O Pranto do Mal, estreia de Pedro Martín-Calero em longas-metragens, é um terror psicológico que entrelaça as vidas de três mulheres — Andrea (Ester Expósito), Marie (Mathilde Ollivier) e Camila (Malena Villa) — unidas por um choro sobrenatural que atravessa tempos e lugares. Lançado em 2024 e premiado como Melhor Diretor em San Sebastián, o filme, coescrito com Isabel Peña, foi rodado em Madrid, e destaca-se por sua estética impecável e uma abordagem única ao gênero. A narrativa usa essa presença opressiva como um eco de violência e desamparo, criando uma experiência que ressoa além do terror tradicional.
quarta-feira, 26 de março de 2025
O Pranto do Mal (El Llanto, Espanha/Argentina/França, 2024)
domingo, 2 de outubro de 2022
Rainbow(Espanha, 2022)
Em Rainbow, a reinvenção de O Mágico de Oz pela mente do espanhol Paco León, Dora(Dora Postigo) é uma adolescente com um talento extraordinário para a música e uma energia interior difícil de conter. Após uma forte discussão com o pai em seu aniversário, Dora sai de casa na companhia de seu cachorro Totó e inicia uma jornada em busca de sua mãe, que nunca conheceu porque desapareceu.
Ao longo do caminho, ela faz novos amigos com quem embarca em uma viagem para Capital City, mas também enfrenta inimigos perigosos que tentam impedi-la de descobrir o mistério de seu passado por todos os meios. Mas a vitalidade e a magia de Dora a ajudam a chegar ao fim de sua jornada, que é o início de outra.
Por esse caminho, encontra-se uma realidade que Dora percebe de uma forma muito diferente: fantasia, música e ritmo se unem em seus olhos, mas também em seu coração, ela tem um jeito muito peculiar de sentir e vivenciar as coisas, algo que suaviza muito a realidade que às vezes é chocante.
Dora pode ser diferente em muitas coisas, mas em sua busca pela verdade, ela descobre que, no fundo, todos querem o mesmo. A intenção de Dora é clara: conhecer sua mãe. Mas essa intenção vale muito mais do que saber quem é Pilar: saber quem ela é, encontrar sua própria identidade, desenvolver-se como pessoa e ser livre para escolher o caminho que quer seguir. Essa é a verdadeira busca.
O império da beleza se manifesta ao longo do filme como um símbolo de superficialidade e hipocrisia, mas também como um mundo de poder e controle dominado por Coco, personagem de Carmen Maura, que vive uma relação abusiva com sua assistente Maribel(Carmen Macchi). Rossy de Palma e Ester Exposito fazem vislumbres como modelos da marca de Coco.E além do arco-íris, a conexão que une a todos como um ser, um mundo onde injustiça, violência, xenofobia, homofobia, misoginia, maus tratos se transformam em tolerância, respeito, empatia, assertividade e afeto.
Rainbow é um filme com muita ternura. Isso se mostra, sobretudo, em como Dora percebe aquele mundo e como a personagem é capaz de mudá-lo com a música. Uma explosão de cores e imagens espetaculares. O filme apresenta uma grande variedade cromática de luz e textura, não só na fotografia, mas também no figurino e na maquiagem.
Rainbow é um filme com cores de esperança, sinal de que tudo é muito mais simples do que pensamos. A escolha de si mesmo não deve ser imposta, nem tomada pelo que a maioria diz, nem condicionada por uma razão de raça, sexo ou religião.
terça-feira, 3 de novembro de 2020
Veneno(Espanha, 2020)
A série é um retrato apaixonante e lúdico da história da Espanha, desde seu conservadorismo até a sua efervescente cultura POP, abordando sobretudo os bastidores da TV e da prostituição. Logo no primeiro programa temos Lola Dueñas, de Volver e Os Amantes Passageiros e Ester Exposito, de Elite e Alguém tem que morrer, como duas produtoras de um programa dos anos 1990, Mississipi.
A série conta a história do ponta de vista da ativista trans, Valéria Vega, autora do livro, ¡Digo! Ni puta, ni santa. Las memorias de La Veneno, e uma das personagens mais importantes, interpretada brilhantemente por Lola Rodriguez. Através desses relatos, a estética é construída, absolutamente poética e crua ao fotografar o submundo que transexuais estão fadadas.
Conhecemos a cena Trans espanhola a partir dos anos 1990, vemos como elas batalham, as gírias que usam, o quão autênticas são. Lembram das personagem Agrado, de Almodóvar? Pois é. Tem muita dessa autenticidade em Veneno.
Cada episódio se encontra definitivamente encerrado e independente. A série transgride a personalidade obscura de La Veneno à momentos kitsch, como a personagem Paca “La Piraña”, interpretada em sua fase mais velha, por ela mesma. O elenco trans se destaca com nomes de Lola Rodriguez, Isabel Torres, Daniela Santiago, Jedet Sanchez, entre tantas outras singulares coadjuvantes.
