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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

REPRESENTATIVIDADE TRANS NA DIREÇÃO

 

A importância de pessoas trans dirigirem filmes é essencial para o avanço da representatividade e da autenticidade no cinema. Diretores e diretoras trans podem trazer narrativas verdadeiras e nuances de suas experiências pessoais, oferecendo uma visão interna sobre questões de identidade de gênero que muitas vezes são mal compreendidas ou estereotipadas por quem está fora dessa vivência. Isso não só contribui para uma maior sensibilidade e precisão na representação, mas também desafia e expande as narrativas tradicionais, permitindo que o público veja a diversidade humana em suas múltiplas expressões. Além disso, diretores trans podem inspirar e abrir portas para outros indivíduos da comunidade, promovendo a inclusão e a diversidade dentro da indústria cinematográfica. Essa representatividade, no entanto ainda é escassa, mas fizemos uma listinha para ajudar.


Lili e Lana Wachowski



Lili e Lana Wachowski são irmãs diretoras, produtoras e roteiristas americanas, famosas por revolucionar o cinema com obras como a trilogia "Matrix" e "Cloud Atlas". Originárias de Chicago e de ascendência polonesa, elas começaram sua carreira em Hollywood com o filme "Bound" antes de alcançarem sucesso mundial com "Matrix" em 1999. Ambas são conhecidas por sua abordagem inovadora ao cinema, explorando temas profundos como a identidade e a realidade, e por serem mulheres transgênero, contribuindo significativamente para a visibilidade e representação trans na indústria cinematográfica


Isabel Sandoval


Isabel Sandoval é diretora de cinema, atriz e roteirista filipina-americana, conhecida por suas obras que exploram complexidades sociopolíticas e identitárias. Ela ganhou destaque internacional com "Lingua Franca", tornando-se a primeira mulher trans a competir no Festival de Veneza. Seu trabalho é celebrado por sua estética serena e abordagem subversiva aos gêneros cinematográficos, oferecendo um olhar único sobre a experiência de imigrantes e a identidade de gênero. Além de "Lingua Franca", Sandoval dirigiu filmes como "Señorita" e "Aparisyon", e continua a ser uma voz influente e inovadora no cinema independente.

Paul B. Preciado


Paul B. Preciado é um renomado filósofo queer e diretor de cinema, conhecido por sua abordagem inovadora na interseção entre teoria de gênero, sexualidade e cultura visual. Além de sua influência acadêmica, Preciado expandiu seu impacto ao dirigir "Orlando, Minha Biografia Política", um filme que reinterpreta a obra de Virginia Woolf, celebrando a diversidade trans e não-binária. Sua obra tem sido fundamental na discussão sobre identidade e resistência na era contemporânea.

Alice Maio Mackay


Alice Maio Mackay é uma jovem e talentosa diretora de cinema, conhecida por seu trabalho inovador na indústria do horror, especialmente dentro do contexto queer. Aos 19 anos, já havia dirigido cinco longas-metragens, destacando-se por sua abordagem única que combina elementos de terror com representação trans e humor. Seus filmes, como "So Vam" e "Bad Girl Boogey", têm sido elogiados por desafiar as convenções do gênero e por trazer uma nova perspectiva à narrativa cinematográfica.


Emanuele Crialase

Emanuele Crialese é um renomado diretor e roteirista italiano, conhecido por seus filmes que exploram temas profundos de identidade, migração e família. Nascido em Roma em 1965, Crialese estudou cinema na Universidade de Nova York e ganhou reconhecimento internacional com obras como "Respiro" e "Nuovomondo". Seu trabalho mais recente, "L'Immensità", revelou uma faceta pessoal do diretor, trazendo à luz sua própria experiência como pessoa trans, enriquecendo ainda mais seu portfólio com narrativas autênticas e emocionais


Aitch Alberto




Aitch Alberto é uma diretora de cinema nascida em Miami, Florida, conhecida por sua abordagem sensível à narrativa. Ela ganhou destaque com sua estreia na direção de longas-metragens, "Aristotle and Dante Discover the Secrets of the Universe", adaptação do romance homônimo que explora temas de identidade e amadurecimento. Alberto é uma figura importante na indústria, sendo reconhecida por sua contribuição à representação latina e queer no cinema, além de ser uma das poucas cineastas trans a alcançar proeminência em Hollywood.


