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terça-feira, 1 de julho de 2025

Renata Carvalho Recebe o 1º Prêmio Orgulho QQQ

A terceira edição da Mostra Quem Quer Queer? (QQQ) chega ao clímax no dia 7 de julho, no Estação Net Botafogo, com a entrega do 1º Prêmio Orgulho QQQ a Renata Carvalho, artista multifacetada homenageada deste ano. Atriz, diretora, dramaturga e transpóloga (antropóloga transgênero), a graduanda em Ciências Sociais é fundadora do MONART, do Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T, marcando sua luta por visibilidade queer.

No audiovisual, Renata arrasa com direções e atuações em filmes impactantes. Em “Salomé” (André Antônio, 2024), pelo qual faturou Melhor Atriz Coadjuvante no 57º Festival de Brasília, tem pré-estreia após a cerimônia, às 20h30. No mesmo dia, às 17h20, rola “Vento Seco” (Daniel Nolasco, 2023), onde faz a policial Paula, e às 19h30, “Corpo: Sua Autobiografia” (com Cibele Appes, 2020), narrando transcestralidade e transfobia em sua voz.

Outros destaques de sua carreira incluem a atuação como Carmen em “Pico da Neblina” (HBO Max), e nos docs “Quem Tem Medo?” (sobre censura) e “Corpolítica” (debates LGBT). Como Rose em “Os Primeiros Soldados”, sobre HIV/AIDS nos anos 80, levou o Prêmio Especial do Júri no 52º International Film Festival of India e no 23º Festival do Rio, além de Melhor Atriz Coadjuvante no 28º Prêmio Guarani, sendo a primeira trans nesta categoria. A Billboard a listou entre 30 trans notáveis acima dos 30.

O Prêmio Orgulho QQQ, criado pela Naked Neuras, será anual, homenageando artistas queer no cinema brasileiro. A cerimônia, com as drags do Cine Drag @dudakoo e @dragchanel, celebra o mês do Orgulho LGBTQIAPN+. A curadoria da Mostra QQQ, desde 27 de junho nos cinemas Estação, é do Grupo Estação, Wescla Vasconcelos e Cine Drag.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

TOP 100 - 100 A0 90

100 - Vento Seco(Brasil, 2020)

Por seu atrevimento e ousadia ao narrar uma história encharcada de fetiche e homoerotismo, Vento Seco, de Daniel Nolasco, garante um lugar na lista. O filme transcorre através de uma estética fabulosa. O diretor de fotografia Larry Machado recorreu ao uso de zoons no rosto expressivo do protagonista, enquanto cria um visual neon com cores fluorescentes. 



Mais de uma década depois que a AIDS foi identificada como uma doença, Filadélfia marca a primeira vez que Hollywood arriscou um filme de grande orçamento sobre o assunto. O longa,  de Jonathan Demme, confia na fórmula segura do drama de tribunal para explorar o tema, mais do que necessário. Apesar de não trazer uma mensagem positiva o filme conta muito a seu favor com os talentos de Denzel Washington e Tom Hanks, ganhador de seu primeiro Oscar, pelo papel de Andrew Becket.


Trazendo brilho, plumas e muita maquiagem para o meio do deserto, o longa, de Stephan Elliot,  é um grito de liberdade para a comunidade queer e que inspirou não apenas obras futuras, mas disseminou para o mundo a cultura Drag. Com uma trilha sonora icônica, performances exuberantes, o longa utiliza a fórmula do road movie para traçar uma jornada de superação que nunca perde seu brilho.



Marco do new queer cinema, da representatividade negra, feminina e lésbica, Watermelon Woman, de Cheryl Dunye, é sobre uma jovem lésbica e negra que trabalha numa vídeo-locadora e faz vídeos amadores. Seu objetivo é descobrir quem foi a mulher melancia, uma atriz negra dos anos 1930, onde afrodescendentes estavam fadados a interpretar criados e escravos no cinema.

96 - Maurice(Reino Unido, 1987)

Ambientado na conservadora Inglaterra do início do século XX, Maurice é um épico queer dirigido por James Ivory, autor de Me Chame pelo seu Nome. A produção é inspirada na obra homônima de E.M. Foster, importante autor britânico que apresentava em seus livros traços autobiográficos mas que teve Maurice, apenas lançado após sua morte.



O filme, de Sean Baker, se destaca porque foi rodado exclusivamente em três iPhone 5s. Los Angeles. Véspera de Natal. Sinn Dee sai da cadeia após 28 dias e encontra no Donut Times sua melhor amiga, Alexandra. Desde então, é babado, confusão e gritaria!

