Produzido por Diablo Cody, "Forbidden Fruits" chega como o debut afiado da diretora Meredith Alloway. O filme usa o cenário aparentemente inofensivo de uma boutique dentro de um shopping de Dallas para montar um coven secreto que opera depois do expediente, misturando rituais, glitter e hierarquias tóxicas. É o tipo de produção que entende que, hoje, o verdadeiro susto não está mais só no sobrenatural, mas na forma como as mulheres ainda se devoram dentro de supostos espaços de “irmandade”.
Na boutique Free Eden, um shopping de Dallas que parece saído de um pesadelo consumista, Apple (Lili Reinhart) comanda um culto de bruxas “femme” secreto no porão depois do expediente, ao lado das fiéis Cherry (Victoria Pedretti) e Fig (Alexandra Shipp). A nova contratada Pumpkin (Lola Tung) chega como uma maçã podre no cesto perfeito: questionadora, curiosa e disposta a cutucar o verniz de irmandade que sustenta o coven. Enquanto as luzes do shopping apagam, os rituais começam, lantejoulas engolidas como hóstias, feitiços de consumo e uma hierarquia que mistura "Meninas Malvadas" com "Sororoty Row".
Os elementos queer estão ali, pulsando embaixo da superfície como um batom borrado. O filme é deliberadamente sáfico: Apple ostenta unhas vampiras (a famosa “lesbian manicure” que Reinhart mesma pediu), as dinâmicas de poder entre as garotas carregam um desejo tóxico e possessivo que lembra amores não ditos, e há um momento de tensão girl-on-girl carregado de choque e dominação. Não é tão explícito, mas respira uma queeridade camp e venenosa, onde o culto feminino vira espaço tanto de empoderamento quanto de controle emociona
Comparado à "Jovens Bruxas" original de 1996, "Forbidden Fruits" é uma atualização Gen Z cirúrgica. Enquanto o clássico de Andrew Fleming era gótico, dark e sobre o despertar de poderes reais como metáfora de adolescência queer e marginalizada, aqui as bruxas são performativas, consumistas e absolutamente falsas. É menos sobre magia e mais sobre como as mulheres ainda se devoram em nome de um “nós” frágil. Nesse sentido, o filme realmente só poderia ser feito por uma equipe de mulheres como Cody e Alloway para jamais cair no espaço da fetichização.
Capturar as ansiedades modernas da cultura de consumo e das amizades performáticas parece fácil para Reinhart, que entrega uma Apple magnética e aterrorizante, e para Pedretti e Shipp, que transformam Cherry e Fig em criaturas ao mesmo tempo hilárias e patéticas. Lola Tung, como Pumpkin, carrega o peso da outsider com uma ingenuidade que rapidamente azeda. O elenco brilha em diálogos afiados que soam como um grupo do whatsapp no inferno.
Embora o roteiro de Alloway e Lily Houghton não crie o mistério mais complexo, compensa com uma sagacidade venenosa que soa natural vinda dessas personagens. Com um elenco de estrelas em ascensão, o filme possui várias performances fortes e se propõe também a fazer uma crítica à toxicidade das amizades femininas embaladas em estética de empoderamento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário