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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Pierce (刺心切骨, Singapura/Taiwan/Polônia, 2024)

"Pierce", de Neticia Low, é um thriller psicológico que se desenrola com a precisão de um golpe de esgrima, mas também com a imprevisibilidade de um confronto emocional entre irmãos. A história segue Zijie (Liu Hsiu-Fu), um jovem atleta disciplinado que vê sua rotina abalada com a volta do irmão mais velho, Zihan (Tsao Yu-Ning), recém-saído da prisão após matar um oponente durante uma luta. O reencontro, que poderia ser de reconciliação, rapidamente se transforma em um jogo tenso de influência, manipulação e desconfiança.

Low, que já foi esgrimista, filma esse universo com um olhar quase íntimo. A esgrima não aparece só como cenário, mas como linguagem do filme. Cada movimento, cada aproximação entre os personagens, carrega uma tensão física e psicológica. As máscaras, os uniformes, o silêncio antes do ataque, tudo contribui para essa sensação de que ninguém ali está completamente revelado. Há sempre algo escondido, calculado, esperando o momento certo de avançar.

O grande motor dramático está na relação entre os irmãos. Zihan surge como uma figura magnética e perigosa, alguém que mistura carisma e ameaça de um jeito difícil de decifrar. Ele se infiltra na vida de Zijie com uma presença que parece ao mesmo tempo protetora e corrosiva. Já Zijie oscila entre admiração e medo, como se estivesse preso em uma disputa que não sabe exatamente como enfrentar. Esse conflito é construído com paciência, sem pressa, deixando o desconforto crescer aos poucos.

É dentro desse ambiente tenso que surge a dimensão queer do filme, de forma surpreendentemente delicada. Zijie é gay, e desenvolve um crush tímido e sincero por Hui (Rosen Tsai), um colega de esgrima. O mais interessante é como isso é tratado: sem grandes revelações, sem drama excessivo, quase como qualquer primeiro amor. Zihan, inclusive, percebe rapidamente e incentiva o irmão, transformando o flerte em uma espécie de estratégia de combate. Já a mãe representa um silêncio mais incômodo, sugerindo negação ou recusa. Essa abordagem naturalista, alinhada ao contexto de Taiwan como um país mais progressista em relação aos direitos LGBTQIA+, dá ao filme uma leveza pontual que contrasta com o restante da narrativa.

Esse contraste é fundamental. Enquanto a relação entre os irmãos é marcada por controle, mentira e tensão, o afeto de Zijie por Hui oferece uma espécie de respiro emocional. Não é uma subtrama que domina o filme, mas funciona como contraponto, lembrando que ainda existe espaço para vulnerabilidade e descoberta em meio ao caos. Ao tratar esse romance sem transformá-lo em conflito central, Low reforça uma ideia simples, mas poderosa: histórias queer também podem existir fora do trauma.

“Pierce” é construído como um filme sobre confiança e máscaras, sobre aquilo que mostramos e aquilo que escondemos. Com uma direção segura e performances contidas, Nelicia Low cria um drama que prende não pelo excesso, mas pela tensão constante. Entre golpes calculados e sentimentos mal resolvidos, o filme encontra sua força justamente nesse equilíbrio entre dureza e delicadeza.


quinta-feira, 15 de maio de 2025

O Banquete de Casamento (Xi yan, Taiwan/EUA, 1993)


 “O Banquete de Casamento" , de Ang Lee, é um representante do New Queer Cinema na Ásia, entrelaçando amor gay, tradição familiar e identidade cultural com uma sensibilidade poética. O filme desafia convenções para época ao contar a história de Wai-Tung (Winston Chao), um taiwanês-americano gay, que orquestra um casamento falso com Wei-Wei (May Chin), uma artista chinesa, para aplacar as expectativas de seus pais (Sihung Lung e Ah-Lei Gua).

A trama acompanha Wai-Tung (Winston Chao), que vive em Nova York com seu parceiro, Simon (Mitchell Lichtenstein), em um relacionamento estável, mas escondido dos pais taiwaneses. Sob pressão da mãe (Ah-Lei Gua) e do pai (Sihung Lung), que sonham com um neto, Wai-Tung aceita casar com Wei-Wei (May Chin), sua inquilina, para garantir a ela um green card e acalmar a família. O plano desmorona quando os pais chegam de Taiwan para um banquete suntuoso, transformando a farsa em um redemoinho emocional. A comédia nasce dos choques culturais — os pais tentando decifrar a vida americana, Wei-Wei brincando com o papel de noiva — enquanto o drama cresce nos segredos e na culpa de Wai-Tung.

