Mostrando postagens com marcador querelle. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador querelle. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de junho de 2021

TOP 10 RAINER WERNER FASSBINDER

Rainer Werner Fassbinder é um dos mais importantes representantes do Novo Cinema Alemão. Durante a sua curta carreira, fez 43 filmes, incluindo a série Alexanderplatz, e trabalhou como ator, cinegrafista, roteirista e produtor. Vindo do teatro ele levou sua trupe ao cinema e fez, em média, um filme a cada 100 dias. Sua disciplina e criatividade efervescentes faziam contraponto com os excessos de sua vida pessoal. Homossexual assumido, predominam em suas obras temáticas relativas à situação de "deslocados" na sociedade alemã pós guerra. Mesmo colocando a homossexualidade em primeiro plano apenas em alguns filmes, em quase todos é possível encontrar personagens ambíguos e marginalizados e sempre notar uma sensibilidade gay. Em 1982, ano de sua morte por overdose, ganhou o Urso de Ouro, por O Desespero de Veronika Voss, sua obra prima Querelle seria lançada postumamente. Recentemente falamos aqui do documentário e também da cinebiografia sobre esse icônico, porém não tão lembrado, diretor. 


10 - O Direito do mais forte é a liberdade(Faustrecht der Freiheit, Alemanha, 1975)



Desempregado e precisando de dinheiro, o malandro e circense Franz "Fox" Biberkopf, interpretado pelo próprio Rainer Werner Fassbinder aceita sair com o elegante Max (Karlheinz Böhm), que o apresenta a seus refinados amigos. No dia seguinte Fox ganha na loteria e continua a circular com Max. Assim conhece Eugen (Peter Chatel), por quem se apaixona, e logo passa a bancar a cara vida burguesa do amado.


09 - Whity(Alemanha, 1971)



Whity(Gunther Kauffman) é um mordomo da família Nicholson, durante o ano de 1878, nos Estados Unidos. O pai, Ben Nicholson, tem uma atraente e jovem esposa, Katherine, e dois filhos de um casamento anterior: Frank, que é homossexual e o antiquado Davy. Tudo parece como um trabalho normal e Whity tenta cumprir todas as ordens que lhe são dadas, até que em um momento os membros da família conspiram para que ele mate uns aos outros.


08 - Lola(Alemanha, 1981)



Anos 1950. Von Bohm (Armin Mueller-Stahl) é um homem sério e moralista, que é o chefe do setor de Edificações de uma pequena cidade alemã. Dele depende a liberação para que o cínico magnata Schukert (Mario Adorf) inicie uma obra que beneficiará os empresários locais. Von Bohm tenta barrar os contatos ilícios de Schukert, até descobrir que a namorada dele é a cantora de cabaré Lola (Barbara Sukowa). Percebendo o interesse de Von Bohm, Suckert passa a usar Lola para conseguir a aprovação de seu projeto.


07 - As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant(Die Bitteren Tränen der Petra von Kant, Alemanha, 1972)



Petra Von Kant (Margit Carstensen) é uma estilista de prestígio autossuficiente, muito inteligente e arrogante. Sua principal companhia é Marlene (Irm Hermann), sua secretária, assistente e empregada, que ela não cansa de explorar. Petra se apaixona perdidamente pela oportunista Karin (Hanna Schygulla) e o conturbado relacionamento abala profundamente suas emoções. Adaptação da peça homônima, escrita pelo próprio Fassbinder.


06 - O Casamento de Maria Braun(Die Ehe der Maria Braun, Alemanha, 1979)



Em meio a Segunda Guerra Mundial, Maria (Hanna Schygulla) se casa com Hermann Braun (Klaus Löwitsch), um soldado alemão. Ele desaparece em combate, mas Maria se recusa a acreditar em sua morte. Trabalhando num cabaré, ela se envolve com um soldado norte-americano, até que o marido reaparece e o amante é acidentalmente assassinado. Hermann assume a culpa e vai para a cadeia, enquanto Maria vai trabalhar com Karl Oswald (Ivan Desny) e logo se torna uma poderosa mulher de negócios.


05- Lili Marlene(Lili Marleen, Alemanha, 1981)



Ao gravar a canção "Lili Marlene", Wilkie (Hanna Schygulla) se torna a cantora mais popular da Alemanha de Hitler. Mas mesmo no auge da fama, não encontra a felicidade por viver um amor proibido com Robert (Giancarlo Giannini), um músico judeu que participa da resistência contra os nazistas. Baseado na autobiografia da cantora Lale Andersen.


04 - Num Ano de 13 Luas(In einem Jahr mit 13 Monden, Alemanha, 1978)



Anos atrás, Erwin contou para o seu sócio Anton que estava apaixonado por ele. Rejeitado, ele decide trocar de sexo e se tornar Elvira, quando conhece uma prostituta e se tornam amigas. Juntas elas vagam por Frankfurt, encontrando pessoas que fracassaram na vida e tentam sobreviver a um ambiente marcado pela brutalidade, solidão e desespero.


