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segunda-feira, 14 de julho de 2025

Femme (Reino Unido, 2021)

"Femme" , de Sam H. Freeman e Ng Choon Ping, é um curta-metragem que, em apenas 18 minutos, entrega uma experiência intensa e envolvente. A trama, que em 2023 se transformou num potente longa, segue Jordan (Paapa Essiedu) que entra no carro de um traficante (Harris Dickinson) e logo se vê em uma situação perigosa. O que começa de forma equilibrada rapidamente ganha camadas de tensão. A habilidade do filme em desafiar o previsível é um dos seus maiores êxitos.

Paapa Essiedu está simplesmente incrível como Jordan. Ele traz o carisma necessário para  um personagem que, em tão pouco tempo, conquista o espectador. Do outro lado, Harris Dickinson dá vida ao traficante com uma intensidade crua, encarnando a masculinidade tóxica de um jeito que arrepia e complementa os temas do filme. A química entre os dois é elétrica, carregando a história com uma energia que faz toda a diferença.

O estilo visual de "Femme" é um show à parte. Com cores vibrantes e uma cinematografia afiada, o filme cria uma atmosfera que intensifica a tensão e a energia da narrativa. A direção de Freeman e Ping injeta um movimento dinâmico e uma vibe jovem que tornam tudo mais fascinante. Não é só um pano de fundo bonito, os visuais trabalham junto com a trama, puxando ainda mais pra dentro da história.

O lance queer em "Femme" é tratado com respeito e coragem. O curta adentra em temas pesados como homofobia e masculinidade tóxica, mas foge dos clichês batidos que já conhecemos. A abordagem é fresca e provocativa, cutucando feridas de um jeito inteligente e sem medo.

A direção e o texto são o motor de "Femme". Sam H. Freeman e Ng Choon Ping constroem uma narrativa que começa tranquila e vai acelerando aos poucos, com um controle impressionante da tensão. Tudo cresce de forma orgânica até o clímax. Mas como aqui, o tempo é limitado, é catarse pura, enquanto no longa os diretores conseguiram expandir o universo dos personagens. 


Exibido em Festivais e premiado no British Independent Film Awards "Femme", de 2021, é um achado, para quem como eu, ama “Femme”, de 2023.  É visceral, ousado, intenso e surpreendente, do início ao fim. É o tipo de cinema que provoca e realmente deixa muitas margens para a criação de um longa.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

TOP 10 FILMES LGBTQIA+ 2024

 

Lista é lista! É pessoal e gera debate e desacordo. Eis que com muito esforço, consegui eleger os meus 10 favoritos de 2024, que foi um ano marcado por narrativas, não apenas queer, mas que saíram da caixa.

2024 foi lindo para o cinema queer, com filmes ganhando visibilidade por todos os lados.  Foi um ano onde nosso cinema mais uma vez ganhou reconhecimento internacional e que filmes de temática LGBTQIA+ tiveram mais espaço, tanto em festivais, quanto nas Salas de Cinema, ainda que com distribuição limitada.


A lista inclui filmes de 2023 e 2024, majoritariamente lançados esse ano, e alguns ainda inéditos em circuito.


10 - Love Lies Bleeding - O Amor Sangra(Love Lies Bleeding, Reino Unido/ EUA, 2024)



Juntas, Kristen Stewart e Katy O’Brian, as mulheres do filme de Rose Glass, explodem com uma paixão que não é mostrada apenas em suas cenas de amor, mas com a conexão de seus espíritos. Lou e Jackie imediatamente apoiarão uma à outra, não importa o que aconteça. 




Salão de Baile, de Juru e Vitã, oferece um olhar da favela para a cultura ballroom. Originária das comunidades periféricas de Nova York, essa manifestação artística ganhou o mundo, mas demorou para que tal visibilidade chegasse, mesmo com um hino POP que a exaltava.

08 - I Saw the TV Glow (EUA, 2024)

"I Saw the TV Glow" é um exame sonhador, mas com tons de horror, da experiência queer especificamente trans. Esse é um dos aspectos definidores da narrativa, que a roteirista e diretora Jane Schoenbrun, ela mesmo transgênero, tem destacado em aparições na mídia para que ninguém entenda mal as escolhas feitas.


07 - Sem Coração (Brasil/França/Itália, 2023)



O filme, de Tião e Nara Normande,  é um microcosmo da própria vida repleto de momentos únicos e inesquecíveis, retratando um espectro de experiências humanas, da alegria à tristeza, da perda ao ganho, do medo do desconhecido à descoberta do amor profundo.



A animação em stop-motion, de Adam Elliot, se desenrola na Austrália dos anos 1970 e acompanha a vida de Grace Pudel, uma jovem melancólica e colecionadora de caracois, romances e porquinhos-da-índia. Após a morte prematura de sua mãe durante o parto, Grace e seu irmão gêmeo, Gilbert, são criados por seu pai, Percy, um ex-jongleur paraplégico e alcoólatra. A tragédia volta a assombrar a família quando Percy morre, levando à separação dos irmãos, que são enviados para lares adotivos diferentes.