Os personagens são a alma do filme. Wai-Tung , preso entre dever filial e amor por Simon reflete os dilemas de imigrantes queer. Simon paciente e firme, é o alicerce, enquanto Wei-Wei , com humor e rebeldia, eleva sua “noiva de fachada” a uma aliada complexa. Os pais, especialmente o pai, com saúde frágil e sabedoria silenciosa, ancoram a trama em tradições taiwanesas, mas surpreendem com gestos de aceitação. As interações, pontuadas por olhares e pausas, forjam uma família improvisada que desafia normas, um eco das famílias escolhidas do cinema queer.

A relevância cultural do filme reside em sua ousadia ao abordar questões queer em um contexto taiwanês, algo raro na época. As pressões familiares, enraizadas em valores confucianos de continuidade e honra, chocam-se com a individualidade de Wai-Tung, ecoando os conflitos de imigrantes queer. Ang Lee não aponta culpados, mas convida à empatia, mostrando que amor e tradição podem coexistir. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o filme abriu portas para narrativas asiáticas queer, influenciando gerações. Sua poesia visual e narrativa, desafiadora para os anos 90, continua a inspirar.

Em paralelo com o remake de Andrew Ahn (2025), "O Banquete de Casamento" de Ang Lee mantém uma sensibilidade introspectiva e poética, contrastando com a energia cômica e coreana, além da inclusão sáfica no remake. O original, ambientado nos anos 90, reflete um mundo menos progressista, onde o casamento falso de Wai-Tung é um ato de sobrevivência; o remake transforma a farsa em uma celebração efervescente de aceitação.



sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Silent Sparks (Taiwan, 2024)

"Silent Sparks", dirigido por Chu Ping, mergulha no submundo do crime através da jornada de um ex-presidiário. O filme é uma exploração profunda dos dilemas morais e das escolhas que definem a vida de seus personagens principais, Pua (Guan-Zhi Huang) e Mi-ji (Ming-Shuai Shih).


O filme segue Pua, um ex-presidiário que retorna ao mundo exterior apenas para ser atraído de volta ao crime. A trama se desenvolve quando Pua reencontra Mi-ji, seu antigo companheiro de cela. A reunião não é como esperada, pois ambos são lançados em um turbilhão de decisões difíceis enquanto navegam pela vida no submundo. A narrativa é não linear, misturando flashbacks com a realidade pós-prisão.

Guan-Zhi Huang e Ming-Shuai Shih oferecem performances notáveis, capturando a tensão e a dualidade de seus personagen. Huang, em particular, consegue transmitir a luta interna de Pua entre seu desejo de recomeçar e a gravidade de seu passado. A química entre os dois protagonistas é palpável, sustentando a dinâmica conflitante que é central para o filme. 


Chu Ping demonstra um estilo visual que é sombrio e poético, refletindo o tema do filme sobre as sombras que a vida no crime projeta. A direção é segura, mas às vezes pode parecer excessivamente estilizada, desviando a atenção das emoções cruas que o filme tenta evocar.


O filme aborda temas como redenção, a luta contra a identidade imposta pela sociedade e a corrupção moral. Chu Ping não oferece soluções fáceis, mas sim uma exploração profunda das nuances da moralidade e da escolha pessoal. A crítica social é sutil, focando mais na individualidade dos personagens do que em um comentário amplo sobre a sociedade taiwanesa.


"Silent Sparks", embora não seja perfeito, com alguns momentos onde o estilo pode ofuscar a substância, o filme consegue ser uma história envolvente e uma reflexão sobre a humanidade perdida e encontrada no mundo do crime. Chu Ping prova seu valor como um diretor capaz de criar um universo cinematográfico que é tanto esteticamente bonito quanto emocionalmente retumbante. 




quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Um Romance do Além(Guan yu wo han gui bian cheng jia ren de na jian shi, Taiwan, 2022)


Wu Ming-Han (Greg Han Hsu) é um detetive policial homofóbico que trabalha com seu parceiro Lin Tzu-Ching (Gingle Wang) para derrubar o traficante Lin Hsiao-Yuan (Chen-Nan Tsai). Enquanto persegue um suspeito, Wu pega um envelope vermelho, que foi plantado pela avó de Mao Pang-Yu (Austin Lin), um gay que morreu recentemente em um atropelamento. Wu é forçado a passar por um casamento fantasma com Mao e a única maneira de se livrar da situação é realizar seus desejos de morte.

