, generoso, de modo direto e respeitoso,

Os planos de sabotagem e os supostos “sinais do universo” geram momentos cômicos que também servem como metáfora para a tentativa de controlar o imprevisível do afeto. Downing dosa humor físico e confissões sinceras com equilíbrio, mantendo o ritmo constante. “Everything and the Universe” é uma comédia romântica sólida que sai do padrão heteronormativo sem abrir mão do charme do gênero. É leve, honesta emocionalmente e celebra a possibilidade de erro, desejo e reinvenção no amor.

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