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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Quelly 2025: 9ª Edição da Mostra Internacional de Cinema Queer Chega a São Luís

A nona edição da "Quelly - Mostra Internacional de Cinema de Gênero e Sexualidade" acontece de 27 a 30 de agosto no Teatro João do Vale, em São Luís, Maranhão. Com curadoria de George Pedrosa e Daniel Nolasco, o evento reúne filmes nacionais e internacionais que exploram o queer antes de sua popularização como pauta política ou tendência nas redes sociais. Este ano, a mostra reflete sobre os desafios de criar obras queer em meio a pressões comerciais, destacando a complexidade do termo. “O queer vai além do que nos vendem em excesso nas redes”, diz Nolasco.

Abertura e Encerramento de Peso

A abertura será com "Salomé", de André Antônio, premiado com sete troféus no Festival de Brasília, incluindo melhor longa. O filme pernambucano reinterpreta a história bíblica com ousadia e mistura de gêneros. O encerramento traz "Onda Nova", clássico moderno de José Antônio Garcia e Ícaro Martins, celebrando o cinema nacional.

Programação Diversa

A mostra exibe títulos como "Todo Cuidado é Pouco", de Ventura Profana, "Memorabilia", "Kassandra com K", de Rivanildo Feitosa, "Poesia no Vinho de Seus Lábios", de Matheus Monteiro, e "Fabulosas - Operação Aranha", de Th Fernandes e Lua Lamberti. Outro destaque é "Um Minuto é uma Eternidade Para Quem Está Sofrendo", de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro, um diário íntimo e honesto do diretor.

Atividades e Reflexão

Além das exibições, a "Quelly" promove debates. Nos dias 29 e 30, a Oficina Metamorfose, ministrada por Aura do Nascimento, de "Salomé", explora artes visuais e filosofia no Espaço Chão. No dia 28, André Antônio apresenta uma masterclass no Teatro João do Vale.

Como Participar

As sessões são gratuitas, mas com lotação limitada. Ingressos serão distribuídos uma hora antes na bilheteria do João do Vale. A programação completa está no Instagram @mostraquelly. A "Quelly" reforça o cinema queer como espaço de reflexão e transformação.


Fabulosas - Operação Aranha

sábado, 15 de março de 2025

Onda Nova (Brasil, 1983)

Em 1983, sob as sombras da ditadura militar, "Onda Nova", dirigido por Ícaro Martins e José Antonio Garcia, irrompeu como um grito de liberdade na caótica Boca do Lixo, só para ser censurado logo em seguida. Restaurado e remasterizado em 4K, o filme chega ao circuito comercial brasileiro em 27 de março, após brilhar em festivais como o prestigiado Festival de Locarno e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Quatro décadas depois, "Onda Nova" segue pulsante e provocador, trazendo a energia nostálgica dos anos 80 como um hino de resistência e desejo.

Segundo capítulo da “trilogia do desejo” de Martins e Garcia, Onda Nova apresenta o fictício Gayvotas Futebol Clube, time feminino fundado no ano em que o futebol foi regulamentado no Brasil, após quatro décadas de proibição. Em 1983, as jogadoras enfrentam preconceitos de gênero e sexualidade dentro e fora de campo, preparando-se para um confronto internacional contra a Itália. 


O nome “Gayvotas” evoca as gaivotas livres sobre o mar e carrega uma conotação queer que desafia as normas, celebrando corpos e desejos reprimidos pela ditadura. A trilha, com “Fogo e Paixão” de Wando e “Menina Veneno” de Ritchie, traz a nostalgia das tardes de Sessão da Tarde, mas com um espírito transgressor que pulsa luta e amor.


Carla Camurati e Cristina Mutarelli arrasam como protagonistas, transmitindo força e vulnerabilidade, enquanto Regina Casé, Caetano Veloso e Osmar Santos adicionam autenticidade cultural. No gramado, Casagrande, Wladimir e Pitta, da Democracia Corintiana, apoiam as jogadoras, unindo esporte e resistência contra a opressão. Rotulado 'amoral' pela censura militar."