Um Romance do Além é uma comédia co-escrita e dirigida pelo taiwanês Cheng Wei-Hao. O filme é uma mistura queer com elementos policiais, já que o detetive Wu Ming-Han, revelado na abertura do filme como profundamente homofóbico, se vê marido do fantasma de Mao Pang-Yu. Como parte de seus esforços para ajudá-lo a cruzar, Wu decide resolver o atropelamento que matou Mao e descobre laços com o traficante que a delegacia está tentando derrubar.


O confronto de um homofóbico com seu pior pesadelo também não é exatamente original, as piadas às vezes parecem muito familiares. O que é mais interessante é como Cheng cruza diferentes gêneros. Inicialmente, é sobre os dois homens e como eles querem chegar a um acordo com uma vida juntos. Com o tempo, no entanto, mais e mais elementos do crime são adicionados.

Baseado em um estranho costume chinês, o filme funciona como a fusão perfeita do passado e do presente, enquanto suplica ao público que trate as pessoas com respeito e amor. A mensagem principal é simples: as preferências sexuais de alguém não devem ser um impedimento para tratá-lo com gentileza, porque não custa nada ser gentil.

Um Romance do Além impressiona o público com um roteiro divertido que introduz alguns personagens interessantes enquanto faz com que os dois protagonistas experimentem muitas emoções, terminando em adoração e respeito mútuo.



sexta-feira, 28 de julho de 2023

Dias(日子, Taiwan, 2020)

Young Non (Anong Houngheuangsy) vive em uma grande cidade em algum lugar de Taiwan. Ele trabalha como vendedor nas proximidades, bem como massagista que faz visitas domiciliares. Seus dias geralmente seguem o mesmo padrão, que começa com uma oração matinal em um santuário próximo e termina com um jantar em seu pequeno apartamento. Ele geralmente leva muito tempo para se preparar.

Kang (Lee Kang-sheng) vive em uma grande casa no campo há muitos anos. Na verdade, é muito grande para ele, então ele geralmente está muito entediado. Mas agora, como ele está atormentado por dores estranhas em suas costas e pescoço, ele vem para a cidade, onde espera ser curado. Depois de uma visita ao médico e acupuntura, que lhe deu pouco alívio, ele conhece Non, que lhe dá uma massagem de corpo inteiro em seu quarto de hotel. Depois disso, os dois se separaram novamente, mas o encontro deixou uma profunda impressão em ambos.


O diretor malaio Tsai Ming-liang que havia declarado sua aposentadoria da indústria cinematográfica porque queria se dedicar a outros temas e expressões artísticas,  voltou aos longas-metragens, neste caso misturando os temas e formas dos curtas-metragens com os de sua carreira até hoje. Em um filme sem diálogos.


Os personagens que se encontram podem parecer diferentes em suas origens, mas basicamente lutam pelas mesmas coisas e, portanto, quase inevitavelmente se atraem. A cidade encontra-os em todas as suas facetas – o convívio, o barulho e as suas luzes.


Na segunda metade, no entanto, há uma reviravolta, que também é formalmente enfatizada no resto do filme, porque o encontro íntimo dos dois homens é de um certo calor e proximidade que tem um efeito quase terapêutico em ambos, antes de 


Magnífica fotografia e edição de Chang Jong-yuan, que satisfazem os olhos tanto com imagens estáticas clássicas, quanto quando se trata de filmar Kang com dor na multidão, em primeiro plano e em velocidades supersônicas. O filme, é a demonstração plástica de como não há nada de rígido ou ideológico no cinema de Tsai Ming-liang. 


Este é um filme de longas tomadas observacionais, meditativas e sentimentos ocultos de solidão mapeados no rosto mudo de um ator. Cada quadro subsequente está ficando mais longo, e as cenas variam de estaticamente realmente impressionantes a bastante banais.