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Money! Success! Fame! Glamour! Party Monster, de Fenton Bailey e Randy Barbat, celebra a cultura club kid enquanto conta a história real de Michael Alig, uma personalidade da noite nova yorkina detido por assassinar o seu traficante, Angel. O filme marcou o retorno triunfal de Macaulay Culkin, em um papel que parece feito para ele. Culkin interpreta Allig enquanto seu fiel escudeiro, James St James, é vivido por Seth Green.



Zero Patience, de John Greyson, conseguiu fazer o que parecia impossível: trazer humor e leveza para a problemática da AIDS. Para escrever o roteiro, Greyson se inspirou na história do comissário de bordo Gaëtan Dugas, um franco-canadense, apontado por levar o vírus aos Estados Unidos. Colorido, lúdico, bem-humorado e corajoso, o filme é um musical marcado por cenas icônicas e letras que levantam uma bandeira de militância e crítica social.

92 - Meu Amigo Cláudia(Brasil, 2009)


O título Meu Amigo Claudia vem do texto escrito por Caio Fernando Abreu, sobre Claudia Wonder, personalidade dissecada pelo diretor Dácio Pinheiro em seu longa, eleito melhor documentário no Festival Mix Brasil 2009, ao lado de Dzi Croquettes. Nascido Marco Antônio Abrão, o filme relata a infância difícil, a sexualidade e o processo de transição da artista..



Segundo longa do argentino Marco Berger, Ausente é diferente, e mais sombrio, de tudo o que ele faria a seguir. Ganhador do cobiçado Teddy Award, no Festival de Berlim, o filme apresenta uma premissa muito interessante, a do assédio sexual na escola, mas ao contrário, pois o assediador é um aluno. Martín(Javier de Pietro), é um adolescente de 16 anos, que desde os primeiros minutos do filme, cobiça seu professor de natação Sebastian(Carlos Echeverria).


90 - Amigas de Colégio(Fucking Amal, Suécia, 1998)



Amigas de Colégio, filme de estreia do sueco Lukas Moodysson, é uma representação poderosa e profundamente comovente das turbulências da puberdade. Agnes (Rebecka Liljeberg), de 16 anos, é uma adolescente solitária que vive na pequena cidade de Amal. Sem amigos, e sem a sua sexualidade ainda completamente fluida, ela tem uma grande atração por Elin (Alexandra Dahlstrom), uma adolescente precoce, de 14 anos, que é o sonho molhado de todo menino.


sábado, 27 de março de 2021

Mr. Leather(Brasil, 2019)


Antes de realizar o ousado Vento Seco, o diretor goiano, Daniel Nolasco, dirigiu Mr. Leather onde adentra a fundo no mundo do fetiche para mostrar os bastidores do concurso Mr. Leather 2018, o segundo realizado no país.

O documentário começa de forma bem humorada apresentando Sr. D, precursor da cena Leather no Brasil. O homem é interpretado por um ator, que segundo o narrador é parente de alguém da produção e está ali por ser gostoso. Quando se muda para São Paulo, o fetichista inicia a cena no Brasil, realizando festas na lendária boate Eagle, em São Paulo.

Utilizando de uma linguagem mais lúdica do que jornalística, o diretor nos apresenta os quatro concorrentes do concurso: Dom PC, Deh Leather, Kake e Maoriguy. Os candidatos disputam pelo posto ocupado por Dom Barbudo, que representou o Brasil no concurso, em Chicago.

Desvendando os códigos por trás da cultura Leather e BDSM, os entrevistados falam com muita propriedade sobre a prática do fetiche e suas inspirações como O Selvagem da Motocicleta, Juventude Transviada e o cartunista homoerótico Tom of Finland, também responsável por boa parte das cenas provocativas que são encenadas.


A moda com poderosas jaquetas de couro, botas, jockstraps, máscaras, quepes e o harness, símbolo da cultura Leather, é apresentada com orgulho pelos concorrentes ao Mr. Leather, que tem uma história para cada uma das peças de seu guarda-roupas. Os trajes também servem para distinguir sua personalidades, completamente diferentes.

Há ainda uma cena onde podemos presenciar uma sessão de BDSM conduzida pela Dom Barbudo. Sexy e claustrofóbica, a sequência é de tirar o fôlego. De repente entramos em um sonho de domínio e submissão que nos leva a um pup play, pelas ruas de São Paulo.

Um dos entrevistados do filme é o estilista Heitor Werneck, que como um dos jurados do concurso e praticante da cena, aconselha os candidatos sobre como se portar e o que é mais relevante para carregar o título de Mr. Leather.