Jane Schoenbrun


Aclamada por “I Saw the Tv Glow”, Jane Schoenbrun é uma diretora, roteirista e produtora norte-americana, conhecida por seu trabalho inovador no cinema. Nascida em 1987, em Ardsley, Nova York, Schoenbrun ganhou destaque com seu filme de estreia "We're All Going to the World's Fair" (2021), que explorou temas relacionados à internet e identidade de gênero. Identificando-se como não-binária, Schoenbrun traz uma perspectiva única ao cinema, com narrativas que refletem a complexidade das experiências contemporâneas.


Vera Drew


Vera Drew é uma diretora, editora e escritora americana, conhecida por sua abordagem atrevida e humorística no cinema. Ela ganhou destaque com seu trabalho em séries de comédia como "Who Is America?" de Sacha Baron Cohen, onde foi indicada ao Emmy por edição. Vera é particularmente brilhante por seu filme "The People's Joker", uma paródia queer de quadrinhos, refletindo sua habilidade de mesclar humor, identidade e narrativas visuais de forma única. Sua trajetória é marcada por uma autenticidade que desafia as convenções, trazendo vozes e perspectivas sub-representadas para o mainstream.


Yance Ford


Yance Ford é um diretor de cinema e produtor conhecido por seu trabalho em documentários, destacando-se com o filme "Strong Island", que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Documentário e um Emmy. Ford é também reconhecido por ser o primeiro diretor transgênero a ser indicado ao Oscar, trazendo uma perspectiva única e autêntica sobre temas de justiça racial e identidade. Seu trabalho é amplamente elogiado por sua profundidade e impacto cultural, tendo recebido diversos prêmios e reconhecimentos na indústria cinematográfica


River Gallo


River Gallo é uma diretora, atriz, escritora e ativista intersexo de origem salvadorenha-americana que vem ganhando destaque no cenário cinematográfico. Conhecida por seu trabalho em "Ponyboi", um curta-metragem que escreveu, estrelou e co-dirigiu, River se tornou uma voz importante ao abordar temas de identidade de gênero e representação. Também dirigiu o documentário "Everybody", dedicado à pessoas interesexo. POSTS RELACIONADOS: 20 ANOS DE DIA DA VISIBILIDADE TRANS

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

20 ANOS DE DIA DA VISIBILIDADE TRANS

Hoje é 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans, data que foi instituída em 2004, e desde então celebra a evolução e as conquistas da comunidade transgênero em nossa sociedade. Nesse dia, a  página separou algumas dicas, com narrativas e pessoas trans por trás ou na frente das câmeras. 

Valentina(Brasil, 2020)



Valentina, de Cássio Pereira dos Santos, é um coming age moderno, que conta a história de uma adolescente trans, interpretada por Thiessa Woinbackk,que luta para ter o seu nome social na nova escola que foi matriculada na cidade em que se mudaram, no interior de Minas. A jornada de Valentina vai ao encontro de um caminho de descobertas, revelações, novas amizades e amadurecimento.



