Mostrando postagens com marcador Vanessa Paradis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vanessa Paradis. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de abril de 2022

Garoto Chiffon(Garçon Chiffon, França, 2020)

Para seu primeiro filme como diretor, Nicolas Maury deu a si mesmo o papel principal. Seu Garoto Chiffon, apelido dado a ele carinhosamente por sua mãe (Nathalie Baye) quando ele era pequeno, é uma delícia de sensibilidade, de ternura e de um leve humor ácido.

Centrando seu assunto em torno de auto-rejeição e auto-aceitação, o cenário alinha ambas as situações conhecidas e coloca em pauta entrevistas de emprego, crises de relacionamento, sessões com o psiquiatra, etc.


Um retrato complexo de um jovem que busca acima de tudo a paz interior, Garoto Chiffon deve muito a papéis secundários como Nathalie Baye como mãe desatenta, mas benevolente, Arnaud Valois, de 120 batimentos por minuto(2017),  como Albert o namorado exasperado, ou Laure Calamy, incrível como Sylve, uma diretora arrasada, em meio a um colapso nervoso e mais exaustivo.


Entre pontos infantilizados, memórias nostálgicas ampliadas, acompanhadas de canções de Vanessa Paradis, e alguns momentos lúdicos de fantasia assumida, o filme esconde boas doses de emoção em meio a um mundo colorido, onde o personagem principal busca por si mesmo.

Jérémie é cativante. E engraçado também. Pode-se dizer que seu autor-diretor-intérprete Nicolas Maury tem o dom do humor, já notado em Faca no Coração(2018), de Yann Gonzalez. O roteiro do filme é colaborado com dois talentos no estudo do comportamento no cinema francês: a roteirista Maud Ameline e a cineasta Sophie Fillières.


O trio conseguiu uma fantasia existencial sutil, que vai da poesia cotidiana à descrição paranóica delirante, do burlesco arrítmico ao conto iniciativo. No centro, um personagem por natureza melancólico. A câmera o acompanha do começo ao fim em suas loucas aventuras, como uma criatura embebida em uma infinidade de reações em cadeia que o nutrem e o moldam.


Garoto Chiffon é  saboroso, das situações aos diálogos, dos dramas internos às fugas externas, do reencontro de pessoas ciumentas anônimas aos desencontros. Nunca cínico, o tom celebra uma humanidade nem sempre compatível com padrões. 



sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Faca no Coração(Un Conteau Dans le Coeur, França, 2018)


Vanessa Paradis protagoniza esse thriller francês dirigido por Yann González. Ela é Anne, diretora de pornôs gays na Paris dos anos 1970. Reconhecida no meio underground, ela que lança títulos como Esperma e Água Fresca luta por seu amor por Lois, namorada que a rejeita.

O filme começa com um clima fetichista mostrando imagens homoeróticas de um filme feito por Anne, mesclado pela estética de uma boate sadomasoquista. Vemos então o brutal assassinato de um dos atores por meio de um canivete em forma de dildo de borracha. Começa então uma homenagem aos filmes Giallo setentistas.


Com um caldeirão de referências de Pasollini, Fellini a Edgar Allan Poe o longa possui uma estética alucinógena que homenageia os pornôs franceses dos anos 1970. Em uma cena Anne observa Lois através de um buraco na parede no melhor estilo Psicose, de Alfred Hitchcock.


Faca no Coração, faz uma espécie de metacinema com o filme dentro do filme o tempo inteiro. Nunca sabemos se o que vemos é uma projeção ou a realidade. Os fatos levam Anne a filmar de um jeito muito particular Homocida, um filme erótico baseado nos assassinatos que estão acontecendo.


Marcado por um clima lúdico o filme também faz citação ao teatro de Vaudeville e Garcia Lorca. É extremamente poético ao mesmo tempo utiliza a violência para retratar como os LGBTQIA+ são vistos na sociedade.


Com uma atuação sólida, Vanessa Paradis, em um visual femme fatale ,faz uma protagonista corajosa e que luta pelo amor, porém preenche o vazio bebendo, fumando e fazendo arte. A relação com Lois só se resolverá mesmo no grandioso final.


Faca no Coração é uma grande surpresa, um filme que fala de submundo mas mantendo o clima poético e lírico. Uma metáfora sobre a comunidade LGBTQIA+ narrada pelo ponto da arte subversiva.