"Onda Nova" teve seu lançamento original sabotado, sendo interditado após a 7ª Mostra de São Paulo, em 1983. Apesar da associação com a pornochanchada da Boca do Lixo, o filme subverte o gênero, rejeitando moralismo sexista e exaltando o desejo como força de vida e identidade.


O relançamento deve-se ao restauro de Julia Duarte, Aclara Produções e família Garcia, com apoio da Cinemateca Brasileira, Zumbi Post e JLS Facilidades Sonoras. A cópia em 4K revive a estética vibrante da década, com cores saturadas que ecoam a efervescência cultural dos anos 80.


"Onda Nova" retorna como testemunho da ousadia da Boca do Lixo e de Martins e Garcia, refletindo o presente em sua celebração da liberdade. Sua nostalgia — fitas VHS, discotecas, esperança — ressoa num Brasil que ainda busca igualdade, provando que o desejo, como as gaivotas, sempre encontra seu voo.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Onda Nova (Brasil, 1983)

Segundo longa de uma trilogia dos diretores Ícaro (Francisco) Martins e José Antonio Garcia, em que constam os premiados O Olho Mágico do Amor (1981) e Estrela Nua (1985), ONDA NOVA será exibido, em cópia restaurada e remasterizada, no Festival de Locarno, que acontece entre 7 e 17 de agosto, na Suíça. A obra faz parte da seção “Histoire(s) du Cinéma”, espaço do festival dedicado ao resgate de clássicos raros e filmes que lançam uma nova luz sobre a história do cinema.

ONDA NOVA teve sua primeira exibição no Brasil na 7ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 1983. Logo em seguida, foi proibido pela Censura do regime militar e só pôde ser lançado quase um ano depois, o que prejudicou muito sua carreira comercial.


Protagonizado por Carla Camurati e Cristina Mutarelli, o filme, que tem roteiro assinado pelos diretores, traz a história das jogadoras do Gayvotas Futebol Clube, no ano em que o futebol feminino foi regulamentado no Brasil, após ter sido banido por 40 anos, até 1979.


Esse time de jovens paulistanas desafia a moral vigente sobre gênero e sexualidade, ao mesmo tempo em que as jogadoras lidam com seus problemas pessoais. No campo, contam com o apoio de jogadores renomados, como Casagrande e Wladimir, fundadores da famosa "Democracia Corintiana", e Pitta. Também participam do filme artistas como Caetano Veloso, Regina Casé e o locutor Osmar Santos.



Apesar de não ser uma “pornochanchada” tradicional, ONDA NOVA foi produzido
de forma semelhante, na Boca do Lixo. Seu lançamento comercial tardio, quando esse ciclo já havia acabado, de certa forma o coloca como o último do gênero. Entretanto, como nas outras obras dos diretores, o filme rechaça o moralismo sexista dessas produções comerciais.


“É um filme onde o desejo assume o protagonismo, define e conduz as personagens e a narrativa. Mesmo não tratando diretamente de política, ao colocar o desejo como afirmação de identidade e de vida, ONDA NOVA é a própria negação da ditadura vigente na época. Por isso a censura não foi apenas a uma cena ou outra, mas ao filme inteiro. Foi considerado ‘amoral’ e interditado integralmente”, conta Martins.


A seleção do filme para a seção “Histoire(s) du Cinéma” do 77o Festival de Cinema de Locarno, deu à produtora Julia Duarte – sobrinha do falecido José Antonio Garcia, a oportunidade de iniciar um projeto de restauro das obras de um cinema brasileiro que era pouco acessível, mas muito representativo.


Trazer ONDA NOVA novamente para as telas com a merecida qualidade, envolveu também refazer trailer e cartaz, que tinham desaparecido. A nova identidade visual ficou a cargo de Helena Garcia, artista gráfica e uma das filhas de José Antonio, e o trailer, ficou por conta de Marina Kosa (Tanto Produções). O apoio da Cinemateca Brasileira para a digitalização dos negativos originais e da parceria com a JLS, a Zumbi Post, a família do diretor falecido, e os esforços de Francisco Martins, uniram-se no intuito de preservar uma obra leve – e livre, que trata de questões muito presentes no Brasil atual.



FONTE: SINNY COMUNICAÇÃO