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quinta-feira, 10 de junho de 2021

Postcards from London(Reino Unido, 2018)

Em Postcards from London, de Steve McLean, Harris Dickinson, de Beach Rats(2017), interpreta Jim, um jovem de Essex que se muda para Londres e rapidamente se junta a um grupo de acompanhantes masculinos que intitulados como “Contadores de Histórias”(​​Jonah Hauer-King, Alessandro Cimadamore, Leonardo Salerni e Raphael Desprez), o treinam em sua profissão. 

Esses rapazes são especialistas em arte, para compartilhar conversas intelectualizadas com seus clientes após o sexo. Eles entendem de Gogol, Goya, Fritz Lang, Pasolini, Ticiano, Francis Bacon e Fassbinder, que é homenageado em uma cena em um bar gay onde todos estão vestidos como marinheiros de Querelle.


"Em uma sociedade tão atomizada como a nossa, as pessoas anseiam por intimidade. E é esse o serviço que oferecemos." Jim de olhos arregalados se compromete com seu curso de história da arte, lendo livros sobre pintura e escultura, até que esteja pronto para começar a entreter os clientes como um moderno Joe Dallesandro.


Mas existe um problema. Quando Jim olha para uma grande obra de arte, ele tem espasmos de admiração e depois desmaia. Ao acordar, ele se encontra realmente na pintura que causou a convulsão, essas sequências, fazem que McLean use seu elenco para recriar grandes obras de Caravaggio e Ticiano. Jim fica arrasado com o diagnóstico: como alguém pode ser um contador de histórias se não consegue nem olhar para a arte sem desmaiar? 


A sexualidade do filme está na beleza de suas imagens e o coito só é implicitamente sugerido em determinado momento.  A diretora de fotografia, Annika Summerson, contribui com composições visuais lindas e frequentemente espirituosas, filmadas inteiramente em estúdios que dão ao filme um clima altamente teatral e estilizado. 


Além da imagem de São Sebastião, há uma fixação em desvendar a obra de Caravaggio, que pintava prostitutas, marginalizados e ladrões. O próprio pintor renascentista(Ben Cura) aparece nos delírios de Jim, como um gênio atormentado e perfeccionista.


Postcards from London é um filme de arte, sobre arte e para amantes de arte encontrarem divertimento e identificação. O diretor explora à exaustão suas referências estéticas e intelectuais e ainda coloca em questão a fetichização da arte, algo tão pouco visto antes no cinema.



domingo, 18 de outubro de 2020

Beach Rats(EUA, 2017)


O filme da diretora Eliza Hitman, Beach Rats não é a típica história do romance ou da descoberta homossexual, pelo contrário ele trata da solidão que habita na falta da própria aceitação. A história gira em torno de um adolescente do Brooklyn, que em meio a beberagens, drogas e festinhas com os amigos busca na internet por prazer.

Frankie é um garoto de 19 anos, que vive num padrão heteronormativo e que na vida real provavelmente se cadastraria em aplicativos de encontro como ‘alguém fora do meio’. O que realmente deseja é encontrar caras mais velhos com quem possa a ser dominado, e faz isso por meio de sua webcam às vezes realizando os encontros. A estética do filme, é como a personalidade do protagonista, urbana, obscura e iluminada pelas luzes da cidade. O principal cenário é a casa de Frankie, onde ele leva a namorada pra transar, os amigos para se drogar e usa a internet para caçar.

Junto dos amigos, ele é aquele babaca que comete atos de homofobia e até mesmo roubam maconha de um gay. Longe da aceitação, o personagem vive uma vida dupla enquanto tenta namorar uma garota, mas com quem sempre falha.

A história é um pouco lenta, pois demora a entregar a real identidade do personagem, que vive uma realidade muito comum e ambígua, a dos gays enrustidos, que por medo de assumirem sua verdadeira identidade, tentam levar uma vida falsa para que possam se sentir no padrão.

A fotografia crua, as drogas, o sexo proibido, são elementos que contribuem para que o filme tenha uma atmosfera intimista e quase solitária. No final, porém, acho que Beach Rats, que é um longa realista e com muito potencial, peca por em nenhum momento assumir o orgulho em ser homossexual.