Surpreendente, também é o discurso silencioso que consegue transmitir emoções sem uma palavra falada. Como uma caixa de música nas mãos de um jovem tentando superar a agitação da cidade e sua solidão.



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Moneyboys(Áustria/França/Bélgica, Taiwan, 2021)

Fei (Kai Ko) vem de um lugar onde sua orientação sexual não é algo que se fala até o meio da narrativa, mas onde o conhecemos não é a aldeia em que ele cresceu. Em um longo prólogo da trama, vemos ele atravessar a porta de um apartamento onde é recebido por um jovem chamado Xiolai (JC Lin) vestido com um traje espetacularmente todo vermelho. Fei está um pouco inseguro sobre como se comportar e, por um momento, tem-se a impressão de que ele chegou a uma espécie de entrevista de emprego. E de certa forma, esse já é seu período de teste. Quando, alguns momentos depois, um terceiro homem, não tão jovem e bonito, passa brevemente pela câmera, com a barriga pendurada sobre a cueca, fica claro como cristal que Fei é um callboy em seu primeiro dia.

Ao construir a história em torno do ambiente dos moneyboys no sul da China, o diretor C.B. Yi está interessado em explorar algo diferente do modo que um grupo de garotos escolheu para ganhar a vida. O filme trata da migração de jovens do campo, que neste caso, estão trabalhando como michês de classe alta nas grandes cidades. Quase todos vêm da China rural, de comunidades que nunca aceitariam sua homossexualidade, o que significa que sair nunca foi uma questão de escolha. 


Ao optar por filmar as cenas da vida urbana principalmente em ambientes fechados, C.B.Yi mantém um contraste entre a vida rural e urbana chinesa crível evitando o perigo potencial de expor a paisagem arquitetônica de seu set de filmagem real, em Taiwan. Há outra razão por trás da escolha de interiores em vez de exteriores da cidade, o diretor de fotografia Jean-Louis Vialard, de Mal dos Trópicos(2004), usa a limitação dos movimentos de câmera em espaços herméticos para colocar a proximidade ou distância de Fei de outras pessoas sob observação atenta.


Fei se adapta às regras do jogo rapidamente, mas não antes de bater a cabeça contra a parede com força. Em um ponto, ele é brutalmente espancado por um cliente que Xiaolai tentou avisá-lo. Mas o ato de violência afetará fortemente a vida de ambos os jovens, deixando Xiaolai deficiente após uma tentativa ingênua de vingar seu amante e forçando Fei a partir para outra cidade. Nós o vemos cinco anos depois de viver uma vida relativamente boa e basear seu negócio em clientes que o visitam em casa e o pagam muito bem.



Comovente é o momento em que Fei finalmente volta à sua aldeia para ver seu avô moribundo. A mesma família que está contando com sua ajuda financeira desde que ele partiu torna-se abertamente hostil, mas é lá que ele se reconecta com seu amigo de infância Long (Bai Yufan), que logo depois aparecerá em sua porta na cidade. Long não apenas seguirá o mesmo caminho que Fei, ele também se tornará uma parte muito importante de sua vida. 


Moneyboys não se preocupa com a exposição longa e detalhada, em vez disso, lança o público diretamente na ação e no conflito iminente. Isso deixa uma coisa muito clara desde o início: não há longas explicações ou introduções de personagens. Se você quiser notar reviravoltas na história e no desenvolvimento dos protagonistas precisa olhar muito atentamente.


O único aspecto da trama que realmente perpassa todo o filme é a pressão social que pesa sobre Fei. Como um jovem em idade de casar, espera-se que ele encontre uma esposa o mais rápido possível. Essa pressão é onipresente e sempre se reflete nas conversas com amigos e parentes. Além disso, ele encontra incompreensão, ódio e bloqueios de sua família devido ao seu trabalho e sua orientação sexual. Essa ruptura afeta claramente Fei, que não é apenas resolvida de maneira muito compassiva em termos de encenação, mas também é bonita de se ver em termos de atuação.

