quarta-feira, 10 de junho de 2026

Lunar Sway (Canadá, 2026)

Nick Butler confirma em “Lunar Sway” que o cinema queer pode ser ao mesmo tempo íntimo, estranho e caótico. Protagonizado por Noah Parker, o longa segue Cliff, um jovem bissexual preso à monotonia da pequena cidade desértica de Mooncrest, cuja vida muda quando uma mulher misteriosa, Marg (Liza Weil), surge afirmando ser sua mãe biológica. O que começa como um drama de reencontro familiar rapidamente se transforma em uma jornada repleta de desvios, segredos e encontros improváveis.

Há algo deliberadamente excêntrico na construção narrativa de Butler. O diretor aposta em uma lógica quase onírica, permitindo que os acontecimentos se acumulem sem a preocupação de oferecer respostas imediatas. O resultado lembra um cruzamento improvável entre o surrealismo de David Lynch e a tradição das comédias independentes norte-americanas. Nem sempre funciona. Em alguns momentos, o filme parece tão apaixonado por suas próprias esquisitices que corre o risco de perder o foco. Ainda assim, existe uma sinceridade emocional que impede que a experiência se torne apenas um exercício de estilo.

A representação queer é uma das forças mais interessantes da obra. O relacionamento de Cliff com Stew (Douglas Smith) carrega uma ternura discreta, enquanto as memórias de amores passados pairam sobre o protagonista como fantasmas sentimentais. Butler compreende que o desejo queer nem sempre é explosão, às vezes é apenas uma sensação persistente de ausência.

 “Lunar Sway” encontra sua personalidade nos desertos iluminados por néons, nos letreiros fluorescentes produzidos por Cliff e nas noites banhadas por luas aparentemente impossíveis. A fotografia de Dmitry Lopatin transforma a paisagem canadense em um território quase mitológico, onde cada esquina parece esconder uma revelação ou uma mentira. O filme vive de atmosferas, de texturas e de sensações.


“Lunar Sway” possui uma frequência particular, revelando uma reflexão sensível sobre amor, pertencimento e a busca por conexões em um mundo cada vez mais fragmentado. Entre humor absurdo, desejo queer e uma melancolia que nunca desaparece completamente, Nick Butler cria uma obra com personalidade.

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