03 - O Medo Devora a Alma(Angst Essen Seele Auf, Alemanha, 1974)



Emmi (Brigitte Mira), uma sexagenária viúva alemã, se apaixona por um imigrante muçulmano e negro, 20 anos mais jovem, chamado Ali (El Hedi ben Salem). Eles decidem ficar juntos e enfrentam as opiniões contrárias de família, amigos e vizinhos. Ultrapassando o preconceito e as diferenças culturais e sociais, os dois vão vencendo as dificuldades, mas logo começam a questionar os próprios sentimentos e a validade da relação.


02 - O Desespero de Veronika Voss(Die Sehnsucht der Veronika Voss, Alemanha, 1982)



Vencedor do Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim, O Desespero de Veronika Vöss é umas das obras-primas de Fassbinder. Munique, 1955. Um locutor esportivo conhece a decadente atriz Veronika Voss, uma antiga estrela da UFA, a empresa cinematográfica da Alemanha Nazista. Ele começa investigar o seu passado e as razões que a levaram a se viciar em morfina. Inspirando-se nos melodramas de Douglas Sirk e em O Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, Fassbinder realizou um filme de rara beleza, que conclui sua trilogia sobre a Alemanha dos anos 1950, formada ainda por Lola e O Casamento de Maria Braun.


01 - Querelle - Um Pacto com o Diabo(Querelle, Alemanha, 1982)


O marinheiro francês Querelle (Brad Davis) desembarca em Brest. Marginal e movido pelo desejo, torna-se frequentador assíduo do bordel da cafetina Lysiane (Jeanne Moreau), amante de seu irmão Robert (Hanno Pöschl). Lysiane é casada com Nono (Günther Kaufmann), que costuma jogar dados com os clientes. Quem ganha pode ficar com ela, quem perde deve transar com ele. Querelle perde, de propósito. Baseado na obra de Jean Genet escrita em 1947, o filme possui um clima teatral e claustrofóbico, além de uma atmosfera homoerótica. A belíssima fotografia transmite um eterno pôr do sol destacado por formas fálicas, em torres ou pichações. 

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Fassbinder - Ascensão e Queda de um Gênio(Enfant Terrible, Alemanha, 2020)

Quando Enfant Terrible, cinebiografia do gênio do cinema alemão Rainer Werner Fassbinder, de Oskar Röhler, começa somos transportados a uma sala de teatro em Munique, de 1968, onde  vemos sua trupe de teatro e o diretor, magistralmente interpretado por Oliver Masucci, com seu cigarro e jaqueta de couro inconfundíveis, pensativo com o que viria a seguir. 

E o próximo passo foi levar seu elenco para o cinema, com a realização do primeiro longa O Amor é mais frio que a Morte(1968), e sua recepção com vaias no Festival de Berlim. No entanto o jovem, e ambicioso, Rainer almejava mais e queria se tornar um grande nome do cinema, como Godard.


Röhler cobre a vida de Fassbinder em uma série épica de cenas frenéticas, confrontos nervosos em sets de filmagens, babados em coletivas de imprensa e sexo em saunas, apresentados em cenários pintados como storyboards e uma inebriante iluminação neon. Ao seu lado sempre está Kurt Raab, Harry Prinz incrivelmente parecido com o ator, a quem Fassbinder chama carinhosamente de Emma.


Quando conhece Gunther Kauffman(Michael Klammer), um atrativo negro, o cineasta se encanta, e exige favores sexuais para que o homem possa atuar em seus filmes. O conturbado caso resultou em interessantíssimas obras como Rio das Mortes(1971) e Whity(1971).



Mas quando encontra o mulçumano Ben Hedi Salem(Erdal Yıldız) em um gueto de Paris é que Fassbinder é avassalado e o chama para vir à Alemanha, onde estrelou ao lado de Brigitte Mara(Eva Mattes), o sensacional O Medo Devora a Alma(1974). No entanto, os casos do artista sempre tiveram finais trágicos, o mesmo vale para Armin Meier(Jochen Schropp), cuja vida infeliz inspirou em parte O Direito do mais forte é a liberdade(1975).


O excesso artístico, sexual, tabagístico e alcoólico, inevitavelmente o conduzem a cocaína, que em determinado momento, acaba virando quase um personagem do filme, aquele que levaria o diretor ao seu final obscuro, por overdose, aos 37 anos. Em determinado momento, a atuação de Oliver Masucci, e sua incrível semelhança, se fundem à Fassbinder, e acreditamos estar diante do próprio.


