Vencedora do Grand Prix do Series Mania 2026 e responsável pelo prêmio de Melhor Ator para Ignacy Liss, "PROUD" chegou à HBO Max cercada de expectativas. O primeiro episódio deixa claro o motivo. A nova série polonesa criada por Karol Klementewicz não busca um protagonista imediatamente adorável, mas alguém profundamente imperfeito, disposto a tropeçar diante dos nossos olhos antes de qualquer possibilidade de redenção.
A apresentação de Filip Raczyński é quase agressiva. Modelo ocasional, frequentador assíduo da cena noturna queer, impulsivo e hedonista, ele atravessa festas embaladas por música eletrônica, drogas e sexo casual. A câmera acompanha esse universo com uma energia inebriante, transformando o espectador em mais um corpo perdido entre luzes estroboscópicas e pistas de dança. Um cover de "Toxic", de Britney Spears, embalando uma sequência de orgia, sintetiza perfeitamente o espírito desse início: sedutor, caótico e perigosamente instável.
O maior acerto do episódio talvez seja não suavizar Filip para conquistar simpatia fácil. À primeira vista, ele parece egoísta, irresponsável e emocionalmente inacessível. Seu corpo está quase sempre em exposição, seja como objeto de desejo, seja como ferramenta de trabalho. Há algo de performático em sua existência, como se ele próprio fosse incapaz de distinguir onde termina a imagem que projeta e onde começa sua verdadeira identidade.
Mas sob as luzes neon surgem as primeiras sombras. Uma cena aparentemente simples, em que Filip realiza um teste rápido de HIV, revela uma vulnerabilidade que a série não verbaliza, apenas sugere. O resultado negativo não elimina a sensação de inquietação. Pelo contrário, reforça a impressão de um personagem constantemente flertando com limites físicos e emocionais que talvez não consiga controlar por muito tempo.
A virada dramática acontece com a morte repentina de sua irmã. Sem transformar a tragédia em mero mecanismo narrativo, o episódio altera completamente o eixo da história ao colocar um bebê no centro da vida de alguém que jamais demonstrou interesse por responsabilidades. O contraste é poderoso: de um lado, a autodestruição; do outro, a possibilidade de cuidado. O nascimento simbólico de uma nova versão de Filip parece surgir exatamente no momento em que sua antiga vida começa a ruir.
Ainda é cedo para saber se "PROUD" cumprirá todas as promessas sugeridas por sua estreia, mas o primeiro episódio estabelece uma base sólida. Entre o luto, os excessos e a paternidade inesperada, a série discute crescimento, pertencimento e sobrevivência queer em uma sociedade conservadora. O começo oferece mais nuvens do que arco-íris, mas talvez seja justamente essa escuridão inicial que torne a jornada de Filip tão intrigante de acompanhar.
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