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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

29º FESTIVAL MIX BRASIL



É dada a largada inicial de nossa cobertura! Criado em 1993, por André Fisher, o Festival Mix Brasil, é hoje um dos mais importantes eventos para difundir a cultura LGBTQIA+ na América Latina. O festival, que inicialmente exibia curtas-metragens com temática LGBTQIA+ , atualmente também abre espaço para teatro, música, literatura, conferências, laboratórios de cinema e os filmes mais aguardados do circuito. Após uma edição totalmente online, no ano passado, devido a pandemia, este ano o evento acontece de maneira híbrida. Entre 10 e 21 de novembro, serão exibidos 117 filmes, entre curtas e longas, de 23 países. Parte da programação será de forma presencial no CineSesc, Centro Cultural São Paulo (CCSP), MIS - Museu da Imagem e do Som, Teatro Paulo Eiró e Centro Cultural da Diversidade. A outra parte online poderá ser acessada a partir do site do MixBrasil e da Plataforma do Sesc SP. No total são distribuídos 8 prêmios que levam o título de Coelho de Ouro e o festival ainda proporciona o impagável Show do Gongo. Ao longo dos próximos dias, estaremos dedicando nosso espaço totalmente ao evento(exceto pelo dia 20).

Já vimos, gostamos e recomendamos:

Deus tem AIDS(Brasil, 2021)


Tão impactante quanto o título do documentário, de Fábio Leal e Gustavo Vinagre, são algumas das performances apresentadas ao longo do filme. Acompanhando 7 artistas e 1 médico, que convivem com o HIV, a obra se propõe a apresentar diversas narrativas sobre o tema. Quarenta anos depois da descoberta do vírus, o assunto segue incomodando. A ciência evoluiu mas a sociedade parece manter os mesmos estigmas de décadas atrás. Os personagens de Deus tem AIDS, quebram paradigmas através da arte, mostrando novos horizontes e cutucando na ferida.

Campo de Papoulas(Poppy Field, Romênia, 2020)


Campo de Papoulas é um retrato romeno e poderoso de um homem gay atormentado e envergonhado por sua própria sexualidade. O filme se concentra em Cristi (Conrad Mericoffer), um policial temperamental cuja vida confortável no armário, ao lado do parceiro Hadi(Radouan Leflahi) e da irmã Catalina(Cendana Trifan) muito interessada em sua relação privada e amorosa, é interrompida quando ele é enviado a um cinema, onde um grupo conservador interfere na exibição de um filme com temática LGBTQIA+.

O Canto do Cisne(Swan Song, EUA, 2021)



O Canto do Cisne, do escritor e roteirista Todd Stephens, acompanha o aposentado cabeleireiro das estrelas da vida real, de Sandusky, Ohio, Pattrick Pitsenbarger, vivido pela lenda do cinema Udo Kier. Tudo começa, quando o Pat, retirado em um asilo, é chamado para fazer o penteado de uma antiga cliente, uma mulher republicana que deve parecer deslumbrante em seu funeral. No início ele declina, mas logo descobre que aquela pode ser sua última jornada. 


Locais:

CineSesc - Ingressos em sescsp.org.br/cinesesc

Centro Cultural São Paulo (Sala Lima Barreto) - Retirada de Ingresso uma hora antes da sessão

MIS - Museu da Imagem e do Som - Retirada de Ingresso uma hora antes da sessão

Teatro Paulo Eiró - Retirada de Ingresso uma hora antes da sessão.

Centro Cultural da Diversidade - Retirada de Ingresso uma hora antes da sessão


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Deus tem AIDS(Brasil, 2021)



Tão impactante quanto o título do documentário, de Fábio Leal e Gustavo Vinagre, são algumas das performances apresentadas ao longo do filme. Acompanhando 7 artistas e 1 médico, que convivem com o HIV, a obra se propõe a apresentar diversas narrativas sobre o tema.

Quarenta anos depois da descoberta do vírus, o assunto segue incomodando. A ciência evoluiu mas a sociedade parece manter os mesmos estigmas de décadas atrás. Os personagens de Deus tem AIDS, quebram paradigmas através da arte, mostrando novos horizontes e cutucando na ferida. No caso do médico ativista Carué Contreiras, ele fala muito abertamente sobre como é conviver com o HIV no cenário atual, além de compartilhar momentos de fato reflexivos.

Micaela Cyriano, a única mulher documentada, que nasceu em 1988, com o vírus, conta como foi sua jornada até aqui e manifesta nas ruas que não irá morrer. Por outro lado, Kako Arancibia chama as pessoas na calçada para conversar sobre HIV/AIDS. De seus diálogos saem momentos reveladores e didáticos, quando ele explica que desde 2016, é comprovado que uma pessoa indetectável e em tratamento não transmite o vírus.

Ronaldo Serruya, do grupo de teatro XIX, também tem extrema relevância no documentário. Ele, assim como os outros personagens, transformaram sua sorologia em arte. Uma arte provocativa e que propõe profundas reflexões. Ele analisa de forma pura o tema e conta como encontrou o refúgio na criatividade.

Criando novas imagens e perspectivas, o longa ainda fala em sorofobia, que é a pena ou ou medo de alguém que convive com HIV, além do armário para quem vive com o vírus, que segundo alguns entrevistados deve e precisa ser escancarado.

O filme pinta um retrato corajoso e honesto através do relato, muitas vezes comoventes, de seus entrevistados. Todos mandam muito bem o seu recado. Os depoimentos são fortes, educativos e possuem um forte apelo para que os pré-conceitos e estigmas sejam quebrados. Há imagens desconcertantes do corpo como arte.

A visão crua e nua(literalmente) de Deus tem AIDS oferece  uma reflexão urgente sobre um tema que ainda hoje é evitado. Referência no tratamento do HIV no mundo, o Brasil vem sofrendo um retrocesso em seu atual governo e que soa quase como uma ameaça. É preciso tocar no assunto.