Meninos não Choram(EUA, 1999)



História de um garoto trans. Brandon Teena, morador de uma pequena cidade americana. Baseado em fatos reais, o roteiro mostra os violentos preconceitos que sofre quando sua transgeneridade é revelada. Um brutal e cruel retrato de transfobia, que rendeu à Hillary Swank, o Oscar de Melhor Atriz. Com Cloé Sevigny e Peter Sarsgaard, no elenco, o filme é um grito de socorro da comunidade LGBTQIA+, que ainda hoje segue passando tipos de situação assim


Mutt(EUA, 2023)



No filme, de Vuk Lungulov-Klotz, Feña que tenta manter sua vida estável durante uma noite e um dia caóticos, em Nova York, em que o passado continua se afastando dele enquanto o presente lança novos obstáculos. Ele quer desesperadamente convencer seus amigos, familiares e, principalmente, a si mesmo de que ele não é um perdedor, mas isso se mostra difícil.


Uma Mulher Fantástica(Chile, 2017)


Vencedor do Oscar de Filme Internacional, o filme conta a história de Marina, a ótima Daniela Vega,  uma mulher trans. Quando seu parceiro, um homem de meia idade, morre, ela se vê diante da raiva e do preconceito da família dele. Ela luta por seu direito de sofrer - com a mesma energia ininterrupta que ela exibiu quando lutou para viver como uma mulher. 


Lingua Franca(EUA/Filipinas, 2019)


Profundo e sentimental, o filme ganhador do Queer Lisboa, mira na alma, e acerta em cheio. Seu grande ponto alto, no entanto, é que a história é narrada e conduzida por uma mulher trans, Isabel Sandoval. Finalmente, estamos frente a tal visibilidade.


Paloma(Brasil, 2022)


Paloma, de Marcelo Gomes, é um filme baseado em fatos reais que denuncia a transfobia. O roteiro de Gustavo Campos, Armando Praça e Marcelo Gomes, parte de fatos reais para ficcionalizar esse drama que expõe a violência machista por questões de gênero.


Tomboy(França, 2011)



No filme de Céline Sciamma, Laure (Zoé Héran) é uma garota de 10 anos, que vive com os pais e a irmã caçula, Jeanne (Malonn Lévana). A família se mudou há pouco tempo e, com isso, não conhece os vizinhos. Um dia Laure resolve ir na rua e conhece Lisa (Jeanne Disson), que a confunde com um menino. Laure, que usa cabelo curto e gosta de vestir roupas masculinas, aceita a confusão e lhe diz que seu nome é Mickaël. A partir de então ela leva uma vida dupla, já que seus pais não sabem de sua falsa, porém verdadeira, identidade de gênero


Num Ano de 13 Luas(Alemanha, 1978)




Em 1978, o gênio do cinema alemão Rainer Fassbinder já estava muito a frente de seu tempo e tratava com naturalidade temas como redesignação de sexo e transexgeneridade. Num Ano de 13 luas, filme intimista que realizou após a morte de um namorado, é um triste retrato de uma transgênero que sofre com sua condição e vive uma jornada existencial de desprezo e humilhações. Como toda a obra do diretor, o filme é impregnado de analogias e crítica social.


O Funeral das Rosas(Japão, 1969)


A obra prima e imersiva, de Toshio Matsumoto, relata a história de Eddie, uma trans excepcionalmente bonita e uma das melhores hostess em um dos mais famosos clubes noturnos do Japão. Eddie tem um amor obsessivo pelo proprietário do clube, que já está envolvido com, Leda, uma travesti madura e ciumenta. Eddie tem flashbacks confusos de sua infância: do seu pai sempre ausente e lembranças nebulosas e estranhas de sua mãe. Ela tem uma fotografia escondida em seu apartamento - mas o rosto na foto de seu pai foi queimado por sua mãe há alguns anos. À medida que o filme avança, começa-se a entender melhor a mente de Eddie e a juntar os pedaços da verdade terrível sobre o seu passado violento.


Vestida de Azul(Espanha, 1983)



o diretor espanhol Antonio Gimenez Rico estava inovando ao retratar a realidade de mulheres trans em seu país, em um período, de transição, pós ditadura franquista. Vestida de Azul é simplesmente um ícone sobre transgeneridade na Espanha. O filme narra a história real de Lorena, Reneé, Nacha, Tamara, Eva e Josette, contadas por elas mesmas.