Mesmo sob o efeito de tantas substâncias, Rainer Fassbinder produzia incansavelmente. “Meu dia tem 26h” diz ele à um amante para em seguida cheirar uma carreira. Em um dos tantos momentos memoráveis do filme, ele acaba esbarrando com a travesti Carlotta(André Hennicke) e tem o insight para fazer Num Ano de 13 Luas(1978).


Com seu extraordinário terno de leopardo, cigarro na mão, canudo no bolso e uma personalidade explosiva, Fassbinder trabalhou até o fim. Em 1982, ano de sua morte, finalmente ganhou o Leão de Ouro, por O Desespero de Veronika Voss, e seu encontro com Andy Warhol(Alexander Scheer) parece ter inspirado sua obra prima póstuma: Querelle.


segunda-feira, 19 de abril de 2021

Canção de Amor(Un Chant D'Amour, França, 1950)



Canção de Amor
, única incursão do escritor e dramaturgo Jean Genet no cinema, é um estudo focado nos mesmos temas presentes em sua obra escrita. Entre as apresentações explícitas de masturbação, homossexualidade, violência, vigilância e fantasia, estão também as imagens temáticas persistentes de reflexão, comunicação e engano.

A história central gira em torno de dois prisioneiros vizinhos, um maduro e solitário, o outro jovem e narcisista, e o policial ciumento que abre caminho entre eles. Os dois prisioneiros estão separados pela espessa parede de pedra, mas existem alguns meios de comunicação que são as imagens mais poderosas apresentadas no filme.

O ramo de flores que transita pela grade é uma imagem repetida ao longo do filme, de 26 minutos. O guarda, patrulhando o exterior da prisão, vê essa tentativa de união e se inspira no ato de percorrer as celas internas e espionar os presos. 


O segundo ato de comunicação no filme é o canudo transportando a fumaça pela parede. O cigarro tem um papel interessante no mundo dos prisioneiros porque, embora sua função seja principalmente de confiança, sua imagem é de penetração e ejaculação, e seu conteúdo é simplesmente um reflexo.


A parede que separa os dois prisioneiros ,e o guarda, funcionam como uma analogia da repressão e marginalização homossexual. O próprio filme, por seu conteúdo explicitamente homoerótico foi banido, tendo sido trazido a público muitos anos depois.

O último ato remonta uma fantasia erótica onde o guarda, num momento abusivo, faz um dos prisioneiros colocar a arma na boca simulando sexo oral. O jovem, sozinho em sua cela, sabe que também está ocupando dois sonhos ao mesmo tempo. Este é o seu ato de poder. 


Genet transformou a divisão da prisão em algo como uma mente onde sonhos e fantasias permanecem adormecidos até que algo da realidade os desperte. Canção de Amor apresenta um mundo interior, semelhante a algo da própria consciência, sendo acessado e interagindo com o exterior e apresentando um universo que futuramente seria abordado em obras como Querelle e O Beijo da mulher aranha.

Um dos primeiros filmes explicitamente gays, Canção de Amor é junto aos curtas de Kenetth Anger, como Fireworks(1947), um dos precursores da arte queer e mesmo sem falas, segue até hoje, devido a seu ponto de vista ousado e vanguardista, influenciando gerações de artistas.



sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Querelle, um pacto com o Diabo(Querelle, Alemanha, 1982)


Uma explosão de hormônios. Marinheiros. Homens suados. Fetiches Homossexuais.  Assim é Querelle, último filme do gênio alemão Rainer Fassbinder, lançado meses após sua morte por overdose de cocaína em 1982, aos 37 anos.

Baseado na obra de Jean Genet escrita em 1947, o filme possui um clima teatral e claustrofóbico, além de uma atmosfera homoerótica. A belíssima fotografia transmite um eterno pôr do sol destacado por formas fálicas, em torres ou pichações. 

Tão lindo quanto diabólico Querelle é um marinheiro no Porto de Prest que explora sua sexualidade com homens e com a cafetina Lisyane, interpretada brilhantemente por Jeanne Moreau. Enquanto protagoniza cenas tórridas de sexo também desenvolve uma atração pela criminalidade, tornando-se um ladrão e assassino.

Lysiane é uma grande personagem, a cafetina protagoniza diálogos poéticos e existencialistas e também apresenta um belíssimo número burlesco, onde a letra traz a famosa frase de Oscar Wilde "Todo mundo mata aquilo que ama".

Uma narração que fala dos sentimentos e desejos de Querelle e dos demais personagens dão ao filme um clima onírico, como se fosse quase uma alucinação.

O primeiro beijo num homem. Uma viril masculinidade. O desejo de ser penetrado. A descoberta do amor. Querelle é um mistério a ser desvendado, uma personalidade movida por desejos sendo de ter ou receber prazer. É com certeza a obra prima definitiva do Cinema Queer.