Mostrando postagens com marcador Clea Duvall. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clea Duvall. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de março de 2023

Poker Face(EUA, 2023)

Rian Johnson claramente sabe como escrever um ‘quem matou?’ suculento e exagerado. Depois de reviver o subgênero com Knives Out e Glass Onion, ele inverte a estrutura em Poker Face, série da Peacock, de 10 episódios.

A série começa no Frost Casino, em Las Vegas, onde Charlie(Natasha Lyonne) investiga o aparente assassinato de sua boa amiga e colega de trabalho, Natalie (Dascha Polanco). O novo gerente do cassino, Jr. (Adrien Brody), a manipula para usar sua habilidade de identificar mentiras para ajudá-lo a ganhar ilegalmente um jogo de pôquer. Mas seu polígrafo interno não para de pingar, e no final do episódio, Charlie está fugindo do cassino e de seu segurança Cliff (Benjamin Bratt).

Cada mistério da semana começa e revela um culpado. A diversão é assistir a detetive amadora Charlie Cale , que tem um talento nato para identificar mentiras, juntar as peças do quebra-cabeça, usando sua própria frase de efeito: "Bullshit!"


Lyonne agracia a telinha com sua voz rouca fumante, franja ruiva e senso de humor sarcástico. Truques familiares, mas adoráveis, em sua coleção de personagens afetados. Se há uma coisa que a atriz faz de melhor - algo que ela provou desde o momento em que estrelou Nunca fui Santa(1999),  é interpretar personagens queer.


Charlie é rebelde, mas perpetuamente desapontada; anda arrastando os pés em cardigãs amarrotados com uma cerveja na mão, e um cigarro na outra, desmentindo sua inteligência afiada e coração de ouro. A atuação de Lyonne inverte o roteiro, tornando-a um canal, a agulha que desata todos os nós.


Como sua heroína, os criminosos de Poker Face são pessoas comuns com problemas complexos. Impulsionados pela ganância, solidão, inveja ou desespero. Eles também são perfeitos para uma aspirante a detetive em fuga, que muitas vezes lembra os perpetradores de que ela não é policial.


Reconfortante é a lista de estrelas convidadas do show, algumas das quais estão ligadas a Lyonne, como sua melhor amiga, Chloë Sevigny ou Clea Duvall, e outras que ainda nos agraciaram com performances incríveis, como Joseph Gordon-Levitt, Stephanie Hsu e Nick Nolte.


Lyonne costuma parecer comicamente desorientada e cronicamente desconcertada em seu ambiente com um charme que é exclusivamente dela. Poker Face capitaliza totalmente o tipo da atriz: mulheres à margem da sociedade que não têm escolha a não ser abraçar sua alteridade com um toque sarcástico, roupas assumidamente peculiares e coragem.


sábado, 17 de abril de 2021

Nunca fui Santa(But I'm a Cheerleader, EUA, 1999)



Quando Nunca fui Santa começa com líderes de torcida saltitantes ao som de Chick Habit, de April March, já temos noção da viagem estética que a sátira sobre ‘cura gay’, de Jamie Babbit, irá nos proporcionar.

Os sinais parecem claros. Megan(Natasha Lyonne) come tofu, ouve canções de Melissa Etheridge e tem fronhas decoradas com flores ginecológicas de Georgia O'Keeffe. Outra pista: quando beija o namorado, ela fantasia com as líderes de torcida.

Evocando o universo de John Waters, principalmente de obras menos escatológicas como Hairspray, Cry Baby e Polyester, a mãe de Megan é interpretada por Mink Stole, recorrente colaboradora do diretor, o filme aborda a questão da reorientação sexual, ainda hoje existente nos Estados Unidos.

Kimberly(Michelle Williams) junto dos pais de Megan, fazem uma intervenção e a mandam para uma instituição chamada True Directions. A protagonista é confrontada com a evidência de sua orientação, e encorajada por Mike (RuPaul Charles), o reprogramador, a buscar o caminho de volta à ‘vida normal’.


Com um programa baseado em passos, como os de reabilitação, o primeiro é admitir ser homossexual. “Mas eu sou uma líder de torcida” diz Megan, antes que perceba que a atração que sentia pelas colegas de vestiário fazem dela totalmente lésbica.

Mary Brown(Cathy Moriarty) é quem comanda essa instituição, ela é a mãe do belo Rock(Eddie Cibrian), um jovem que parece ter saído de um quadrinho homoerótico. O visual da True Directions é totalmente colorido, em muitos tons de rosa, roxo e lilás.

Pois é buscando o caminho da ‘cura’ que Megan acaba se encontrando ao conhecer Grahan(Clea Duvall), as duas atrizes voltariam a trabalhar juntas novamente em A Intervenção. Uma atração iminente surge e as duas não conseguem fugir aos seus instintos ao dar uma escapadinha ao bar gay Cocksucker.

Apesar de quase todos os personagens queers entenderem sua condição, eles estão lá apenas por imposição dos pais. Cabe a Larry e Lloyd (Richard Moll e Wesley Mann, respectivamente), inestimáveis ​​como dois dos primeiros clientes da True Direction e agora ex-ex-gays, resgatarem as crianças através da 'ferrovia homossexual subterrânea' com a mensagem de 'não importa quem você é, seja você mesmo'. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Alguém Avisa?(The Happiest Season, EUA, 2020)


Clea Duvall sempre foi uma atriz homossexual assumida, o que talvez tenha lhe rendido papéis específicos, mas agora ela tem mostrado seu lado como diretora e deixado transparecer o espírito LGBTQIA+, quase autoral, para sua obra. Primeiro foi A Intervenção, com que protagonizou ao lado de Natasha Lyonne com quem já tinha feito Nunca fui Santa, e agora o ótimo filme natalino Alguém Avisa?


Estrelado por Kirsten Stewart  e Mackenzie Davis, o filme é escrito pela própria Duvall. Com o natal chegando o casal Abby e Harper precisa decidir o que fazer. Harper convida Abby para passar algumas noites com sua família, o detalhe é que não sabem do namoro e muito menos que a filha é lésbica.

O núcleo familiar de Harper é muito rico, com personagens bem construídos e um certo conservadorismo na defesa dos interesses políticos do pai, interpretado por Victor Garber, de Titanic. A mãe é uma daquelas personagens caricatas, que só quer que dê tudo certo no final.

Percebendo que se meteu numa furada, Abby ainda precisa conhecer o ex e a ex de Harper e fingir toda uma situação. São as conversas por telefone com seu amigo gay que a aliviam e rendem ótimos momentos cômicos para o filme.

É tão difícil ver obras LGBTQIA+ natalinas que essa tem um ar de frescor, já que traz todo o clima dos filmes do tipo, com luzes, bonecos de neve e canções, juntos a elementos queer. Alguém Avisa? ainda coloca em questão a eterna decisão de assumir ou não para a família.


Se sentindo excluída, Abby acaba ficando amiga da ex de sua namorada, é quando vão juntas a um bar que as drag queens, Jinkx Monsoon e Ben DeLaCreme, de RuPaul’s Drag Race aparecem fazendo um espetáculo natalino. Muito divertido!


No fim, Alguém Avisa? é um lindo filme de natal, cheio de situações inusitadas, dramas familiares, comédia romântica e coisas fofas, além de dilemas com a homossexualidade. É um longa tão gostoso de assistir que ficamos querendo mais quando acaba. Produzido pelo serviço de streaming Hulu, o filme foi uma aposta no gênero e que no final, deu muito certo.