Instigante, o longa culmina num famigerado desfile de jockstraps e no anúncio do ganhador do concurso. Mr Leather é um triunfo, por apresentar uma tribo desconhecida, até no meio gay, e mostrar que para a iconografia do couro se difundir no Brasil, é necessário mais integração e menos carão.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

TOP 10 FILMES LGBTQIA+ 2020



2020 foi muito atípico e até surrealista, por isso os lançamentos foram escassos e chegando aos poucos, mas mesmo assim grandes Plataformas como Netflix, Prime Video e Hulu, apostaram em conteúdo LGBTQIA+. Graças ao blog, eu tive a oportunidade de assistir muitos filmes, algumas verdadeiras obras primas, que ainda não tinha tido acesso, mas é claro que pertencentes a diversos outros anos e décadas, mas isso seria uma outra lista. Acompanhar os lançamentos e fazer esse TOP 10 foi mais fácil, porque tivemos livre acesso ao Festival Mix Brasil que trouxe grandes filmes, que me ajudaram a  escalar as obras que mais me tocaram em 2020.


10 - Revelação(Disclosure, EUA, 2020)


O documentário da Netflix traça um mapa histórico da figura do transexual no cinema. Com depoimentos de artistas trans como Laverney Cox, Chaz Bono e Lily Wachovsky o filme mostra a evolução transgênero no cinema e na televisão ao longo dos anos com um acervo riquíssimo de imagens de filmes como Meninos não Choram, Traídos pelo Desejo, Uma Mulher Fantástica e muitos outros. 


9 - Alguém Avisa?(The Happiest Season, EUA, 2020)


Dirigido pela também atriz Clea Duvall, que escreveu o roteiro baseado em experiências próprias o filme é estrelado por Kirsten Stewat  e Mackenzie Davis, que fazem o casal de lésbicas da vez. Com o natal chegando elas precisam decidir o que fazer. Harper(Mackenzie) convida Abby(Stewart) para passar algumas noites com sua família, o detalhe é que não sabem do namoro e muito menos que a filha é lésbica. Uma das comédtas românticas do ano!


8 - 7 minutos(7 minutes, França/Itália, 2020)

O diretor brasileiro Ricky Mastro, foi até Toulouse na França para filmar seu primeiro longa-metragem, o sensível, 7 minutos. Na primeira cena vemos dois lindos rapazes, Kevin e Maxime, na cama transando e praticando o popular entre gays chemsex, que é o uso de drogas durante o sexo, o que acaba provocando a morte de ambos. Esse é o ponto de partida para o desenrolar da trama, onde acompanhamos o solitário pai de Maxime, o policial Jean, adentrando no universo que o filho frequentava.


7 - The Boys in the band(EUA, 2020)


Baseado na peça Off-Broadway, de 1968, escrita por Matt Crowley esse remake do filme original de 1970, dirigido por William Friedkan foi produzido por Ryan Murphy, e traz boa parte da sua trupe. Dirigido por Joe Mantello, o filme conta com um elenco todo de atores gays, que também estrelaram o espetáculo, sobre uma festa de aniversário gay com muito sarcasmo e uma pitada de homofobia, graças a um hétero penetra. Jim Parsons, Zachary Quinto, Brian  Hutchison, Matt Bomer, Andrew Rannells, Charlie Carver, Robin de Jesus, Michael Benjamin Washington e Tuc Watkins estrelam a produção.
6 - Saint Narcisse(Canadá, 2000)


Com Saint Narcisse, o sempre controverso diretor canadense, Bruce la Bruce mostrou um lado diferente de si mesmo e elevou sua obra a um outro patamar. Sem sexo explícito, violência, orgias e drogas, o diretor realizou seu filme com maior apuro estético. Nos anos 1970, o jovem Dominic, obcecado pela própria imagem vai atrás do passado após a morte de sua avó e acaba encontrando uma mãe lésbica e um irmão gêmeo que é abusado por um sacerdote.

5 - Verão de 85(Éte 85, França, 2020)


O aclamado François Ozon volta aos anos 1980, para contar uma história livremente baseada no romance do autor britânico Aidan Chambers. Na ensolarada Normândia, na França, ao som de In Betwen Days do The Cure, o diretor nos apresenta Alexis, Felix Lefebvre. e Davi, Benjamin Voison. Ao se conhecerem os personagens irão se envolver num belo e trágico romance. Esteticamente lindo, o filme merece todo o reconhecimento que está recebendo.