A história do pequeno Joselito vai se moldando desde que sai de seu pequeno pueblo, para poder ser livre, até ir lentamente construindo a figura de Cristina, que graças à TV foi uma das travestis mais queridas da Espanha, por sua personalidade explosiva. Ao mesmo tempo que vemos sua glórias nos anos 1990, também vemos sua decadência, que a levou a uma morte misteriosa, em 2016, pouco tempo depois do livro ser lançado. A personagem é interpretada por três diferentes atrizes, para caracterizar bem suas diferentes fases. Isabel Torres, que a interpreta mais velha é quem realmente dá show de interpretação, principalmente nas cenas em que passa pela cadeia.
Com destaque para o núcleo familiar, a relação com a mãe é insuportável, enquanto os irmãos a acolhem e isso principalmente irá transparecer no último episódio. A mãe é a típica figura ríspida que não aceita a homossexualidade do filho de jeito nenhum e entra em total negação quando descobre sua transexualidade. A trilha sonora com sucessos de Pet Shop Boys, Natalia Imbruglia, Javiera Parra, The Cranberries, Cindy Lauper, a própria Cristina 'La Veneno', e uma canção composta para a própria também é um deleite.
A série, de oito episódios possui uma ambientação impecável, com homens, luxo, glamour e muito silicone. O programa é necessário por trazer voz e representatividade à pessoas trans e consequentemente tolerância e respeito. Veneno é uma catarse transgênero que está disponível no Brasil, pela HBO Max.
sábado, 17 de outubro de 2020
Alguém tem que morrer(Alguién tiene que morir, Espanha/México, 2020)
A família Falcón está a espera do filho Gabino, Alejandro Splitzer de Desejo Sombrio. Ele chega do México acompanhado de Lázaro um amigo bailarino e logo acaba gerando rumores sobre sua sexualidade, embora em negócios escusos de seu pai com a família Santos, ele esteja prometido a Cayetana, Ester Exposito da série Elite.
Tão bela quanto perversa Cayetana fará da vida dos dois amigos um inferno, para que possa expor sua sexualidade e seus segredos, pois se sente rejeitada, mas nem desconfia que o irmão Alonso que agora tem um comportamento homofóbico, é o gay que está abaixo de seus olhos. A minissérie aborda o tempo todo questões familiares.
Gabino entra em um embate com a família ao mesmo tempo que esconde um segredo sobre a morte do avô. Por ser julgado homossexual, sem nenhum tipo de provas, ele é preso e torturado pelo pai num exemplo extremo de intolerância e violência.
A ambientação é perfeita, os personagens estão muito bem caracterizados e cada um constrói bem suas personalidades. A mansão onde boa parte da ação acontece é um cenário rico em detalhes ao mesmo tempo que guarda uma certa obscuridade, implícita no período político que a Espanha vivia.
A personagem Mia é das mais ricas, ela é caridosa, ama o filho acima de tudo e está em crise no casamento. Não poderia ser diferente, a atriz Cecilia Suarez dá um show, a propósito ela é um dos principais nomes do cinema mexicano no momento.
Tratando de temas como homofobia, luta de classes e política, Alguém tem que morrer é um bom thriller que traz em sua fotografia imagens simbólicas, como um coração pulsando, para ilustrar determinadas situações. Carmen Maura simplesmente brilha do início ao fim na pele da vilã Amparo, a grande atração da série.
Se em La Casa de las Flores, Manolo Caro tratava a homossexualidade com naturalidade num México colorido e cheio de divas, aqui ele mostra o outro lado da moeda, o de quando ser homossexual ainda era crime e doença. Viver como LGBTQIA+ era perigoso pela pressão da sociedade que nos julgavam como monstros. E momentos históricos como esse, mesmo que tão sombrios, fizeram parte da construção da nossa trajetória e são importantes de ser relatados.
segunda-feira, 16 de março de 2020
Elite Terceira temporada(Espanha, 2020)
Estamos de volta à Escola Las Encinas, palco do crime que movimentou a primeira temporada e do mistério que rodeou a segunda. Dessa vez a série espanhola, produção original da Netflix, retoma o 'quem matou?' e todos são suspeitos da morte de Polo, o assassino de Marina.
Com ainda mais sexo, drogas e reviravoltas Elite continua sendo uma espécie de Rebelde para maiores. Não chega a ser uma trama sofisticada e tampouco adulta, mantém o mesmo ritmo de filmes como Meninas Malvadas e séries como Gossip Girl, mas tudo isso falado em espanhol o que dá um charme especial à trama.
Novas camadas são adicionadas aos personagens e a entrada de novos alunos também movimenta a trama fazendo com que esses sirvam como apoio para o conflito dos protagonistas. A mexicana Danna Paola novamente segue roubando a cena como a imbatível Lucrécia, dessa vez menos má e mais humanizada pelas consequências do caso que teve com o irmão Valério.
Nessa terceira temporada o casal Omar e Ander ganham mais destaque e o relacionamento dos dois acaba se tornando mais complexo após Ander descobrir que está com câncer. Novas nuances são dadas aos personagens que deixam de ser apenas o casal gay da história. Dessa vez também há um trisal, formado por Valério, Cayetana e Polo.
A narrativa não linear da história faz com que tentemos juntar os pedaços a cada um dos oito episódios para saber quem matou Polo. O último episódio, porém revela tudo o que gostaríamos de saber com um final fechado, ainda assim há um gancho para uma nova temporada. Basta saber se após a formatura a série ainda têm fôlego para um quarto ano.