Cada cena em Moneyboys tem muito a oferecer e, portanto, muito a contar. Em vez de uma experiência visual rigorosa, o resultado é mais um jogo de busca que é muito divertido no início, mas se torna um pouco monótono com o tempo. Mas quando Fei passeia pelas ruas históricas e toda a cena é banhada pela luz neon magenta, não é apenas um belo contraste entre modernidade e tradição, mas também uma imagem maravilhosa para lembrar.


quinta-feira, 4 de março de 2021

Dear Ex(Shei Xian Ai Shang Ta De, Taiwan, 2018)



Misturando elementos de animação a uma fotografia saturada, o longa taiwanês, Dear Ex, de Chih-Yen Hsu e Mag Hsu(Da série My Dear Boy), tem muitos elementos de melodrama, para contar uma trama não tão inédita, mas que é carregada com louvor pela força do roteiro e por seu elenco.

O pai de Song Chengxi(Joseph Huang), o homossexual Song Zhengyuan (Spark Chen)acaba de falecer, deixando tudo ao companheiro Jay(Roy Chiu), para a completa histeria da ex-mulher Liu Sanilan, Ying-Xuan Hsieh, em uma personagem que lembra a progenitora de Xavier Dolan, em Eu Matei minha mãe.

Para o maior desespero da mãe, Song resolve ir morar com Jay, para descobrir o que o pai viu no jovem aspirante a ator. Começa então um complexo relacionamento entre três pessoas completamente diferentes, unidas pelo amor do mesmo homem.

Entrelaçando passado e futuro, a narrativa se revela criativa revelando a origem do romance do pai de Song e sua luta contra o câncer. Movida pela superproteção da mãe, e o desejo de obter o dinheiro para o filho, a relação entre os três, por mais absurda que pareça, ganha verossimilhança graças à performance do elenco.

“Você roubou meus homens” afirma Liu para Jay. Apesar de ser ela quem mais precisa, coloca o filho na terapia para assimilar melhor o luto, e é dessas sessões que brotam as maiores revelações do filme.

A bela trilha sonora, com músicas pop locais, dá ao longa um clima descontraído, mesmo que ele seja dramático ao contar uma história de pessoas que estão quebradas mas  juntando seus próprios pedaços. O filme, disponível na Netflix, é sobre amor, luto e relações humanas.  




domingo, 17 de janeiro de 2021

Seu nome gravado em mim(Your Name Engraved Herein, Taiwan, 2020)


Sucesso absoluto de público e crítica em Taiwan, o longa de Kuang Hui-Liu segue uma fórmula bastante utilizada atualmente, o romance complicado e complexo entre jovens descobrindo a sexualidade, no ensino médio.

Baseado nas experiências pessoais do diretor, o filme começa em 1987, ano que a Lei Marcial foi suspensa em Taiwan. Dois amigos, Jia-han, Eward Chen, e Birdy, Jing Hua Tseng, passam o tempo todo juntos, aflorando assim, mais do que uma amizade. Mas quando Birdy, arruma uma namorada a situação dos dois amigos, muda.

A narrativa não linear do filme, faz com que a história esteja toda sendo contada por Jia-Han a um padre canadense da escola, interpretado por Jean François Blanchard, que diante de um garoto destroçado por amor, se mostra muito solidário.

Taiwan é uma exceção quando o assunto é liberdade sexual na Ásia, por isso a importância desse filme, que discute homofobia, relações familiares e bullying, é gigante e a visibilidade que está ganhando graças a sua chegada na Netflix, o dará ainda mais força. O ativismo é defendido por meio da presença do militante Chi Chia-Wei, que aparece em um protesto com uma roupa feita de camisinhas.

Transtornado com sua paixão avassaladora Jia-han, já não consegue mais lidar com seus sentimentos e se torna descontrolado, ao mesmo tempo em que, na puberdade, está explodindo de testosterona e não pode dividir seu desejo com Birdy, que o rejeita. Jia -han sofre!

O filme tem todos os elementos de um bom melodrama, muita música, a canção de Crowd Lu, de mesmo título do filme, ganhou o prêmio mais importante do cinema de língua chinesa, atuações consistentes, uma direção espetacular, fotografia linda e reviravoltas trágicas.

Mesmo que o discurso de Seu nome gravado em mim, já tenha sido explorado em Hollywood e na Europa, o longa se destaca por ser uma produção asiática, onde a repressão sexual sempre foi muito maior. É um lembrete de como era muito mais difícil se assumir gay, há três ou quatro décadas atrás.