4 -Ammonite(Reino Unido, 2020)


No segundo longa de Francis Lee, do elogiado Reino de Deus, o diretor vai até 1840, quando nos conta sobre a verídica arqueóloga Mary Anning, interpretada com maestria por Kate Winslet. Quando Charlotte, Saoirse Ronan de Lady Bird, precisa se hospedar em sua casa, elas criam uma relação, que no início é de repulsa mas acaba se tornando um belíssimo romance. O filme tem uma fotografia linda, e a química das duas atrizes juntas é dignas de uma indicação dupla ao Oscar.


3 - Vento Seco(Brasil, 2020)


Exibido no Festival de Berlim, o ousado Vento Seco de Daniel Nolasco, é marcado por fetiches, erotismo, nudez e sexo, explícito muitas vezes. Esses elementos que constroem o filme, lhe garantem uma estética atrevida, que acompanha a jornada sexual do personagem principal, Sandro, interpretado com total entrega por Leonardo Faria Lelo.


2 - Retrato de uma Jovem em Chamas(Portrait de la jeunne fille en feu, França, 2019)

A diretora Céline Sciamma, foi premiada em Cannes pelo roteiro de seu Retrato de uma jovem em Chamas e indicada ao Globo de Ouro de Filme Estrangeiro, por essa obra prima.  A trama se passa em 1770, quando  Marianne (Noémie Merlant) é contratada para pintar o retrato da jovem Héloïse (Adèle Haenel), para que seja avaliado por um futuro pretendente. Durante o processo as duas acabam desenvolvendo uma delicada e sexual relação. O filme é de 2019, porém estreou no Brasil em janeiro deste ano.


1 - Valentina(Brasil, 2020)

O premiado Valentina, de Cássio Pereira dos Santos, fala de temas necessários, discutindo bullying e a presença de adolescentes trans dentro de instituições escolares. Valentina interpretada pela atriz trans Thiessa Woinbackk que vive com a mãe, papepl da sempre ótima Guta Stresser. Quando se mudam para o interior as duas precisam encarar diversos obstáculos para garantir respeito e sua representatividade.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Vento Seco(Brasil, 2020)

Exibido no Festival de Berlim em 2020, o ousado Vento Seco de Daniel Nolasco, é marcado por erotismo, nudez e sexo, explícito muitas vezes. Esses elementos que constroem o filme, lhe garantem uma estética atrevida, que acompanha a jornada sexual do personagem principal.

O filme é declaradamente fetichista. De maneira lúdica ele mostra o universo da submissão e dominação. Do couro. Do urso. Do policial. Do sexo em lugares públicos. Vestiários. Chuveiros. Urina. Sêmen. Tudo isso para ilustrar a rotina de Sandro, de certa forma remetendo à obra do canadense Bruce la Bruce.

Sandro, Leandro Faria Lelo, totalmente entregue, é funcionário de uma empresa de grãos cuja a chefe Paula, é interpretada pela atriz trans Renata Carvalho, de toda aquela polêmica peça com Jesus Cristo travesti. E ela defende muito bem o papel. No elenco também está Candy Mel, que foi cantora da Banda Uó.

Numa cidade do interior do Goiás, Sandro tem um caso clandestino com Ricardo, Allan Jacinto Santana, com quem transa no mato em cenas de elevadíssimo apelo sexual. Ele é o urso sendo devorado. O erotismo também rodeia a área da piscina, onde vemos muitos corpos masculinos, musculosos e molhados.


Misturando realidade com clima de fantasia, o diretor vai criando momentos épicos. A chegada de Maicon (Rafael Teophilo) vestido de couro na saída de um supermercado é digna de uma tirinha de Tom of Finland. 

Vento Seco transcorre através de uma estética fabulosa. O diretor de fotografia Larry Machado recorreu ao uso de zoons no rosto expressivo de Sandro, enquanto cria um visual neon com cores fluorescentes. A trilha, também é um show à parte, vai de sertanejo goiano à Maria Bethânia.

Há momentos lindos, como um lúdico num parque de diversões ou crus e fetichistas, como a entrada numa boate sadomasoquista que levará o filme ao seu primeiro momento de catarse. O diretor usou um novo conceito de fazer cinema, muito pouco explorado no Brasil, talvez se aproximando um pouco do filme Tatuagem.

O triângulo amoroso entre Sandro, Ricardo e Maicon é que proporcionará a porção de história diante tanto e envolvente fetiche. Vento Seco é um filme abusado, atrevido, criativo e que não tem medo de expor os desejos humanos, para contar uma linda história sobre amor e solidão.