O filme conta a história de um artista drag queen chamado Jules (Nathan Stewart-Jarrett), que se torna alvo de um ataque homofóbico nas mãos de Preston (George MacKay) e seu grupo de amigos. Meses depois, Jules reconhece seu agressor em uma sauna gay e decide se vingar.


04 - Todos nós Desconhecidos (Reino Unido/EUA, 2023)



Muita gente não irá concordar, eu, porém convivo com o luto desde a infância e a conexão com o personagem Adam, de Andrew Scott foi imediata. O longa de Andrew Haigh é um acerto de contas com o passado, mas também um conto sombrio e melancólico sobre solidão e lidar com traumas.


03 Queer (Itália/EUA, 2024)



Com "Queer", Luca Guadagnino cria uma das adaptações literárias mais ousadas da memória recente. Ele pega a estranha e inacabada obra dw William Burroughs e a transforma em uma experiência cinematográfica sensorial, quase palpável que supera o livro. O filme permanece intensamente íntimo. Nas mãos habilidosas do diretor, "Queer", que pode ser considerado seu melhor trabalho até agora, transcende suas origens não convencionais para se tornar um retrato assustador da obsessão humana

02 - Baby(Brasil/França/Países Baixos, 2024)



"Baby", o segundo longa-metragem do diretor Marcelo Caetano, conhecido por "Corpo Elétrico",  narra a história de Wellington, um jovem recém-libertado de um centro de detenção para menores, que se encontra perdido e sem rumo pelas ruas de São Paulo. Em um cinema pornô, Wellington, agora apelidado de "Baby", conhece Ronaldo, um garoto de programa mais experiente que o toma sob sua proteção para ensiná-lo as artimanhas da sobrevivência na cidade.


01 - Caminhos Cruzados (Crossing, Suécia/Dinamarca/França/Turquia/Geórgia, 2024)


Em uma jornada de autodescoberta e aceitação, duas mulheres de gerações distintas se encontram por acaso. Uma delas, uma jovem transgênero que presta assessoria a outras mulheres trans em Istambul, e a outra, uma mulher mais velha que busca pela sobrinha desparecida, uma mulher trans renegada na Georgia. Juntas, elas embarcam em uma viagem emocional que as leva a explorar seus próprios caminhos cruzados, enfrentando preconceitos, descobrindo segredos familiares e encontrando uma conexão profunda que transcende as barreiras sociais.


GOSTOU? QUE FILME FICOU FALTANDO? LÁ NO LETTERBOXD, DA PÁGINA, ESTENDEMOS  PARA UM TOP 20.



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segunda-feira, 1 de julho de 2024

TOP 10 - 1º SEMESTRE DE 2024

 

Com a chegada de julho, já é possível fazer um balanço do que o Cinema LGBTQIA+ nos trouxe de melhor até aqui. A lista que segue inclui títulos, de 2023 e 2024, alguns lançados, vistos nos cinemas ou streaming, outros não, mas que vi por meios alternativos, e segundo essa página são os melhores do ano até agora!


10 - The Missing(Iti mapukpukaw, Filipinas/Tailândia, 2023)


A animação, de Carl Joseph E. Papa, lança luz sobre os efeitos indescritíveis do trauma e do luto. Mas, mais importante, ressalta o papel vital que uma dose saudável de sistema de apoio pode desempenhar para ajudar alguém a navegar em sua jornada para derrotar seus monstros pessoais.


09 - Rivais (Challengers, EUA, 2024)


Luca Guadagnino e o roteirista Justin Kuritzkes, voltam a trabalhar juntos, desta vez em uma história de ascensão ou incursão atípica ao gênero de filmes esportivos. Embora também haja muito tênis jogado, o longa é mais sobre o amor, o sexo e as energias que eles liberam.


08 - All the Colours of the World Are Between Black and White(Nigéria, 2023)



Ganhador do Teddy, em 2023, no Festival de Berlim, o filme escrito e dirigido por Babatunde Apalowo, e lindamente filmado por David Wyte, nos apresenta Bambino (Tope Tedela), que ganha a vida como um entregador que se desloca pela hostil cidade de Lagos em uma motocicleta, e também Bawa (Riyo David), dono da Click Photography,


07 - Queendom (EUA/França, 2023)

O documentário, de Agniia Galdanova, apresenta-se como um retrato que se expande progressivamente para um olhar mais coletivo, onde Gena Marvin manifesta com sua performance como  ativista global representando um grupo de pessoas que não são aceitas em seu país, a Rússia.


06 - Sebastian (Reino Unido/Finlândia/Bélgica, 2024)



Sebastian, de Mikko Mäkelä, faz comentários marcantes sobre muitas dualidades da prostituição, bem como a desconstrução dentro da narrativa LGBTQIA+. Está longe de ser sutil, mas os temas levam a lugares interessantes.


