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domingo, 31 de outubro de 2021

L.A. Zombie (EUA/Alemanha, 2010)



O zumbi extraterrestre, que emerge do mar, interpretado pelo astro pornô francês, François Sagat, com seu avantajado falo, pode trazer pessoas mortas de volta à vida - enfiando a parte nas feridas e depois ejaculando sobre o corpo.

O cineasta underground Bruce LaBruce volta a misturar zumbis e pornografia: em seu antecessor Otto; ou Viva Gente Morta(2008), ele cruzou sexo e vísceras de uma forma astuta e embriagante.

L.A. Zombie emoldura a figura do homossexual em um zumbi para retratar não só a maneira monstruosa que parte da sociedade enxerga a homossexualidade, como também para mostrar o vazio existente na busca ensandecida por sexo.


Sangue, entranhas escorrendo e esperma negro ocupam uma proporção considerável do tempo. Assim como as cenas de sexo explícito, que são atrevidas e até longas demais. Mas pela primeira vez zumbi não mata pessoas mas traz os mortos de volta à vida.

A referência ao problema dos sem-teto em Los Angeles é claramente legível. Paradoxal e bastante inteligente: o estrangeiro assume a forma humana e, no entanto, permanece um estranho na sociedade. Nas filmagens da guerrilha na cidade, LaBruce abordou pessoas realmente marginalizadas e as colocou na frente das câmeras.

A metáfora simples, bonita e quase religiosa do sêmen na ferida aberta é como um fenômeno. A fé, a arte e o sexo podem fazer isso idealmente: transmutar os corações e cabeças dos mortos e curá-los de forma vodu milagrosamente.

L.A. Zombie toma forma humana e caminha pelas ruas de Los Angeles, um homem em dor, famoso símbolo do mais profundo desespero. As pessoas estão assistindo. Quando vai à padaria, não consegue pronunciar uma palavra. 


As cenas de crime cheias de sangue e feridas são fotografadas com extrema arte e brilhantismo, como um provocativo anúncio de moda. O interior vermelho profundo, está respingando sangue por toda a parte. Há duas versões do filme, uma de 63min, exibida em Festivais, e outra de 100min que leva o subtítulo HARDCORE e traz as sequências mais escandalosamente explícitas.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Sagat: The Documentary(França, 2011)

Astro Pornô. Ator. Performer. Ícone Gay Internacional. Sagat: The Documentary, de Pascal Roche e Jérôme M. De Oliveira desvenda a personalidade por trás do símbolo sexual e nos apresenta François Sagat despido de seu personagem.

Modelo de virilidade, Sagat se tornou um fenômeno underground com uma personalidade rebelde e criativa e sua tatuagem única na cabeça, que simula um corte de cabelo. O artista seduz e inspira artistas, fotógrafos de moda e cineastas.


O astro abre as portas de sua vida: de sua província natal em Cognac, onde revela sobre a infância, aos seus primórdios em Paris trabalhando em sex-shops onde adentrou para a pornografia, ao inevitável sucesso nos Estados Unidos, pela produtora Titan, em San Francisco.


O filme conta com depoimentos da artista underground Chi Chi LaRue, que compara a experiência de conhecê-lo com Madonna, além de Christophe Honoré, com quem trabalhou em Homem no Banho e Bruce la Bruce que o define como a Marylin Monroe da pornografia “Marylin tinha suas tetas e Sagat tem a bunda’’, conclui o diretor que trabalhou com ele em L.A. Zombie.



O filme também adentra os bastidores da indústria do cinema pornô, mostrando premiações, e muitas cenas de sexo explícito, com Sagat atuando de forma magnética ou ainda de um ponto de vista mais cult, realizando pornografia artística.

Mas o homem sedutor de forma escultural sofria bullying na infância e talvez tenha tirado daí as forças para se transformar. Ao falar do processo, ele conta abertamente sobre o uso de esteroides e compara essa transformação, num super-homem, a um tipo de transexualidade.


O homem que causou impacto na cultura pop mundial, François Sagat, de personalidade secreta e discreta, abre-se de coração e nos revela como e porque um jovem gay do interior se tornou estrela, artista, símbolo e lenda pornô. 


Em Sagat: The Documentary, o pornstar apresenta uma mistura de franqueza e fragilidade comovente. E não tem medo de falar sobre seus medos ou rachaduras. Um olhar cativante para um ícone gay como nenhum outro. 



quinta-feira, 22 de abril de 2021

Homem no Banho(Homme au Bain, França, 2010)


O poema de Christophe Honoré sobre o desejo homossexual é em parte um canto de amor pessoal e em parte os rabiscos eróticos de um adolescente excitado. O cineasta chamou o astro pornô François Sagat, também colaborador de Bruce la Bruce, para representar a nudez frontal, ereções e cenas de sexo.

Um cineasta de algum renome internacional vive em um conjunto habitacional precário nos arredores de Paris com um  musculoso sem capacidade intelectual aparente. 


Após Emmanuel (François Sagat) estuprar Omar (Omar Ben Sellem), o cineasta termina com ele e pede que ele saia do apartamento quando voltar de uma viagem promocional à Nova York com sua atriz principal, Chiara Mastroianni, que pode ou não estar interpretando ela mesma.


Emmanuel e Omar passam a semana separados e ambos refletem sobre seu relacionamento. Emmanuel faz sexo com quantos homens consegue colocar suas mãos robustas, enquanto Omar e Chiara conhecem em Nova York um lindo garoto canadense chamado Dustin (Segura-Suarez).


A câmera de Honoré paira sobre o corpo tatuado de Dustin com o mesmo desejo voyeurístico com que ele documenta Sagat, um homem de rosto triste de alcance limitado de atuação, onde o grande atrativo está em sua atlética forma física.


O filme possui uma sensibilidade juvenil o tempo todo, desde a escalação de Sagat até a preocupação com seu traseiro, o tabagismo agressivo e a trilha sonora com músicas da banda indie,Two Door Cinema Club. Ao passar por uma série de encontros sexuais pervertidos, Emmanuel percebe que está apaixonado por Omar, afinal. O título se refere a um nu masculino do artista do século XIX Gustave Caillebotte e, aparentemente, reflete o desejo de Honoré de exaltar corpos masculinos. A lubricidade foi realizada, porém a genialidade de filmes como Canções de Amor e Minha Mãe, infelizmente ficaram ocultas.