Lola e o Mar(Bélgica, 2019)


O filme de Laurent Micheli, não se propõe a uma discussão profunda sobre identidade de gênero, não aquele gênero que estamos acostumados a nos ver atribuídos ao nascimento. Não há questão de fluidez, já que a heroína nascida Lionel vive e se vê como Lola, uma jovem mulher.


Vera(Brasil, 1986)


Vera é um homem trans que prefere ser chamado de Bauer. Embora afirme que é um homem, a sociedade não tolera e o vê como uma mulher lésbica. O filme, de Sérgio Toledo, é um marco do cinema nacional, por anos antes da retomada, trazer à tela um tema urgente, o da transexualidade masculina. Essa pérola, premiou Ana Beatriz Nogueira com o Urso de Prata, por sua atuação, no Festival de Berlim, mas passou anos esquecido e está enfim, sendo redescoberto.


Kokomo City(EUA, 2023)


Ousado, desinibido e direto são apenas alguns adjetivos para descrever o retrato fascinante, íntimo e honesto de D. Smith da vida de quatro trabalhadoras do sexo trans negras, Daniella Carter, Dominique Silver, Koko Da Doll e Liyah Mitchell. Das avenidas de Nova York às ruas de Atlanta, a intimidade com que cada mulher relata suas experiências e observações é única.


Monica(Itália/EUA, 2022)


Monica (Trace Lysette), uma mulher transgênero, está afastada de sua mãe, Eugenia (Patricia Clarkson), há 20 anos. Quando descobre que Eugênia está doente, ela volta para sua cidade natal para ajudar a cuidar dela. Ela também reencontra seu irmão, Paul (Joshua Close), que chega lá com sua esposa, Laura (Emily Browning) e seus filhos. O diretor Andrea Pallaoro tece uma exploração lírica e comovente do amor, compaixão, perdão, reconciliação e cura da dor emocional.


Transversais(Brasil, 2021)


O filme acompanha a vida de cinco pessoas, que possuem em comum, o fato da vida ser atravessada pela transgeneridade. Érikah é professora, Samilla é funcionária pública. Caio é paramédico, Kaio Lemos é pesquisador. Mara é jornalista e mãe de uma adolescente trans, Lara. Os cinco têm origens, formações e classes diferentes. 



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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Lingua Franca(EUA/Filipinas, 2019)


Em tempos onde as mulheres ainda lutam por espaço na direção de produções, é uma vitória que uma diretora trans, tenha chegado ao ao celebrado Festival de Veneza, com seu longa da estreia. Se trata da filipina Isabel Sandoval, que roteiriza, dirige e protagoniza Língua Franca.

O longa conta a história de Olivia, uma trans que trabalha como cuidadora de idosa, e está ilegal nos EUA, esperando alguém para que possa ‘casar’ e conseguir o green card, em plena era Trump, onde as deportações estavam ocorrendo em massa.

A melancolia que Sandoval transmite em sua atuação é imensa. Olivia é uma personagem vulnerável, que vive com medo, enquanto precisa cuidar de seus afazeres, sem que a senhora para quem trabalha descubra nada. 

Isabel Sandoval se mostra competente na direção criando um filme bastante intimista que fala de solidão. Quando se envolve com o empregado de um matadouro, a sorte parece mudar para Olivia, que, iludida com o amor, acredita que possa casar com ele e ter seu sonhado visto.

Apesar de bonito e bucólico, o filme é desconfortante, principalmente nos momentos em que Olivia precisa mostrar seus documentos, ou quando ouve a expressão ‘trava’ da boca dos amigos de seu amado.

Profundo e sentimental, o filme ganhador do Queer Lisboa, mira na alma, e acerta em cheio. Seu grande ponto alto, no entanto, é que a história é narrada e conduzida por uma mulher trans. Finalmente, estamos frente a tal visibilidade.