05 - Femme(Reino Unido, 2023)

O filme conta a história de um artista drag queen chamado Jules (Nathan Stewart-Jarrett), que se torna alvo de um ataque homofóbico nas mãos de Preston (George MacKay) e seu grupo de amigos. Meses depois, Jules reconhece seu agressor em uma sauna gay e decide se vingar.


04 - Sem Coração (Brasil/França/Itália, 2023)



O filme, de Tião e Nara Normande,  é um microcosmo da própria vida repleto de momentos únicos e inesquecíveis, retratando um espectro de experiências humanas, da alegria à tristeza, da perda ao ganho, do medo do desconhecido à descoberta do amor profundo.


03 - Love Lies Bleeding - O Amor Sangra(Love Lies Bleeding, Reino Unido/ EUA, 2024)

Juntas, as mulheres, do filme de Rose Glass, explodem com uma paixão que não é mostrada apenas em suas cenas de amor, mas com a conexão de seus espíritos. Lou e Jackie imediatamente apoiarão uma à outra, não importa o que aconteça. 


02 - I Saw the TV Glow (EUA, 2024)

"I Saw the TV Glow" é um exame sonhador, mas com tons de horror, da experiência queer especificamente trans. Esse é um dos aspectos definidores da narrativa, que a roteirista e diretora Jane Schoenbrun, ela mesmo transgênero, tem destacado em aparições na mídia para que ninguém entenda mal as escolhas feitas. 


01 - Todos nós Desconhecidos (Reino Unido/EUA, 2023)


Muita gente não irá concordar, eu, porém convivo com o luto desde a infância e a conexão com o personagem Adam, de Andrew Scott foi imediata. O longa de Andrew Haigh é um acerto de contas com o passado, mas também um conto sombrio e melancólico sobre solidão e lidar com traumas.



quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Femme(Reino Unido, 2023)

SINOPSE: Femme conta a história de um artista drag queen chamado Jules (Nathan Stewart-Jarrett), que se torna alvo de um ataque homofóbico nas mãos de Preston (George MacKay) e seu grupo de amigos. Meses depois, Jules reconhece seu agressor em uma sauna gay e decide se vingar.

Quando Jules (Nathan Stewart-Jarrett) está no palco, ele está acostumado com os aplausos, como a drag queen Aphrodite Banks. Ela é um evento em Londres. Mas quando se depara com as pessoas erradas em um mercado, comprando cigarros, e, após uma breve provocação, é brutalmente espancado por um deles.

Após o ocorrido, Jules está quase irreconhecível. Ele evita ocasiões sociais e não se apresenta mais. Quando ele vai a uma sauna gay, ele mal consegue acreditar em seus olhos. Preston (George MacKay), está lá, o homem que abusou e o traumatizou. Em vez de fugir, no entanto, Jules busca a proximidade do bandido, que não o reconheceu, e bola um plano.


Jules e Preston começam a se relacionar regularmente para o sexo. A relação deles é brutal. Traficante de drogas, Preston banca seus encontros em restaurantes caros, mas ele tem problemas extremos de gerenciamento de raiva e está no armário e foge do controle de qualquer coisa que Jules faça que possa expor seu relacionamento. O sexo deles é selvagem e sem coração, sem beijos, mas ambos parecem gostar assim. Jules tenta criar oportunidades para filmar Preston para sua vingança, mas é difícil e ele arrisca a ira de Preston se ele for exposto. 


A mistura de drama LGBTQIA+ e suspense é bastante fascinante. Entre outros, Sam H. Freeman e Ng Choon Ping, que co-dirigiram e escreveram o roteiro, lidam com o tema da identidade e como ela pode ser fluida. Isso não se aplica apenas a Jules, que alterna entre sua persona de palco e o seu cotidiano. Preston também se comporta de forma diferente, dependendo do contexto em que o vemos. 

Femme é moralmente conflituoso até suas raízes, já que Jules busca inverter o roteiro e derrubar Preston quando ele está mais confiante, que foi justamente o que aconteceu com ele. Essa dinâmica de poder se desenrola de maneiras profundamente intensas que se tornam cada vez mais desconfortáveis, à medida que suas jornadas pessoais de gênero e sexuais chegam a um clímax bombástico. 


Stewart-Jarrett é impecável como Jules, sem medo de abraçar os cantos mais sombrios da história. MacKay é uma força absoluta, tecendo sem esforço nuances nas inseguranças de Preston que emergem em explosões de ódio aterrorizante. Juntos, eles geram um motor interminável de tensão que se recusa a desistir.


Personagens imprevisíveis e vulneráveis aumentam a tensão, assim como a dinâmica de poder em evolução entre Jules e Preston. O tema do poder percorre todo o filme... poder queer, poder drag, perder poder e recuperar poder. Trilha sonora, cenas realistas de sexo e vida noturna se combinam para alcançar uma história queer totalmente crível.