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terça-feira, 20 de maio de 2025

RIO LGBTQIA+ 2025: Um Mosaico de Histórias Queer no Cinema Brasileiro e Global

Artista: Emerson Rocha - Quando Garotos Negros (Se) Amam

De 3 a 9 de julho de 2025, o RIO LGBTQIA+ – Festival Internacional de Cinema, em sua 14ª edição, ilumina o Rio de Janeiro com 138 filmes que celebram a diversidade. Realizado no CCBB RJ, Instituto Cervantes RJ e Instituto Italiano de Cultura, o evento reúne 7 longas brasileiros, 11 longas internacionais, 60 curtas brasileiros e 60 curtas internacionais, trazendo vozes de territórios como Brasil, Filipinas, Argentina, Índia, Portugal e mais. A programação destaca a riqueza cultural e geográfica, com narrativas que cruzam estados brasileiros e fronteiras globais.

Longas Brasileiros: Representatividade Regional e Narrativas Vibrantes

Salomé, de André Antônio

  • Filhas da Noite, de Henrique Arruda (Pernambuco), mergulha nas vivências trans do Recife, capturando a pulsação da noite e da resistência.

  • Alegria do Amor, de Márcia Paraíso (Santa Catarina), explora o amor em suas formas mais plurais e emocionantes.

  • Uma Breve História da Imprensa LGBT+ no Brasil, de Luffe Stefen (São Paulo), resgata a luta por visibilidade na mídia brasileira.

  • Avenida Beira-Mar, de Maju de Paiva e Bernardo Florim (Rio de Janeiro), ambientado no litoral carioca, tece uma narrativa de amadurecimento e afetiva.

  • Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa (Paraná), acompanha Sol, que se apaixona por Lola, uma jovem atriz surda. O romance se complica quando Lola passa a conviver com Miguel, ex-marido de Sol, formando um triângulo que revela que a morte de um amor pode ser o nascimento de outro.

  • Salomé, de André Antônio (Pernambuco), oferece uma releitura delirante do clássico de Oscar Wilde, trazendo uma abordagem ousada e poética.

  • A Cigana, de Thiago Furtado (Piauí), é um documentário que apresenta Benício Bem, artista piauiense ligado à cultura cigana e popular nordestina. Em uma jornada cósmica por reconhecimento, Benício reflete sobre gênero, identidade e o estigma de ser um “artista local”.

Essa seleção abrange estados como Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Piauí, destacando a pluralidade regional do cinema queer brasileiro.

Longas Internacionais: Um Olhar Global

Homens Íntegros, de Alejandro Andrade Pease

  • Algumas Noites Quero Sair Caminhando, de Petersen Vargas (Filipinas), estreia no festival com uma abordagem sensível sobre garotos de programa.

  • Los Amantes Astronautas, de Marco Berger (Argentina), explora desejo e liberdade em um contexto romântico numa narrativa típica do diretor.

  • Como Nossos Sonhos, de Sridhar Rangayan (Índia), reflete sobre aspirações e identidades.

  • As Fado Bicha, de Justine Lemahieu (Portugal), celebra a resistência queer pela música.

  • Tese Sobre Uma Domesticação, de Javier Van de Couter (Argentina), apresenta uma poderosa narrativa trans sobre identidade e autodescoberta.

  • Outros títulos, como Homens Íntegros, Meu Nome é Agnes, Nicola, O Prazer é Meu, Quir e Sally!, completam o painel global, trazendo perspectivas de países como México, França e Itália.

Um Festival de Conexão e Resistência

Com curtas que abrangem ficção, documentário e experimental, o RIO LGBTQIA+ 2025 reforça a multiplicidade de vozes queer. A representatividade de estados brasileiros como Pernambuco, Piauí e Paraná, junto a narrativas internacionais de países como Filipinas e Índia, destaca o compromisso do festival com a inclusão. Para conferir a programação completa, incluindo curtas e eventos, acesse www.riolgbtqia.com.br/Filmes2025.html. A Cidade Maravilhosa será invadira por um universo de histórias que celebram a diversidade e a resistência na telona!


El Placer es Mío, de Sacha Amaral

domingo, 26 de janeiro de 2025

Avenida Beira-Mar (Brasil, 2024)


 "Avenida Beira-Mar", dirigido por Maju de Paiva e Bernardo Florim, mergulha nas profundezas da amizade, identidade e a complexidade das relações humanas num ambiente litorâneo. O longa não apenas conta uma história, mas provoca uma reflexão sobre aceitação, preconceito e a beleza das conexões interpessoais.

No coração do filme, está Rebeca(Milena Pinheiro), uma menina de 13 anos, que se muda para Piratininga, em Niterói, com a mãe, interpretada por Andrea Beltrão, após a separação de seus pais. Confinada dentro de sua nova casa devido a uma onda de roubos, Rebeca observa o mundo exterior de cima do muro, um símbolo de sua própria prisão emocional e social. Sua vida ganha um novo significado quando conhece Mika(Milena Gerassi), uma menina trans que enfrenta o desafio diário de afirmar sua identidade em um ambiente frequentemente hostil.


A amizade entre Rebeca e Mika é o eixo central do filme, uma relação que transcende as barreiras sociais e de gênero, oferecendo um olhar terno sobre o poder da compreensão e do apoio mútuo. O encontro delas é um momento de revelação para Rebeca, que começa a ver o mundo com olhos diferentes, enquanto Mika encontra em Rebeca uma amiga verdadeira, alguém que a vê e a aceita pelo que realmente é.


Visualmente, "Avenida Beira-Mar" captura a essência do subúrbio litorâneo, com uma fotografia, de Luís Baramo, que enfatiza a beleza e a melancolia das paisagens de Niterói. A direção de arte e a escolha de locações são fundamentais para criar um ambiente que tanto limita quanto libera, refletindo o estado emocional das personagens. 



A trilha sonora, embora discreta, é pontual e reforça momentos de tensão, alegria ou tristeza, contribuindo para a criação de uma atmosfera emocional rica. Há um momento ricamente emocional com Dê um Rolê, na voz de Gal Costa. A atuação das jovens atrizes é um grande aspecto, trazendo profundidade às suas personagens.

O filme aborda temas como a transição de gênero, a aceitação e a transfobia de maneira sutil mas poderosa. O conflito de Mika com sua identidade e a rejeição que enfrenta da sociedade e especialmente de sua família são mostrados com uma veracidade que comove. A história também explora a solidão, a busca por pertencimento e como as amizades podem oferecer uma nova perspectiva sobre a vida.


Maju de Paiva e Bernardo Florim conseguem criar um ambiente onde cada cena é carregada de sentimento, onde a amizade entre Rebeca e Mika se torna um farol de esperança em meio ao desespero e à confusão da adolescência. A maneira como o filme lida com a identidade de Mika é particularmente sensível, evitando clichês e oferecendo uma representação digna e respeitosa da experiência trans desde a infância.


"Avenida Beira-Mar" é uma jornada emocional que nos lembra da importância da empatia e da aceitação. É uma crítica à sociedade que marginaliza e um elogio à amizade que transcende todas as barreiras. Semelhanças à “Sem Coração”, de Tião e Nara Normande, à parte o filme toca corações por sua sinceridade, delicadeza e profundidade.